puro desvão
puro desvão de rua,
parede descalça,
pés de muro,
a mudez da curva,
salto na grama,
o palrar do vento nas maçãs do corpo,
a ingratidão da chuva,
o verão limpando o fogo,
o caminhão de lixo fantasma,
a lâmina na corda,
o vizinho de cima embaixo da porta,
a boca dos móveis,
o olhar dos padres
dos automóveis,
dentes cariados,
faróis dobrando a esquina,
contratos que se calam,
as pequenas linhas inimigas do tarô,
trópicos lidos,
os psicotrópicos da vulva celeste,
histórias coloridas,
frutas sobre a mesa, o gurufim,
flamenguistas como eu,
arrivistas e afiliados de pele branca e mãos de ferro,
feirantes e contribuintes de um longo país devorado por mosquitos de proveta,
palavras com patas de gesso,
pano nas orelhas e o sangue do poeta,
crianças e mais crianças gritando acentos circunflexos,
a vírgula distorcida, o trema quieto e morto
seus filhos, os meus,
os netos e as tias que jamais comeram tóxico,
o fumo conversando asneiras,
o quarto devorado à língua,
seda comendo bicho,
nariz e navio numa só fileira
da boca, do pulo, da fresta que vomita cús
do sol cheirando estrume
cogumelo saltando bosta
manhã virgem e teu gole
teu gole mais teu
seguros numa apagada rua de outra cidade
assassinos com chapéus de harpa
o anjo condenado ao trem de mariposas
Deus numa loja de conveniência riscando fósforos úmidos
uma estrela morta,
os adesivos de aviso sonoro, o avião enterrado às pressas
uma explosão de coisas aceleradas e vazias
a incompreensão da mosca
o indivisível pesar de uma caixa de sapatos
só uma das mãos pode cavar
a outra aguarda o fruto.
parede descalça,
pés de muro,
a mudez da curva,
salto na grama,
o palrar do vento nas maçãs do corpo,
a ingratidão da chuva,
o verão limpando o fogo,
o caminhão de lixo fantasma,
a lâmina na corda,
o vizinho de cima embaixo da porta,
a boca dos móveis,
o olhar dos padres
dos automóveis,
dentes cariados,
faróis dobrando a esquina,
contratos que se calam,
as pequenas linhas inimigas do tarô,
trópicos lidos,
os psicotrópicos da vulva celeste,
histórias coloridas,
frutas sobre a mesa, o gurufim,
flamenguistas como eu,
arrivistas e afiliados de pele branca e mãos de ferro,
feirantes e contribuintes de um longo país devorado por mosquitos de proveta,
palavras com patas de gesso,
pano nas orelhas e o sangue do poeta,
crianças e mais crianças gritando acentos circunflexos,
a vírgula distorcida, o trema quieto e morto
seus filhos, os meus,
os netos e as tias que jamais comeram tóxico,
o fumo conversando asneiras,
o quarto devorado à língua,
seda comendo bicho,
nariz e navio numa só fileira
da boca, do pulo, da fresta que vomita cús
do sol cheirando estrume
cogumelo saltando bosta
manhã virgem e teu gole
teu gole mais teu
seguros numa apagada rua de outra cidade
assassinos com chapéus de harpa
o anjo condenado ao trem de mariposas
Deus numa loja de conveniência riscando fósforos úmidos
uma estrela morta,
os adesivos de aviso sonoro, o avião enterrado às pressas
uma explosão de coisas aceleradas e vazias
a incompreensão da mosca
o indivisível pesar de uma caixa de sapatos
só uma das mãos pode cavar
a outra aguarda o fruto.