Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... quando a tarde se inclina em obediência à noite,
é que os anjos que semeava luzes durante o dia
escondem, aos becos, cantos e quartos escuros,
suas verdadeiraa faces junto a outros anjos que, também durante o dia, galoparam luzes;
com sua mente já meio tresloucada e com seu rijo garlho em chamas, é também neste momento de sombras dominantes
que o cão veste suas melhores e mais eficazes mascaras!
155
O SAL DO SER!
... e algo que se deneminou de ser, surgiu;
e depois que surgiumos tudo se tornou inexoravelmente,
por desconhecida condenação,
fruto da mente humana!
188
ATÉ A MAIS SUBLIME DAS CRIAÇÕES SERVE O HOMEM?
À imagem e semelhança somos, dizem
de um deus que não poderia ser senão fruto
da abnormal aberração da mente humana.
191
A INQUILINA
... a certa altura (após longo tempo ausentes) perguntou ela, dramática e embuscadamente:
"Eu só queria saber qual a razão de você não falar mais comigo";
"... porque és como aquela mulher [da qual não contou o mito] ainda mais bela que Helena,
que quis servir - honrada e lealmente - a Tróia, copulando escondida com promíscuos aqueus!",
respondeu-lhe ainda chovendo e trovejando ele.
150
O ERRO
O ser humano, ao que chamo sapiens, não deveria avaliar conjecturas, possibilidades
e, sobretudo, erros sobre as coisas ou sobres os daseins que entre elas foram jogados:
o sapiens devia já ter tido a percepção e a certeza de que,
de tudo que há e possa haver no Universo, ele é o único erro!
191
HORA VAZIA XX
Em que época soube o ser realmente sobre a composição da matéria,
sobre a essência da seiva divina ou cosmológica,
sobre a existência ou não de um nihil, ou de um tudo ou de um nada?
Quem conhece os pensamentos deste niilista para que embutam nele títulos de pagão, de falso ou de moralista do vazio?
Eu poderia escrever muito mais das ilusão de vossas bíblicas leituras, de vossas religiões inventadas para inconscientes autoproteções,
de vossos instintos ligados à id, animalescos, que vos põe em constantes xeques quando ao desejo, uma vez que demasiado e descontroladamente disparados vos tornam assassinos
e que, uma vez pouco ou controladamente forçados vos tornam brochas.
Eu poderia vos garantir que o nada não existe, pois só existe a quântica possibilidade flutuante do 1, sendo que o 0 é a subjetivação paradoxal do 1;
eu poderia vos mostrar que Deus não tem fundamento humano e que as estórias que contam têm cunho mitológico e infantil;
mas eu vou me restringir a dizer que tudo agora, acima, abaixo, ao lado, no outro lado do Cosmo, ao inferno
ou onde seja que imaginarmos se tornou abnormal e insoluvelmente humano!
171
HORA VAZIA XIX
Cruzei o deserto mais solitário, enfrentei o inverno mais rígido, adentrei a noite mais densa,
enfrentei os monstros os deuses mais poderosos,
cruzei mares e oceanos ácidos, deparei-me com a morte por várias vezes, sempre te procurando e clamando por teu nome,
tudo para que, no momento em que te achei ali descansando naquele silente e branco leito esplêndido,
e, quando me aproximar para de ti me despedir antes de tua eterna partida, impediram-me com veemência acusando-me de ser o responsavel pelo mal que te acometeu
e condenando-me a jamais ver de perto esses lindos olhos e a continuar te amando como sempre fizemos:
com projeções além, muito além, da visão e da luz e da lua dos homens!
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SOU APENAS O TEU INALCANSÁVEL CARRASCO!
... porque se eu fosse mesmo suas chuvas de fogo, como te fugirias,
se é com as águas verborrágicas que, incautamente, irrigas teus sonhos, teus devaneios e tuas confabulações em tão férteis e figurados arrebóis?
E se eu fosse mesmo a tua noite, como te fugirias, se é das sombras soturnas que te projetas esperanças em novos, sublimados e vãos alvoreceres, com tuas cegas retinas
e compões teus poemas e tuar pseudoardes as extáticas dores de parto que te ofereço?
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HORA VAZIA XVIII
No silêncio da noite, ao aroma da dama-da-noite que inebria, com seu sedutor perfume, a escura brisa,
espero-te, solitariamente entre uma imaginação e outra, entre um suspiro e outro, a imaginar a elegância de tuas pétalas e a sinuosidade de teu corpo,
para que realizemos, uma vez mais nosso ato de amor em segredo, somente sob o brilho do distante olhar das estrelas!
179
HORA VAZIA XVII
... entre amores, desejos e vaidades humanas,
entre as luzes em que se apresentam em seus magníficos palcos
entre as sombras onde confabulam, tramam, fodem e traem escondiamente
ou entremeio a tudo que sapiens, deles sendo semelhante,
não sou exigente, contentando-me apenas com braços presents, olhares cruzados, uma trepada na noite calada,
alguma saudade amarga, alguma paixão que me faça esquecer o grande naufrágio e, quem sabe, um poema pelo menos que me baste até o fim do caminho, e mais nada!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*