PrincipeHenrique

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Ad astra

Nessas nossas conversinhas
De fim de tarde o cafezinho
Exala um éter ígneo
Sentimentos sublimes do norte
condensam-se com massas de ar sulinas
Meus dedos velejaram pelas cálidas
Curvas de seu corpo, células volitivas
E suspiros voluptuosos enchiam o céu
De nosso microcosmo, cubículo
Ínfimo que poderia conter todas as
historia da helade
Mas você era carne, vento e tempestade
Eu, feito de livros, rutílico
Chama azul, fátua ardente
Projetei suas miragens com o calor
Vital de minhas páginas
E teu Saara consumiu meu Sahel
Tua santa orquestra, gentis violinos
Investindo sobre minha lira
De duas notas. Eu via teu arco subir
E descer com a fúria dos sucumbus
Guepardo faminto em Nullabor
Enquanto meus dedos tácitos dedilhavam
Um pérfido ruído, grave onda estupida
Contornava-te, abraçava-te, seguia
Incólume para onde as musicas morrem
Mas não sem antes me olhar, rir o
Riso ébrio dos loucos, dos coringas
Dos que completam sua missão
E se banqueteiam em Vallhala
Então, feito milagre de fim de noite
Nossas frequências se igualaram
Gêmeas idênticas, imaculadas
Eu me ri, ingênuo, e o gênio
me dizia - está tudo bem
E estava. E não estava. E eu pude
Ouvir a ressonância trincar o ar
Solapar minha realidade
Expurgar-me da letargia apaixonada.
Acordei com Schrödinger recintando
Nossos últimos versos
E o ultimo beijo que me deste
Guardei no canto mais lúgubre
De minha memória, onde descansa
O proibido, o inominável
Mar de solidão eterna
Em que Caronte não se a atreve
a entrar, nem Anubis a pesar
...
...
...
E quanto mais eu corria, sem bússola
Mais você me dragava
Tempestade de areia
Sovatava minha pele
O chão fugia
E então eu trespassava Câncer
Caminhando no oceano branco
De ondas eólicas, mutantes
Matéria atômica de sílica
Grãozídeo ínfimos.
Apolo, que nunca me bajulara
Dava-me o sórdido olhar
Dos caçadores, carícias flagélicas
Nublavam-me os olhos
E quando se foi, afastando a
Carruagem dourada, dos
Cavalos alados, anjos
Coyoxauhquil sentou-se
Em seu trono prateado
Apontando com dedos ossudos
O caminho para o seu coração
Vi-te entre as palmeiras
Oasis putrefato, lagoa de enxofre
Fátua bubônica, sarça grega
Vagalume que sou, entrei
Ate o pescoço, toquei seu
Coração sulfídrico, raquítico
Ofídico. Gemi, esfacelei
Balbuciei as ultimas forças
E descarrilhei
no túnel do
tempo
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Poemas

