Lista de Poemas
A TRAIÇÃO É MOUCA, MAS FEDE À MAQUIAGEM OU MÁSCARA POSTAS

... quem semeia
com o verbo água limpa
e bebe
porras sujas e traidoras
escondidas em algum desmundado
leito
não pode
vir a falar do que seja
ou do que não-seja por mais
tempo do que dure os exíguos tragos
de um aceso cigarro!
... e o que anjos próximos não veem,
o cão fareja de muito longe!
124
OS VERMES II
O ser humano
gosta tanto - mas tanto -
da substantivação e da adjetivação
das imagens,
como da obesa
adverbialização de seus verbos
voláteis, que merece
- realmente -
viver em suas
incomensuráveis ilusões,
sempre à imperceptível beira
do vago engano.
gosta tanto - mas tanto -
da substantivação e da adjetivação
das imagens,
como da obesa
adverbialização de seus verbos
voláteis, que merece
- realmente -
viver em suas
incomensuráveis ilusões,
sempre à imperceptível beira
do vago engano.
204
TEMPO IMPREVISTO

... quem
quer o quente verão à praia
deve também se preparar
para os invernos nos
montes,
quem quer
o doce da sobremesa
não deve renegar e primeiro comer
o prato principal,
quem quer
o amor tem que estar preparado
para a dor.
e quem quer voar
tem de saber decolar e aterrizar,
sabendo que, durante
o voo,
pode haver
tempestades, quedas e mortes,
ao chão, de insensatas
ilusões.
250
OS VERMES
"Papai, papai,
o senhor comeu o verme!"
- gritou ele assustado;
"Sh, ah, ah!'
e eu lhe sorri
um sorriso amarelado,
porque ele nem desconfiava
que aquilo era nada,
que duro mesmo
será quando ele crescer e, como o pai,
tiver de lhe dar com vermes
sapienzados.
o senhor comeu o verme!"
- gritou ele assustado;
"Sh, ah, ah!'
e eu lhe sorri
um sorriso amarelado,
porque ele nem desconfiava
que aquilo era nada,
que duro mesmo
será quando ele crescer e, como o pai,
tiver de lhe dar com vermes
sapienzados.
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ALÉM DAS APARÊNCIAS
... como vês,
querida, além das aparências,
sou o elo mais fraco
nessa relação:
és jovem,
és linda,
és pura
e danças,
e amas esplendidamente bem,
como se fosse tua
a eternidade;
enquanto,
apesar de carregar rios profundos
à pele e cruciantes dores
ao coração,
(incapaz de fugir)
danço-te e amo-te, sofridamente,
como se fosse
o último momento
de minha fragilíssima imensidão.
querida, além das aparências,
sou o elo mais fraco
nessa relação:
és jovem,
és linda,
és pura
e danças,
e amas esplendidamente bem,
como se fosse tua
a eternidade;
enquanto,
apesar de carregar rios profundos
à pele e cruciantes dores
ao coração,
(incapaz de fugir)
danço-te e amo-te, sofridamente,
como se fosse
o último momento
de minha fragilíssima imensidão.
217
ENQUANTO ISSO MANTEREI ACESA UMA VELA!
... agora que
tudo à nossa volta se nos calou,
de modo que não podemos mais a nada ouvir
nem ver como se fôssemos
um só,
as flores perderam
as brilhantes cores e os deliciosos
odores,
as estrelas
perderam suas cintilâncias
em minhas escuras e solitárias
noites
and I'm lost here,
feeding me on debris until
the infinite open us
new frontier!
214
EM SOMBRAS

... noite escura,
noite solitária,
noite fria,
somente o murmúrio
dos grilos e dos sapos por entre
as escuras matas,
o silêncio de resto
e mais nada:
e neste eu deserto
que se forma nesta noite:
angústia, saudade, cuciante dor
e mais nada!
271
POR QUE NOSSO AMOR NÃO DEU CERTO?

... o problema
não foi o cão,
não foi a nuvem,
não foi a Lilith,
não foram os canários
nem as andorinhas puristas,
nem foram gostosas putas
tristes,
meu amor,
o problema foi
termos nos encontrado e nos amado
neste esplendoroso mundo cheio de imagens
e de desejos gostosos e fecundos
e, paradoxalmente,
em sonhos, caminhos e leitos que
sempre nos levam a lugar
nenhum!
132
OS VERMES IV
Dizem
ser sublime quando nossas senciências
são direcionadas à paz, ao amor,
à fé e às demais ilusões
do "bem";
digo eu
que é impossível cultivar
com tanto vigor um lado do fulcro acidental,
sem que o outro seja também
- a seu tempo e de igual modo -
emergido à superfície,
e que
mais sublime deva ser
quando atingimos a inexorável e alheia
leveza das pedras, das flores
e das coisas.
ser sublime quando nossas senciências
são direcionadas à paz, ao amor,
à fé e às demais ilusões
do "bem";
digo eu
que é impossível cultivar
com tanto vigor um lado do fulcro acidental,
sem que o outro seja também
- a seu tempo e de igual modo -
emergido à superfície,
e que
mais sublime deva ser
quando atingimos a inexorável e alheia
leveza das pedras, das flores
e das coisas.
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Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!

Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*