Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... como pode dizer a todo momento "Eu te amo" e depois dizerem que nem sabem o que venha a ser o amor?
Como podem, na hora do sexo e da putaria, dizerem "vai, mais, meu amor", e não saberem o que venha a ser o amor?
Como pode, de repente, num momento alucinado, arriscar tudo por umas trepadas,
e perdendo tudo depois, por um suposto amor, se não sabe nem o que venha a ser o amor?
Como não sabem que a primeira condição para saberem se realmente amam alguém é exatamente amá-lo,
para não se confundir, seja voando nos céus, navegando nos mares, andando pelas largas avenidas ou tendo excelentes e intensos orgasmos numa cama?
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ETERNIDADE
... eternidade não existe no sentido físico de que falam para o sapiens,
uma vez que este deixará, um dia, de existir jogado no meio das coisas;
portando é bom estar atento e saber que a única eternidade possível para o ser
é a do momento em que ele sonha, em que ele ama, em que ele deseja e em que ele leva para a cama!
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ETERNIDADE
... eternidade não existe no sentido físico de que falam para o sapiens,
uma vez que este deixará, um dia, de existir jogado no meio das coisas;
portando é bom estar atento e saber que a única eternidade possível para o ser
é a do momento em que ele sonha, em que ele ama, em que ele deseja e em que ele leva para a cama!
141
AMOR VERDADEIRO
... posso não saber o que seja um amor verdadeiro,
mas sei bem que nunca te deixei, quando de mim precisaste, na mão,
e eu sei pelo menos o que certamente não possa ser condiderado um amor verdadeiro:
aquele que se diz apaixonado e capaz de tudo pelo ser amado e, em vez de ajudá-lo, trata-o com imperioso e inquisitor verbo volátil;
aquele que se diz apaixonado e maltrada, e desconfia e afronta o ser amado por ele escrever poesias com abertas asas,
confundindo a arte da imaginação e da composição com algo que pensa lhe ferir, sem perceber que está caindo é pelo próprio ego;
aquele que se diz apaixonado e fala "Te amo", "Te amarei sempre", "Sou eternamente sua e pode contar comigo, meu amor"
e no primeiro aperto ou relâmpago covardemente abandona o ser armado jogando-lhe, como se já não fosse demasiado o fardo que ele carrega, mais dor e cansaço!
145
DESÍGNIOS
Por que me lês a caminhar em ebriedade inóspita, se, assim como minhas tormentas de outrora, ao contemplar teus estouvados e arguciosos voos, poder-te-iam evitar tantas quedas recorrentes; os versos tristes que salivo de meu retiro ermo poder-te-ão sedimentar dores lancinantes nos pensamentos que se perdem entre um, e outro, e inúmeros reinos que inventaste em enlaces inexequíveis entre tantas lendas? Contempla, então, o meu vagar entre areias estéreis, porque, de tudo que dizias do fausto fecundador de sonhos, o improvável se tornou inevitável em meu veio ressequido, sem que possas sentir a solidão nua em que naufrago. Mas eis que, para teu alívio em leitos nobres e para tua liberdade em horizontes argamassados, melodio, de meu desterro, uma triste oração que a Brisa te segredará em alguma madrugada insone: "Ó grande reino de ébrios enlaces em quimeras insanas contra o qual ainda me debato em invencível compêndio, não espalheis mais sonhos incautos em meus céus acinzentados para que eu não os desdenhe em esquálida descrença. Ó grande ego senciente, implacável e degenerado, como a inocência outrora perdida, mortificas-te em mim para que não me volte ao conforto das flores de alvas pétalas nem aos confrontos com os magníficos menestréis do mundo. Ó regozijadores de todos os tempos e adventos, mantende-vos longe de minha retirada paz no deserto para que não vos exponha os intrínsecos espúrios com o bruto ceticismo me assola em enferma resignação. E, por fim, ó poderoso deus da flor de inverno, cuida de tua filha à qual vi caminhar perdida. E afasta-a de mim, que conheço dela os maculados segredos, pois aprisioná-la-ia em minha alma entenebrecida e amá-la-ia em plena e dolorosa eternidade!"
252
O QUE POSSO FAZER?
... nem comer bocetas
tira essa dor tão acentuada!"
... lembrar de ti é dolorido, sonhar contigo é horrível, lembrar-me de ti é extremamente angustiante,
eu eu sinto, após tanto tempo, que estou mesmo completamente ferrado,
porque contigo o esquecimento é impossível!
134
O QUE ESTÁ OLHANDO?
"... por que
você está olhando, porque não vem
deitar?"
perguntou-me ela, com sua linda calcinha enfiada no cu, após darmos umas baitas trepadas;
"Não querida, podes dormir tranquila, eu só estou reparando
como, tão diferentemente dos dias em que tu andas, voas e trepas nos duros paus da vida,
tu te pareces tão angelicalmente pura descansando assim!
139
AINDA QUERO ALGO, MAS ELE NÃO EXISTE
... confesso que eu ainda quero algumas coisas, sabe?
Mas como o que quero inclui a pureza emu ma beldade que sempre sonhei,
sinto que tenho, cada vez mais que me isolar no deserto e na ilha,
porque só tenho visto pela minha frente e nesta minha casa, quando passam a voar lendo o que escrevo,
meretrizes, bruxas que cozinham em caldeirões de porras e demônias, louca e ninfomaníacas
mascaradas de nobilíssimos anjos!
132
CORTINAS FECHADAS
... ela partiu há exatamente um ano, e ainda faz frio;
a rua não é mais iluminada, a rua em que andávamos já nem mais existe,
nem o céu em que voávamos, nem o mar em que navegávamos, nem a cama em que nos amávamos;
ainda assim manteno ao frigidíssimo inverno até que, solitaria, ela se congeal e tudo se me escureça como ocorreu com ela!
170
SÓ CONHEÇO ESSE TIPO DE LUZES
... em noites escuras e mórbidas como a que, há tanto tempo, tem sido a minha,
luzes só entram em fiampos pelas frestas;
e mesmo assim carregam em si, o terrível fedor que vem de for a:
suores, excrementos diversos e fétidas porras dos resíduos de suas sujas bocas!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*