2

Ad astra

Nessas nossas conversinhas
De fim de tarde o cafezinho
Exala um éter ígneo
Sentimentos sublimes do norte
condensam-se com massas de ar sulinas
Meus dedos velejaram pelas cálidas
Curvas de seu corpo, células volitivas
E suspiros voluptuosos enchiam o céu
De nosso microcosmo, cubículo
Ínfimo que poderia conter todas as
historia da helade
Mas você era carne, vento e tempestade
Eu, feito de livros, rutílico
Chama azul, fátua ardente
Projetei suas miragens com o calor
Vital de minhas páginas
E teu Saara consumiu meu Sahel
Tua santa orquestra, gentis violinos
Investindo sobre minha lira
De duas notas. Eu via teu arco subir
E descer com a fúria dos sucumbus
Guepardo faminto em Nullabor
Enquanto meus dedos tácitos dedilhavam
Um pérfido ruído, grave onda estupida
Contornava-te, abraçava-te, seguia
Incólume para onde as musicas morrem
Mas não sem antes me olhar, rir o
Riso ébrio dos loucos, dos coringas
Dos que completam sua missão
E se banqueteiam em Vallhala
Então, feito milagre de fim de noite
Nossas frequências se igualaram
Gêmeas idênticas, imaculadas
Eu me ri, ingênuo, e o gênio
me dizia - está tudo bem
E estava. E não estava. E eu pude
Ouvir a ressonância trincar o ar
Solapar minha realidade
Expurgar-me da letargia apaixonada.
Acordei com Schrödinger recintando
Nossos últimos versos
E o ultimo beijo que me deste
Guardei no canto mais lúgubre
De minha memória, onde descansa
O proibido, o inominável
Mar de solidão eterna
Em que Caronte não se a atreve
a entrar, nem Anubis a pesar
...
...
...
E quanto mais eu corria, sem bússola
Mais você me dragava
Tempestade de areia
Sovatava minha pele
O chão fugia
E então eu trespassava Câncer
Caminhando no oceano branco
De ondas eólicas, mutantes
Matéria atômica de sílica
Grãozídeo ínfimos.
Apolo, que nunca me bajulara
Dava-me o sórdido olhar
Dos caçadores, carícias flagélicas
Nublavam-me os olhos
E quando se foi, afastando a
Carruagem dourada, dos
Cavalos alados, anjos
Coyoxauhquil sentou-se
Em seu trono prateado
Apontando com dedos ossudos
O caminho para o seu coração
Vi-te entre as palmeiras
Oasis putrefato, lagoa de enxofre
Fátua bubônica, sarça grega
Vagalume que sou, entrei
Ate o pescoço, toquei seu
Coração sulfídrico, raquítico
Ofídico. Gemi, esfacelei
Balbuciei as ultimas forças
E descarrilhei
no túnel do
tempo
31

A algum poeta

E como eu palmilhasse vagamente
uma rua desértica
Sem árvores nem cachorros vadios
Apenas a aspereza do asfalto
que exalava o calor excruciante
do infernal sol do meio dia
Uma lata inútil de refrigerante
abandonada em algum momento
entre o muito antes e o agora
Desafiou o ébrio caminho de meus pés,
em um embate nada menos glorioso
que o duelo entre Davi e Golias,
o objeto metálico, com a tinta
já muito desgastada, o corpo
amassado, alumínio inerte retorcido,
Voou heroicamente por alguns metros
posou graciosamente no asfalto
quente, encarando-me como
uma barata prestes a ser comungada
Concentrou todo sua vontade alumínica
e, rezando aos céus,
brilhou os raios solares
diretamente no fundo de minhas
retinas tão pouco fatigadas.
Em um segundo de delírio cego,
como se a luz queimasse minha córnea,
rasgasse o cristalino azul,
atravessasse toda a orbita ocular
e explodisse rutilicamente,
evaporando meu tálamo, uma dor lancinante explodisse minha consciência.
O fim do mundo me engoliu
e eu flutuava entre o nada e o talvez.
Vagando pela escuridão infinita
uma voz tão poderosa quanto a rosa
Ordenou-me ribombante:
-contemple o infinito.
E eu, como um bom filho
Prodigo em todas as minhas crenças
que via a blindagem de
meu espirito decrepito
ruir com o canto das trombetas
e só de mentar a realidade
ruindo sentia-me  como
Europa, voltando nas asas intrépidas
de Dédalo, obedeci.

Acima de mim
o céu estrelado
polvilhado assim
o infinito gelado
tal qual alecrim
no campo galgado
pelo carro alado
do deus carmesim

Dentro de mim
o desejo ardente
Moral decadente
fúria transcendente
ossos descrentes
e dentes beligerantes
vociferando o grito
primal dos desesperados
ávidos pelo sacro sague
e o bento pão
em uma dança entrópica
Celeste, Caótica
confusa como é o sânscrito
via-me em uma encruzilha escatológica
devaneando sobre a existência...
Agora eu era um homem na caverna de Platão
idealizando a fulcral saída,
procurando palavras teogônicas:

e então asas translúcidas puras
tão puras
tão puras
que não emitiam brilho maior que o tolerável
Rugiam, como a Esfinge:

"Quando penso, cogito
e as mãos, ao alto, ergo
e, a vós, peço que sejais o insumo"


e esperanço
que se funda com minhas vísceras
e queime minha alma imoral,
e com o sopro do Vesúvio
Purifica
todo o meu ser
Desenganado.
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