Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Na miragem desértica, a ausência de tua alva nuvem em minhas noites vazias e taciturnas;
no leito solitário, a ausência de teu corpo em minhas inércias carrancudas;
na mente demente, a constante chuva a inundar-me as ilusórias horas mortas e as excitadas luzes dos néons:
e tudo o mais, misturado com faustos e falsos sabores de infinitos, por onde (antes de te perder)
me escorri, ensandeci-me e me enferrujei assim, tão enlaivecidamente fecundo, com minhas asas inválidas, com minhas peles queimadas e com minhas merdas defecadas pedras afiadas.
139
UM AMOR DE GUERRA
... ó loucura incógnita, atravessei estrelas e enfrentei deuses humanos que fabricaste como vindos de paraísos longínquos,
encarei monstros e terríveis sombras para ver se nos achava alguma luz no fim do túnel,
suportei pesos, culpas ao caminho em que te puseste a andar comigo fedendo a porras e enxofres,
aceitei teu paradoxo e tua crise existencial, advindos de labirintos escuros de tua infância perdida,
procurei pelo caminho menos espinhoso para alívio teu, muitas vezes silenciando-me com minhas angústias e dores:
quando o ópio se misturou completamente com o perfume da flor, já era tarde demais,
já habitávamos o limbo, com trajeto certo para precipício final.
191
EU ESTAVA CHEIO DE VAZIOS TRISTES!
Quando me encontraste ao deserto, sentia-me com o coração vazio e com a alma cheia de vazios e nadas;
hoje, os fantasmas continuam em minha mente, a vigiarem a hora de minha partida definitivo,
algumas mariposas ainda derramam escondidamente um pouco de lágrimas e ferozes anjos inimigos confabulam escondidos negras pragas,
mas já não me sinto tão só qusando teu olhar me rodeia, quando tua boca me beija,
quando acendes uma vela em minha escuridão espessa ou quando me leva, para me amar, ao teu desejoso leito!
139
O CAMINHO DE UMA LÁGRIMA
Quando chegar a hora,
quero me escorrer em teu rosto nuvem
como uma chuva incontida
de lágrimas,
descer pelo teu peito
desnudo, invadir tua alvecida alma
e me morrer ao
teu lado.
191
OS DIAS SE TORNARAM MAIS FRIOS
... meu eu psíquico rechaxa espelhos que me são apontados com a finalidade de se me mostrarem reflexos de quem os segura;
sou meu próprio equívoco, sou meu próprio devaneio, sou meu próprio céu e inferno, sou minhas próprias abstrações, ou minha própria marginalização e sou meu próprio carrasco;
vingo-me de mim mesmo morando ao deserto e me afastando de vossas sublimidades embaçadas, metafóricas e tortas.
81
AMORES LÍQUIDOS
... o cão se interna por um longo período, para químio e uma puristana que se acha boa liga a ele para apoiar, pedindo sexo telefônico ou virtual;
outra amante, a chamada Lilith, liga para dizer que enfrentam a mesma doença e lhe conta estórias de seus namorados e putos com quem traiu o esposo corno;
uma nuvem, em quem ele cria no amor, liga e ele liga a ela como a última esperança de morrer simplesmente como um homem;
ao retornar para casa, é recebido com cobranças, jugos e ferradas por comentários feitos em suas poesias.
E eu fico pensando como são bons os anjos, que vivem a refletir suas alvíssimas almas às negras sombras dos piores e devaneados cães.
211
A SENCIÊNCIA SAPIENS É SUA MAIOR PRISÃO
... é verdade que a visão da liberdade pelo homem é a confirmação inconsciente da própria prisão em que se encontra,
ou seja, é a negação da própria liberdade por não mais conseguir perceber, desde formada a abnomalia, o que for a da grande barreira continua naturalmente a ser inaurugurado;
e entenda a barreira exatamente como o infinito poder de ver e de imaginar no ser desenvolvido com a senciente evolução.
E nem vou me adentrar na explicação da fonte, mas filósofos, pensadores e cientistas não vos esqueceis de que o Cosmo
Não sabe de nós nem de nossas insignificantes e paradoxais redemolações de tudo que houve, há e haverá
no inexplicável mundo da quântica, do ocaso e das infinitas possibilidades.
138
OS LADRÕES DE SONHOS!
O sol cai a pique, logo após a chuva de verão que amolhaçou a terra ressequida,
e eu aproveito uma vez mais para plantar, escondidamente,
algumas sementes, na tênue esperança de que não sejam vistas pelas legiões famintas das formigas.
106
ASSIM DIZ O NIILISTA!
Por que ainda sonhas tanto com os reluzentes voos dos anjos,
com a vigorosa força dos mitos e lendas e com as promessas dos homens?
Porventura, já não conheces o suficiente de tudo que há à vã estrada?
Antes, anda e apressa-te sem olhares muito para os lados, mova a terra e dela os vermes,
transita as sombras com coragem e evita a exagerada exposição às luzes artificiais;
evita também e, sobretudo, as pedras.
Ah, as pedras, essas estão por toda parte, mas - mesmo assim - nunca pares,
carrega tua cruz por entre os anjos, os mitos, as lendas os homens, os vermes e as pedras.
210
OS CAÇADORES
Caçadores caçam ovelhas, cães caçam puritanos para devorarem com seus dentes e com seus paus agudos,
até os canálios celibatários caçam templos para se satisfazerem, insanamente, escondidos;
mas quem mais exercita o exercício da caça são os anjos que, com o exercício da palavra volátil,
esperam tempos e tempos a fio, como lhes convém na perfeição do intento, aguardando que a vítima lhes creiam
e, sem dar um disparo, se dirijam ao abate para seu próprio ninho!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*