EXTRAVIADOS
... o que nos sobra, além das espessas e espinhosas matas fechadas, quando nos perdemos em meio a nossa própria floresta: estranha e obscuramente volatilizada?
ANGELUS
Não, não me esqueço de quando mãe me dizia, toda sorridente: sim, filho, os anjos existem e são seres muito bons, e são feitos de plena luz; e eu, intrigado, sempre os procurava por entre os néons da cidade, sem, contudo, jamais os ter encontrado.
INEVITÁVEL DESTINO III
... de novo eles (sempre, sempre, sempre eles): os semelhantes e superbíssimos filhos de Deus, que vivem a querer voar cada vez mais alto, escondendo algo (vestidamente) entalado nos rabos!
INEVITÁVEL DESTINO II
Um menino sonha puerilmente e vive a dizer que, quando crescer, vai ser um jogador de futebol; uma mulher sonha acordada e vive a dizer que, um dia, ainda quer conhecer o grande e eterno amor de sua vida; um poeta sonha, na ponta da esferográfica, coisas parecidas; anjos não sonham, festejam em delírios suas alvíssimas limpidezes, seguros de não correrem riscos [de se perderem por entre os descaminhos do mundo]; algum demônio indefeso tenta fugir de seu tênebro reflexo, abrigando-se às próprias sombras dolorosamente inalienáveis: tudo e todos, de alguma forma, sonham ou se mexem (a seus aprazeres ou a seus alívios) pelos caminhos e descaminhos desta vida, em meio a atuações esplendidamente bem executadas, a concupiscências febrilmente ejaculadas e a conspirações (por todo lado) escondida e covardemente, maquinadas.
INEVITÁVEL DESTINO
Um dia, e isso é um fato (graças a Deus) realmente inexorável, ninguém mais irá sequer se lembrar ou (pior) sequer ter algum resquício memorial mínimo de que [sob o invisível manto do apagamento] já existiu, em faustas, soberbas e dissimuladas atuações, esse vão e vil ser.
SER INSUFICIENTE A SI MESMO
... já não bastam as fantasias bastardas, já não bastam os sonhos idealizados e depois naufragados, ja não bastam as porras derramadas, já não bastasm as apresentações aos teatros, nem os muros, nem as grades mais espessas bastam mais a algo: este é o ponto-chave, o lugar de onde o sapiens faz suas escolhas ruminadas!
ESPERAS
... sempre esperei pelos voos dos belos e nobres pássaros, pelos sonhos dos anjos sublimados, pela linda virgem nunca tocada, pela quimera que coubesse em minha casa, pelos perdões dos deuses idolatrados, pelo infinito que coubesse em minhas pequenas polegadas: agora, com a vela quase se apagando, espero pelo último trem, e mais nada!
MISSAS E PROCISSÕES
... conta-me da missa, da missa sapiens, da missa que supões que eu não entenda ou não conheça; alivias-te, enquanto ainda és imensidão em matéria: do ser, o cão saiba mais provavelmente das sombras imanentes do que o que ele, em luzes vocálicas, projeta!
CADA MOMENTO NOS É URGENTE
Ainda há de nos haver um tempo mínimo de paz e de amor, abaixo da lua plantada acima na escuridão; e nesse tempo, quero aproveitar o máximo para pegar em tua mão e te levar comigo para um belo sonho, e lá te araçar, beijar-te, aspirar o cheiro de teu corpo, de teu perfume e de tua perfeita xana e chegar ao delírio quantas vezes eu conseguir sentindo o doce mel que te ti emana em minha boca e em minha haste, ao mesmo tempo em que toco teus seios, em dulcíssimos pecados, com tesão ora com a boca, ora com a intensidade de minha carne e com a volúpia e a insaciável fome de minha negra alma!
A VIRGINDADE UNIVERSAL NÃO PODE MAIS SER CONTEMPLADA PELO SER
... sim, foram as sombras, (com seus receios e medos, com suas angústias e dores, e com suas ilusões e esperanças silenciadas) que me segredaram sobre a afiada pureza da própria visão perante o turvo reflexo aos espelhos e sobre a dissimulada condição das luminescêncais que emanam do que chamamos de "Ser".
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*