Paulo Jorge

Paulo Jorge

n. 1970 PT PT

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

n. 1970-07-17, Lisboa

Perfil
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Nascido





Jamais me esquecerei,

Que me fizeram,

Nascer um Dia,

Simplesmente,

Infindável.



Lx, 18-7-2000
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Biografia
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“ Poesia Eterna Parte I”
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A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

Poemas

98

Noctívago


Acordo prostrado como um mal nascido,
Escondo-me nos livros da minha estante,
Acalmo os meus soluços com música perdido,
Estático vegeto consumido e irrelevante,

Só com a noite instalada consigo enfrentar,
A sociedade comigo impiedosa e contrastante,
Do chão mal consigo os olhos levantar,
Sob o luar pálido curo minha dor lancinante.

Lx, 23-3-1995
683

Para Vós


Quem vos dera a liberdade dos pardais,
A coroa real sumptuosa dum rei felino,
Quando é que pela mãe natureza exaltais,
Cantando em uníssono a vida num hino.

Lx, 23-3-1995
679

Sono Eterno


Deixai-me a dormir sozinho,
Um sono eterno e profundo,
Não me deixem sonhar mesquinho,
Na solidão imensa deste mundo.

Lx, 23-3-1995
683

Indignas


Não sois dignas dos meus poemas finados sentidos,
Antes deixá-los amarelecer podres aos bichos-de-conta,
Afastai dos meus versos vossos corpos pervertidos,
Não quero vê-los cobiçados como roupa de montra,
São sublimes e luxuriantes como peles de lontra,

Eles são os tormentos pela minha alma auferidos,
Afogados em dor e solidão submergiram numa onda,
Senti-me só e os meus olhos choraram entristecidos,
Quem me dera ser eterno pastor de mitos antigos,
Abandonado ter só a chuva e o vento como abrigos.

Lx, 29-12-1994
691

Adoração


Idolatrai-me com os vossos olhares,
Castrai-me com os vossos desejos,
Oferecei-me perfumados campos de flores,
Esperai obcecadamente pelos meus ensejos.

Lx, 29-12-1994
683

Sociedade Cruel


Mergulhado num ninho de vespas estou,
Aterrorizado com todas as gentes fico,
Sob o peso do mundo minha alma vergou,
O semblante do meu ser desiste pacífico.

As ruas exalam carências sencientes,
Amor gratuito demora a encontrar-se,
Os corações resistem deprimentes,
E a sua jovialidade volátil esvai-se.

Como fantoches pavoneiam-se enfim,
Como bonecos com a corda partida,
Como escravos vagueiam até ao fim,
Até quando rastejar sob gente pervertida.

Lx, 5-11-1994
667

Prostração Ténue


Nem sempre quis ver o sol raiar,
Minha alma aflita desentronizada,
Decidiu com a pesada existência arcar,
Manter-se para sempre alheada.

Quando eu apenas queria amar,
Encontrei cumes de neves eternas,
Altas e distantes com quem sonhar,
Situam-se tão distantes e serenas.

Ansioso pelo prazer máximo desfrutar,
Neste pouquinho tempo que me resta,
Que tristeza vê-lo pelos dedos escapar,
Afinal o pouco que sobrou não presta.

Não sei como tudo isto aconteceu,
Estendi meus braços e bradei aos céus,
Nas minhas barbas o destino se teceu,
Quando de repente rasguei meus véus.

Porque não florir numa Primavera,
Como todas as flores sumptuosas,
Porque foste para mim tão severa,
Afogar-me em ideias perniciosas.

Minha alma não sabe por quem chamar,
Quando me apetece apenas gritar alto,
Já não consigo ouvir o vento a sussurrar,
Guiando meus passos neste último salto.

Lx, 8-10-1994
679

Como Um Raio De Sol


Não sei se haverá poema capaz algum,
De mostrar o que na minha alma vêem,
Não sei se valerá apenas escrever um
Quando só nostalgia e solidão saem.

Brilham ao sol teus cabelos doirados,
Guiando-me por caminhos agrestes,
Consolam-me os lamentos irados,
O calor de mil estrelas ardentes.

Passeias-te como uma fresca brisa,
Deixas no ar cheiros de fantasia,
Refrescas-me a mente submissa,
Sonhos ao luar com maresia.

Bela e formosa de olhar apelativo,
Serei para sempre teu até ao fim,
Assim meu coração ficou cativo,
Perdurando a tua imagem em mim.

Encanta-me a tua jovialidade carnal,
Esteticamente pura e ilusória,
Deixa-me contemplar-te trivial,
Platonicamente desejar-te peremptória.

Como andorinha-do-mar te vi chegar,
Perdido no Oceano vieste-me encontrar,
Levaste-me para tua casa a pernoitar,
Como sereia aos meus braços vieste pousar.

Lx, 7-9-1994
708

Monotonamente Escrevendo


Farto-me de Ser simplesmente,
De viver o que não quero ser,
De nascer tão fluentemente,
Para no fim morrer sem querer.

Ansioso por vida complexa e completa,
E vergando-me perante o seu peso,
Acabo por ser uma alma discreta,
Liberto-me gritando .

Nada me faz andar,
Nada me faz correr,
Continuarei até quando a pensar,
Se continua eternamente a chover.

Lx, 12-6-1994
637

Sonho Benigno


Pelo campo andavas a deambular,
Esquiva pelos beirais em devaneio,
Dei por ti um dia assim ao sonhar,
E logo me ficou o coração cheio.

Cheio com a presença do teu olhar,
Perdido no perfume do teu cabelo,
Louco e apaixonado pelo teu pensar,
Fazes-me viver em tons d'amarelo.

Estou bem quando encantado por ti,
Amanso quando a tua boca sorri,
Só para mim, enfim só por mim.

Deleito-me com a tua contemplação,
Tão servil e pura na minha imaginação,
Tão-somente e sempre, até ao fim.

Lx, 25-1-1994
706

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