Nascido
Jamais me esquecerei,
Que me fizeram,
Nascer um Dia,
Simplesmente,
Infindável.
Lx, 18-7-2000
A
Luz pavoneando-se espairece pelos vales como a beleza preenche todo o espaço
válido da estética, excepto o incorruptível vale das tormentas, sombrio e
soturno, somente à espera, de ser digno de ser atingido ou contemplado, por um
raio de luminosidade.
Mas
porque não se torna então essa reunião plausível e realista?
Essa
Luz tão contempladora, abrangente e resignante, a desejada por todos, mas tão
selectiva na sua longitude.
Pobres
almas daltónicas insensíveis a esse espectro de luz que exasperam nas
profundezas da escuridão eterna e irresoluta, antimatéria da Luz.
Porque
não só a Luz é bela ou é vida, as trevas e a escuridão são tão ou mais
inebriantes e enternecedoras que a mais profunda e doce Luz matriarcal.
Salvé
a penumbra absoluta, porque dela renasce a Luz ofuscante e genuinamente
verdadeira. Pois Ela nasceu do crepúsculo de toda a luminosidade profícua e
indulgente.
Tal
como na magnitude total da luminosidade precoce e envolvente, ou na escuridão
obscura e insalubre, o que ressalta da sua incompatibilidade e não sobreposição
são laivos de esperança, de liberdade, de negação e anticonformismo tal e qual genes
alterados e mutáveis.
Apóstolos
da diferença e do contraditório dialéctico, guerreiros anarquistas contra a
frivolidade ignóbil reinante.
Pois
deles depende a evolução Humana, tanto biológica como culturalmente.
LX,
17-6-2001
Sonhos
enevoados,
Com
música delicada,
Sentidos
extenuados,
Com
luz apagada.
Ecos
uivam loucos,
Ressuscitam
o Passado,
A
Razão duns poucos,
Num
triste Fado.
Dolorosa
existência,
Pasma
aberração,
Traída
aparência,
Insolúvel
tentação.
Alma
dorida,
Coração
em pranto,
Estou
de partida,
Aqui
num canto.
Silêncio
companheiro,
Conforto
indagável,
Destino
matreiro,
Morte
imutável.
Projecções
futuras,
Contemplam
o Além,
O
outrora esconjuras,
O
esquecimento também.
Perdido
em profundo,
Mente
angustiada,
Navego
pelo fundo,
Fuga
abençoada.
Tormentos
em redor,
Obscuridade
translúcida,
Alertas
em temor,
Saudade
enternecida.
Arte
idolatrada,
O
Belo intocável,
Toca-se
a entrada,
Jamais
influenciável.
Fundou
a essência,
Universo
coerente,
Espasmo
à tangencia,
Unidos
em torrente.
Espaço
incomensurável,
Lamentosa
consciência,
Eternidade
implacável,
Amargosa
existência.
Chamamento
apelativo,
Ordem
eloquente,
O
caos imperativo,
O
vazio inconsequente.
Forças
indulgentes,
Esbatem
ao lado,
Perceptíveis
antes,
Hoje
inundado.
Força
invisível,
Acção
passiva,
Ser
sensível,
Dor
lasciva.
As
lágrimas secaram,
A
névoa levantou,
Os
anjos morreram,
A
Vida findou
O
nada vingou.
LX,
17-9-2002
Vagueias
por aí,
Eu
no fundo sei,
Olhas-me
daí,
A
minha Alma te dei.
Sinto
no ar a tua presença,
A
tua dor veio com o vento,
Porque
estás tão tensa,
Não
ouves o meu lamento.
Não
chores mais,
Por
favor não,
Soltaram
os chacais,
E
já não comem à mão.
Não
te conheço o nome,
Não
sei quem serás,
Bastará
um olhar,
Um
terno sorriso,
Num
dia singular,
De
tempo conciso,
Nunca
saberás,
Sequer
que existo.
LX,
15-8-2003
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