Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Beijos ardentes, mãos ávidas a percorrerem o corpo, bocas a suspirarem desejos, pernas delineadamente sensuais a me prenderem à vulva a rígida haste
- as entregas, os malabarismos, os suores, os afagos, os orgasmos: sem nenhuma contenção, sem nenhuma tentativa de compreensão -;
mas há uma condição que preciso impor tão somente para nossa sobrevivência de asas:
em meio a essa imperiosa tempestade de libidinosos sentidos, deixa o verbo amar no intransitivo.
161
PERDI A COR DA NUVEM!
Perdi a cor da nuvem em que nos abarcamos outrora, agora sei apenas que há um corpo sensual e faminto a andar por aí
- entre mares sedutores, céus promissores e pedras-de-tropeço de todas as cores -
a se inebriar a goles de sonhos, amores e encantos e outros pássaros sapiens,
com suas vesanias às mentes, seus regozijos às bocas e suas extasiantes espumas às genitálias.
Sim, perdi a cor da nuvem em ângulos e caminhos contrários, sem nunca termos conseguido elucidar os mistérios de nossos ventos, chuvas e tempestades.
196
O QUE FAREI AGORA?
Não compreendo isso que me sobrou agora,
é como se o sol tivesse se posto para sempre
e aquele inverno em que nos amamos tivesse me envolvido e tomado conta de todo meu corpo e minha alma;
e o pior de tudo é que eu não sei o que fazer e onde ir agora que tu já não estás em lugar algum à minha espera!
186
BECOS SECRETOS
Por trás daquele olhar negro,
por trás daquele pálido olhar de anjo,
por trás daquele limpíssimo e sensual vestido branco,
por detrás daquelas asas de voos sublimes e longos:
eu vi, e eu senti um desejo tão indevassável,
que sustentaria toda uma legião de demônios!
169
TENS IDEIA DE COMO JÁ TE AMEI?
É magnífica a visão: "tu tomando banho de piscine de top less e com a pequena calcinha enfiada atrrás;
de resto, totalmente nua!
E eu fico dissimuladamente te olhando e pensando no que te dizer ou no que fazer contigo,
vendo a pequena peça te comendo e o sol te lambendo o corpo inteiro:
oferecer-te uma linda canção, um poema dos melhores que já escrevi, um jantas com uma vela em luz
out e amar urgentemente, enquando não chegam os astutos anjos e os famintos lobos!
159
CONSTATAÇÃO!
Tudo sobre ti foi meio fantasia, meio idealismo, meia realidade,
meia verdade, meia mentira, meio conto de fadas,
meio mar, meu céu, meia floresta meio deserto amargo;
sim, tudo sobre ti foi meio dia, meia noite, meia presença, meia ausência, meio júbilo, meio silêncio.
"Vai com cuidado, Thor!", eu me dizia silentemente a mim mesmo: "Tudo nela é meio luz, meio sombra como se ela fosse uma fábrica de sonhos e de bombas!"
167
A VISÃO PARA FORA DA CAVERNA É ABNÔMALA!
Voltar para a caverna,
este é meu inexorável caminho,
que outros façam
da poesia caminhos e destinos
de ilusões e de sonhos,
que outros a façam
de repercussões de imjpulsos
e de desejos ardentes
e excitantes,
que outros a façam
com palavras de amor de suas noites
de glória e insones;
eu, para escrever,
uso a pedra,
a pedra
que constitui o que nunca fui,
ou deixei de ser:
a caverna!
137
OS OLHOS DO DIABO!
SemPre se pode
ver os olhos do diabo, baby,
mas eles nunca são vistos por
outros lados,
mas tão somente
perantes um bom e fiel
espelho!
129
ESPERA MAIS UM POUCO
Espera pelo próximo verão, quem sabe eu ainda não esteja por aqui,
espera mais um natal, mais uma estação, quem sabe o tempo não pára para nos esperar,
espera o próximo trem quem sabe ele virá a tempo de não nos perdermos na lida dura do deserto,
espera pelo frio do ultimo inverno que está por vir, quem sabe não descansamos respirando a morte fria?
152
TEMPOS!
... há tempos em que nos tornamos vazios como um lago seco,
há tempos em que olhamos os céus sem esperanças ou apelos,
há tempos em que nos viramos e nos lembramos de nossa época de criança,
quando passavamos anel nos dedos e o dedo escondido na bunda da menina que se escondia conosco no esconde- -esconde,
há tempos em que conhecemos alguma beldade, apaixonamos e nos casamos e vamos criar nossos filhos;
há também o tempo em que passamos mais tempo na espreguiçadeira e em que tentamos a tudo esquecer para escrever nossas angústias e dores com as sombras da noite!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*