PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
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FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
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Poemas

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AMARGAS ILUSÕES

Não chorem pelo que não somos na terra desconhecida, Nem pelo que almejamos ser em alma posta na carne, em egos translúcidos que se deleitam com imagens magníficas, contidas nas seduções e nos delírios do grande cenário abismal.

Foi assim me perdi ao ousar caminhar sem pisar o chão ressequido, pavimentado com espinhos invisíveis, caídos de frágeis sonhos suspensos no ar, incapazes de alimentar seres estranhos com espíritos mumificados que nele habitam, Sob a falsa luz que esconde infalivelmente a noite interior, a consumir canibalisticamente das próprias entranhas, quando se movem durante o dia, entre os aromas das flores e os suaves toques do vento, sem que se percebam que as flores são gélidas e que o vento é traiçoeiro.

Não me lembro quando percebi que o mundo se esconde atrás dos rostos de tantos protagonistas, Atuando incessantemente na imensidade à qual se centram e fazendo-me quedar diante da vulnerabilidade do olhar, posto nos corpos nus e nas mentes contrastantes das multidões que se desvencilham dos espinhos mortificados pela planície, em busca do ponto de equilíbrio inexistente no mar de sentimentos invasores.

Ânsias e vômitos desvendados, máscaras e faces expostas sem que se possam distinguir entre uma e outra, deuses criados para salvação do que já predestinadamente está salvo, e demônios criados para a condenação do que já predestinadamente está condenado.

Não sei onde me encontro com o andar suspenso, talvez entre a loucura e a razão. Se tento fugir de retalhos de tempos e vidas irrecuperáveis ou se fico em dor e lamento. Se tento me soerguer para a queda certa, ou se me abandono prostrado à angústia. Se busco a liberdade nascituramente condenada, ou se me deixo escravo da tragédia.

Sei apenas que ousei romper num momento perdido, incapaz e sem sentidos, extremos de meu ser contido, nos mesmos caminhos irreconhecíveis agora atacados por minha loucura assentada, onde também sou prisioneiro nos limites em que se encontra o olhar de minha face.
170

DESNUDEZ

Choveu o céu cristais de gelo nunca antes vistos quando a grande angústia alcançou nuvens horizontais que pairavam escondendo, em sua moldura azul, todo o infinito condenado em suas estranhas frialdades.

Desnudou-se-me a imensidade em vultos frios e mortais. E da terra umedecida pela chuva abismal percebi que minhas frágeis asas, oníricas e desvairadas, convergiam-se em um manto estranho e mortal para, depois, desaparecerem-se com a minha nudez tantas vezes escondida.

Vi-me então como jamais antes me fora visto de meus esconderijos. E grande temor se me apossou com as muralhas destruídas que tantas vezes abrigaram mundos em atuações incompreendidas.

Foi então que percebi que o céu, e o além- dele, e o tudo que há nada mais fora ou venha a ser que o nada que me habita em imagens falsificadas.

Desnudei-me enfim e, no cansaço e dor extrema da queda fatídica, vieram beber de minhas entranhas expostas todos os anjos mascarados de alvo branco, e todos os demônios assumidos em seus delírios, e todos os demais seres bizarros na multidão ainda de mim desconhecida, deixando-me espalhado macabramente, sem essência alguma, numa fina névoa de poeira, sombriamente oculta em teus semblantes.
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CALVO MAR

... não tens
nada com o que te preocupares,
realmente;

como
cão niilista, a única coisa
que eu poderia
fazer

é te desprover
dessa sua fausta realiza
e te comer como uma puta
dourada!
259

OI, ESPELHO!

... minha vara
não é diferente de tua
barca;

assim como
ela navegou com tantas velas
e mastros,

a minha
caiu em tantos buracos,

que, como tu,
não sei mais diferenciar,
um céu, um sonho, um mar
ou uma privada!
138

XANAS SÃO SÓ A METADE DO NEGÓCIO. É PRECISO TAMBÉM UMA MENTE CAPAZ!

... o desejo
ocupa a planície do corpo,
o gemido da boca, os fogos
em descontrolados
gozos,

isso é bom,
isso é delicioso,
isso é mais que demais;

mas, infelizmente,
não contempla o todo, nem as ciências
e as delícias do mal e dos abismos
insossos,

que nos
provoquem as verdadeiras
dores do amor e da parturiente
em literários fogos
142

A CÉZAR O QUE É DE CÉZAR

... teus
olhos, teus peitos
e tua vulva

muitos já viram;
e eu já vi muitos olhos, peitos
e vulvas como e até
melhores que
as tuas;

a questão,
baby, é que acho que ninguém,
além de mim, viu o mais fundo
de teus fundos,

onde carregas,
ocultamente, as zonas mais
absortas e loucas de tuas
sombras!
223

LILITH PERDIDA

... parece
que já não é mais
dos picos que olhas as coisas
do mundo;

parece
que realmente perdeste
o sentido da ilha

e da reflexão,
ao dançares tanto nas picas
do chão!
173

POR UMA NOITE

Não fales alto:
depois de tanto tempo em chuvas,
acabamos de fazer amor

- se olhares pela janela,
verás que as estrelas ainda
estão gozando,

tremeluzidamente -

e necessitamos paz,
pelo menos nesta noite;

deixa, pois, todo o resto,
e sussurremos somente coisas
que nos alivie a dor.
140

MORREREI, MAS NÃO MATARÃO MINHA SOMBRA!

Anjos,
anjinhos
sapiens anjinhos como eu,

paralisaram
meus sonhos mais sublimes,
detonaram minhas esperanças
mais firmes,

beberam
de meu suor, de meu sangue
e de meu sêmem derramado em estranhos êxtases
nos gloriosos campos e nos brancos
leitos da terra;

e tais como eu
foram-se morrendo entre erros,
tropeços e autovenenos injetados com imagens
de toda orden, como eu!
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ATÉ O MAIOR DOS AMORES E A MAIOR DAS DORES SÃO VAIDADE

Até na dor
mentimos para nos amparar,
de alguma forma,
a nós mesmos;

por exemplo,
se digo que me dói (dela)
a saudade e a solidão que ela
deixou,

não estaria eu
a cometer a mais soberba das vaidades
por amá-la ainda desse modo,

sem que ela,
por passagem de morte e por não
ter mais escolha, exercer
o mesmo direito?
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Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!