Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Deviam-se se cuidar mais as almas e os corações com os sonhos nuvem, com os amores e ideais inexequíveis e com as esperanças exageradas nas imagens espraiadas por aí.
Sim, deviam-se cuidar mais as almas e os corações com as pedras e lamas aos chãos, com os espinhos de entre flores e folhas e com as adagas escondidas às mãos,
porque, às escolhas erradas, não mais sustentam as póstumas e voláteis palavras; porque, das ilusões antes projetadas, podem restar-lhes - às almas e corações descuidados - tão somente dolorosos, angustiantes e insolúveis descrenças fortificadas aos inexoravelmente secos e rígidos hiatos. RENASCIMENTO INGLÓRIO
Essa noite tive um sonho deveras estranho: havia-me, e a quatro titãs e a meus três filhos, todos a certa distância, entre planícies, montes e estranhos horizontes.
E eu via dos titãs as barcas trincadas, e eles viam-me com as asas machucadas, enquanto as crianças viam-nos admirados sem entenderem a nada.
Aos titãs - dois do gênero masculino e dois do feminino - eu via os olhares de fogo, os corações de pedra, as palavras-pluma lançadas e as mãos a esconderem fios de lâminas afiadas.
E eu lhes queria exterminar as frinchas que sabiam haver, mas que omitiam de suas barcas; e às crianças eu queria recuperar ainda intactas;
enquanto os titãs, com suas crinas inclinadas, suas poses heróicas, suas harpas mágicas e suas soberbias incontroladas, esparramavam imagens tão fascinantes aos mambembes espetáculos em que se apresentavam, que as iam deixando encantadas.
E não sei por quê, ficaram sabendo os titãs que, depois de mais uma vez ao limite provado, eu havia sido poupado do eterno reino apagado;
e, embriagados de ira, quiseram-me provar o maior dos erros e meu pior castigo: minha pequenez e minha morte viva na vã e vil jornada.
De repente, tudo se convulsionou: sobre terras, mares e reinos distantes riscaram os céus com asas ainda puras as crianças;
os titãs, em seguida, pousaram-se um pouco além delas, com suas barcas volantes; e eu me caí um pouco antes, com as asas realmente quebradas.
As crianças, então, ergueram-se puras; os quatro titãs passaram por elas, abreviando-se em dizerem que eu era um ser negro que decaiu em forma humana,
e que, uma vez mais, tinha escapado da ira inflamada dos deuses, os quais esperavam pelo justo acerto de contas;
e seguiram-se em meu rumo, deixando à passagem flores de todas as cores, e cheiros que perturbavam todos os sentidos das águias e das formigas que passassem por perto,
como dos pequenos que se confundiam por entre as florestas que plantaram entre delas a visagem de mim.
Quando apontaram na esquina de entre os tempos e espaços, estava-me soerguido e já de tudo conhecedor do que haviam dito
e feito ao disseminarem suas alvas figuras e seus belos, voláteis e eficazes verbos por entre as searas férteis das senciências e dos desvarios sapiens.
E então, vi quando as crianças iam-se trnando adultas, cada vez mais confusas, a caminharem por entre as flores e as árvores que foram plantadas pelas ruas, passeios e veredas da vida;
e tão confusamente que lhes chamei atenção para dois buracos sob meus braços erguidos, tentando lhes explicar o motivo de minha grande ausência
e lhes mostrar que não era - como lhes disseram os titãs - as minhas disseminações; mas que, como ocorreu comigo,
que se cuidassem, porque pela palavra e pelas ilusões de mitos e lendas criados é que poderiam incorrer as maiores quedas de suas vidas.
Sem ser ouvido, bradei, enfim: "Sou eu, seu pai, meus filhos; sou eu!"; enquanto se riram desdenhando os titãs que já lhes havia envenenado os puros sacrários.
Neste momento, pus-me a olhar a lendária barca, por onde sempre voavam essas criaturas, invertebradamente criadas por homens tão inglórios como eu;
e me caminhei a ela - à barca - com uma ira tal que deixava negro o chão por onde passava.
E me pus a destruí-la e a desmantelava quanto mais se riam os titãs e mais choravam meus filhos pela inconteste prova de minhas imanências abnormais e espúrias,
sem perceber que estava, assim, condenado pelo resto de meus tempos, a lutar e a me prostrar, mesmo na frente dos que mais amo, contra os reflexos avessos de mim mesmo.
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VÁCUO DE MIM
Preciso de uma palavra que não me maldiga,
preciso de um verso para renascer o poema,
preciso de um leito para descansar-me a carne,
preciso de uma esperança para reacender-me a fé,
preciso de um amor para me aliviar da solidão e da dor,
preciso de alguns sonhos para refazer minhas quimeras,
preciso de uma nova sinfonia para apurar-me os ouvidos,
preciso de um porto onde meu barco não naufrague,
preciso de herói que o meu está há muito morto,
preciso de um deus para me amparar a alma naufragada,
preciso de novo par de asas para me livrar das pedras das estradas, preciso, sobretudo e rapidamente, perder esse vácuo de mim.
195
TODO NIILISTA É UM GRANDE MASTURBADOR
187
TU VIESTE MAIS UMA VEZ
242
PUDERA-ME SER UM JARDIM FLORIL!
Que débil tem sido este escorrer-se úmido por entre os campos úberes ___ das imagens paridas;
que estranho tem sido o marulho dos ventos, a carregarem esplêndidas estórias de chamas, de sonhos ___e de lamas;
que cruciante tem sido a dor e a aflição de tentar manter alguma serenidade ___ sincera
na semeadura e na colheita por entre esses caminhos de proeminentes ___ prados e pedras!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*