pauloferraz

pauloferraz

n. 1971 BR BR

Baiano, advogado, funcionário público, poeta, cristão, conservador e liberal

n. 1971-08-16, Cândido Sales - BA

Perfil
2 416 Visualizações

Sem Saída


Sem Saída

Paulo Ferraz de Oliveira


Ficou um ar sem vida, um céu sem cor;
Ficou um gosto sem gosto, um cheiro de tristeza.
Ficou um sorriso sem graça, uma desgraça sem culpa;
Ficou uma fraqueza sem queda, uma queda sem dor.
Ficou uma dor sem doença, uma doença sem cura;
Ficou uma ânsia sem resposta, uma resposta sem nexo.

Ficou o nada, sobre o tudo do meu amor.

Ficou a flor me olhando assustada,
Temerosa de que eu a matasse.
Ficou aquela lágrima indefesa sem ter um abrigo pra se esconder;
Ficou aquela noite perdida no tempo,
Ficou aquele tempo perdido no nosso mundo.
Ficou um mundo de breves encantamentos,
Ficou o encanto de eternos momentos.

Ficou aquele vento enamorado que se recusa a ir embora,
Ficou um coração em pânico sem tuas doces carícias de outrora.
Ficou o paraíso utópico, nos sonhos da madrugada;
Ficou a madrugada fria, nos pesadelos da saudade.

Ficou uma saudade, sem saída.

Ficou tudo que deixastes em mim
Como as estrelas que tu vês nos céus.
Elas aparecem radiantes no crepúsculo, enfeitando a noite,
Para despedirem-se do mundo logo depois, no alvorecer.

Assim ficastes em meu mundo.

Porque na vida tem coisas que não chegam e nem partem,
Apenas ficam.
Como a esperança inesperada,
Como a chance desperdiçada,
Como a mensagem que foi perdida,
Como teus olhos ficaram em minha vida.
Ler poema completo
Biografia
Paulo Ferraz de Oliveira, nasceu em Cândido Sales-BA, em 1971
Formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 2003.
Advogado, Funcionário Público e Poeta

Poemas

2

NAS ESTRELAS


Oh estrelas líricas, esferas de fogo
Outrora eu as sustentava em meus braços adormecidos,
Debruçados numa janela.
Mãos fechadas como que guardando o segredo do universo,
O céu me abria uma passarela,
Os sonhos alagando a lua com correntes, vendavais;
O frio cortante da saudade dela
A escuridão da noite, em silêncio
Acariciava-me feito os negros cabelos da morena
A formosura pintada em aquarela.

Oh estrelas que agora me olham fulgurantes
Reluz no teu céu chamas sem fumaça
Raios presos naquela noite teatral.
Hoje, brilham como jamais brilharam antes
Mas brilham menos que os olhos da morena
Quando me olhava celebrando a essência do amor
No relevo do seu corpo arquitetônico
Repousava a doçura de um reino encantador

Oh estrelas, não vão agora
Contemplem um pouco mais a ânsia dos corações perdidos,
E veja o encanto dela flutuar em meus braços,
E atracar em meu beijo, como um barco perdido que encontra o porto.
Resgatando meu desejo, colando meus pedaços

Oh estrelas, ainda vos invoco em última estrofe
Para que sejais testemunhas eternas das nossas frases de amor.
E se o amor se acabar, que esta noite jamais se acabe,
E que este brilho ultrapasse toda a vida com seu resplendor.
365

Por Falar em Amor

Queria te dizer coisas banais,
Tudo aquilo que dizem para as belas mulheres.

Queria te ouvir me dizer frases garbosas,
Tudo aquilo que dizem para os artistas de novelas.
Todos os caprichos que as estrelas têm nos lábios,
Tantas loucuras e fantasias
Todas são tão vazias.

Você nada me disse,
Você não era simplesmente mulher...
Era uma forma de expressão do próprio amor,
Era a complexidade linda de uma flor.

Você era a arte pacífica da natureza
Se refugiando no acalanto íntimo do seu vazio,
Diante da selva atemorizante dos homens,
Numa fuga incompreensível buscando sufocar a agonia.
A agonia da sensibilidade do seu puro coração.

Você era a filosofia da paz, a lógica da solidão.
A estranha sensação de estar presa em sua própria liberdade.

E por isso...
Nada me disse...

Eu não pude te dizer,
Nem com as palavras mais dramáticas,
Nem com o silêncio mais agudo,
nem com o beijo mais amável,
Nem com o olhar mais profundo,
Eu não pude te dizer...

Talvez na lua ou no céu estrelado,
Ou mesmo nos teus doces sonhos,
Você ouça uma vóz lúcida e grave como um trovão,
Algo assim extremamente misterioso,
Como são os mistérios perdidos do coração.

Talvez no crepúsculo de uma longa tarde,
Ou na calma silenciosa da manhã,
Você ouça eu te dizer.
Ou ainda em qualquer lugar que ouvir falar de amor,
Você ouça eu te dizer...
482

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.