Lista de Poemas

TRAÇOS

Entre as linhas das mãos
Há o risco da paixão
Nem curvo nem reto

Curto, nada entrecorta
Mal começa se emenda
Longevo dura uma vida

Sozinho na palma aberta
É desenho discreto
Fechada se mistura
Ao do destino, futuro, sorte e utopia

Quando as mãos se alcançam
A gente abraça a alma
Quando postas
Se tocam em oração

Enquanto nossas palmas colam
Essas linhas ou traços de poesia
Entrelaçam-se, acrescem e jamais se soltam
Por serem simples, livres e tão nossas
Essas mãos
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INTENSAMENTE

               Paulo Sérgio Rosseto

O amor é o todo
Somos apenas versões
Das suas fartas maneiras

Quando adolescemos amantes
Rejuvenescemos amando
Vivenciando as sagas diversas
Das paixões às vezes prósperas
Às vezes avessas

Por isso sou forte
Nessa intensa façanha
Em busca de amar intensamente
E vulnerável quando amo às pressas

Desconheço enfim uma fórmula expressa
Cada um empreende no ritmo do amor
A própria inexperiência desde que generosa

Se minha amada é essa minha singular cantiga
Sou eu a sua valsa

@psrosseto

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ENCARACOLADOS

Quero morar sob um teto
Coberto pelos fartos fios
Dos teus cabelos dourados

Quero deitar recobrindo meus olhos
Com os cheirosos fios suaves
Dos teus cabelos dourados

Quero perder-me em tua face
Cercada pelas mechas brilhantes
Dos teus cabelos dourados

Quero beijar tua fronte
E morder teus lábios vermelhos
Entre teus cabelos dourados

Quero amarrar os meus sonhos
Às tranças charmosas longínquas
Dos teus cabelos dourados

Quero desnudar os teus seios
Camuflados pela orla rosada
Sob os teus cabelos dourados

E quando molhar seca-los
E quando despentear escová-los
E quando embolar penteá-los
E quando soltos prendê-los
E quando presos solta-los
Cheirosos entre meus dedos

Quero alisar teus cabelos
Imaginando teus pelos
Aloirados macios pequeninos
Encaracolados
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PECADOS

           Paulo Sérgio Rosseto

Eu no princípio
Pouco antes do merecedor descanso
Recobri o planeta de verdes horizontes

Então Deus desarvorado
Achando que o que fiz ser bom porém exagero
Empenhou-se nas intermitentes derrubadas
Abrindo incríveis clareiras por toda a terra
Dividindo continentes em países e estados
Alqueires em cidades e quintais em terreiros 

E vendo Ele as glebas nuas e cinzas das queimadas
Espalhou gramíneas e bois nas grandes paragens
Canaviais pelo meio das matas desoladas
Milho soja algodão café e o nada nas imensas aragens
Eucaliptos em quantidade modificando as paisagens
Asfalto e concreto sem controle e piedade
Justificando abastecer a usura dos mercados

Agora me acorda Ele 
Implorando restituir o antigamente...
Oh senhor meu Deus agora é tarde
Vire-se com seus pecados!

@psrosseto

183

SOU EU

Todo dia ando
Perdidamente em busca de mim
Porque sei que buscando-me
Nesta incessante aventura
Arrisco encontra-la
Em minha procura

Será bonito vê-la íntima
Generosa infinita
Gerando uma estrela

Bonita tua silhueta
Bela o que à vida estás trazendo
 
O mundo te aguarda
Mas silenciosamente sou eu
Quem te busca aguarda e espera
195

PRECISO IR CONTIGO

Preciso ir contigo
A qualquer lugar que nos caiba

Aonde a gente saiba devagarinho passar
Sobre as bem-vindas ondas das horas
Passear por amareladas alas de sol
Ouvindo os apelos de qualquer lugar
Sentir as moléculas da alma fresquinha
Respingarem bailando alegres em névoas e bolhas
Alisando a saudade pelas pernas

Quero simplesmente e de verdade
Passear de mãos dadas agora
Aonde a gente vá e volte
Muito além dos sustos das superfícies
E juntos na emoção amiga do afeto

Que dentro ou fora esse passeio seja imenso
Que juntos seja pleno
E perfeito enquanto intenso
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SUTIL

Sou tão lascivo quanto pressupunha
O sentimento do sutil amor que insiste
Em tornar-me ausente por ser volúvel
E libidinoso sendo ser por si inconsistente

Nem triste enquanto sonhador inveterado
Nem apavorado pela impossibilidade
Em não saber esperar o tempo reverso
Quando de amar em vão tenha me curado

Sei que ser poeta é estar só entre escolhas
Se livre entre pensamentos sem juízo
Escravo das vontades levianas diferentes

Sou essa releitura misturada de aprendiz
Brincando sério com amores aparentes
Inconformado das escolhas como amante
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MEUS GRANDES AMIGOS

Meus grandes amigos
No entorno do esquife certamente mentirão
Aos anjos:

- Deveria ele ter estado mais à mesa
Ter tido mais apego à avareza
Ainda mais parceiro da luxuria
Vivido com um pouco mais de raiva
Ter sido além com a inveja
Desfrutado melhor do ócio e da preguiça
E mais parceiro da soberba

Então dissimulado e sem pecado
Permanecerei passivo absorto
Sem esboçar sequer um sorriso
Fazendo-lhes cara de morto
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INTENSO

Nosso coração é pulsante sobrado
Dividido em dois pavimentos
Interligados por degraus assimétricos
De uma escada pensa
Onde nossos espíritos habitam
Cercados de intensidades

Pelo térreo se espalham, cozinham
Trabalham, produzem, descansam
Junto aos alicerces e raízes
Do quintal florido murado

E lá por cima
Do assoalho e sobre a cama
Amam, sonham, meditam, repousam
Reservando às janelas da alma
Os valores que nossas vidas compensam

Por isso vivemos apaixonados
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DESENHOS

Embora  raie  o  dia  nos  tons  da  íris
Por  vezes  não  enxergo
A  cor  maior  que  azuleja
O  matiz  do  firmamento

Claro  azul  do  jeans  nos  retratos  das  estrelas
Azul  ainda  verde  e  maduro  da  fruta
Raios  do  fogo  do  momento  da  boreal  aurora

Imagine  fossem  também  azuis
O  rude  asfalto  e  as  rampas  dos  telhados
A  noite  azul  escura  refletiria  surreais  desenhos
E  a  neve  azul  em  lava  escorreria  exata  pela  terra

Seriam  ainda  azuis  os  reflexos
Dos  meus  sonhos
Nos  ciscos  dos  teus  olhos
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Comentários (2)

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Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques

quantas verdades com perfeição!

Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava. 
      A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
      Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
      Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE. 

LIVROS RECENTES: 

CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021

Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.