quasetodapoesia

quasetodapoesia

Perfil
4 116 Visualizações

DUPLA EXISTÊNCIA



sempre senti assim
e então
meus dias são como gritos
a povoar a garganta
e um de meus olhos é uma manhã ensolarada
enchendo a casa de luz

mas sempre senti assim
qualquer coisa como um punhal
reprimida vontade de matar


Maria Silva
Ler poema completo

Poemas

25

ACROBACIAS DO DESEJO



imprescindíveis
eram tuas coxas
a roçar-me sempre
naqueles dias frios

acrobacias
de orgasmos duvidosos
que repetidas vezes
se faziam

imprescindíveis
eram tuas coxas
e tudo que teus pêlos escondiam

no frio duvidoso daquelas noites
em que teus prazeres me aqueciam


Maria Silva
155

PATÉTICA



ah, as palpitações eternas
que guardamos
entre as pernas


Maria Silva
169

DESCRITIVO



a maneira como te amo
estabelece seguranças aparentes
sobre fronteiras de perigo

a maneira como te amo
descreve discretos símbolos
a incendiar com orgias
o inferno de meus desejos esquecidos


Maria Silva
164

AFEITO



não tive tempo
de prever
esse amor...

ele aconteceu


Maria Silva
188

ESSÊNCIA



dessas noites contigo
não me basta saber
se me amas ou não

mas extrair tuas loucuras e tolices
tuas asneiras e recatos

enquanto me roça as coxas
e abre mãos sobre meus seios

extrair de teu corpo
o corpo inteiro
como se nunca tivéssemos amado


Maria Silva
178

DUPLA EXISTÊNCIA



sempre senti assim
e então
meus dias são como gritos
a povoar a garganta
e um de meus olhos é uma manhã ensolarada
enchendo a casa de luz

mas sempre senti assim
qualquer coisa como um punhal
reprimida vontade de matar


Maria Silva
166

TRINCHEIRAS



o que tenho de mim
são esses restos
resquícios de batalhas anteriores
estilhaços de tédio
dolorosas medalhas

esgotada de mim
o que mais poderia te oferecer
além de tréguas
tratados

além de mãos que vasculham
teu território abandonado
formulando um perigoso pacto
bélicas promessas de romance

mas
como cumprí-las
se o conflito é inevitável
e o medo demarca fronteiras
aprisionando a poesia
nos corações derrotados


Maria Silva


184

CRIAS



tenho medo sim
dessa fragilidade
que me faz tecer histórias
e chorar
a cada final


Maria Silva
185

BATALHA



é necessário
que me ameace sempre
de ambos os lados
com lâminas finas

é necessário
que me corte sempre
constantemente
em metades distintas

pra que me sinta forte
sincera
inteira
e finalmente vencida


Maria Silva
176

À MANEIRA DAS CADELAS



olhando o sangue
de moscas vespertinas
e pedaços de carne
pendurados no açougue
penso sempre o poder
parido à maneira das cadelas:
crescendo GEOMETRICAMENTE
a fome dos cachorros


Maria Silva
179

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.