Rabs

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n. 1988 BR BR

n. 1988-06-08, São Paulo

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A vida é como um jogo de xadrez

A vida é como um jogo de xadrez, você tem todas as peças no inicio de um jogo, mas você não pode tirar os olhos dele, tem que estar sempre atento. Você tem que pensar muito bem antes de fazer a sua jogada, analisar, ver as conseqüências que esta jogada vai causar por que você sabe que após feita tal jogada ela não poderá ser desfeita. Um movimento sem pensar e lá se vai uma peça sua. As vezes é preciso sacrificar uma peça para que você execute sua jogada. Cada movimento é decisivo e seu oponente é inteligente e quer te derrotar de qualquer forma. Você deve ser mais esperto que ele, pensar bem nas jogadas, parar, analisar, reanalisar e jogar. Não se importe com o tempo neste jogo, desde que você perca o seu tempo raciocinando. Às vezes você se sente pressionado por seu oponente, ele só ataca e você só defende, as vezes a defesa é a melhor estratégia, mas não se vence uma guerra se defendendo apenas. Casualmente seu oponente irá abrir uma brecha em sua ofensiva e deixará sua defesa nua, é uma questão de percepção, estar sempre atento a qualquer movimento. Pode se encontrar sem peças e dizer que o jogo está perdido, mas o jogo nunca acaba até o rei cair, portanto nuca desista, por mais que amarrados seus pés e suas mãos pareçam estar, seu oponente ainda pode vacilar. Eventualmente pode se sentir afobado para fazer tal jogada e ficar cego para o restante do jogo, um jogador desesperado para ganhar jamais ganhará, é preciso muita calma e atenção. Quando menos se espera surge um xeque e você perde o chão sobre teus pés, é hora de por em pratica a calmaria e raciocinar uma solução. A rainha é a peça mais importante do jogo pelo seu poder. Ela irá proteger o rei e irá atacar, os dois juntos são perfeitos, portanto, proteja sua rainha sempre. Caso você a perca o jogo continua, mas não tem a mesma graça, no entanto você ainda pode chegar com seu peão até o topo do tabuleiro, seguindo um longo caminho, mas no final, pode se transformar numa nova rainha. Eis que não será a mesma coisa, esta permanecerá pouco tempo, certamente, por tua vitória ou por tua derrota. Cada movimento é decisivo, ganha-se peças, perde-se peças, no entanto, estranhamente, quem está de fora do jogo vê muito mais jogadas do que o próprio jogador, seria bom ouvi-los quando tiver oportunidade. Enfim é anunciado "xeque-mate" e quem o anunciou? Sua vitória depende apenas de você. A única diferença entre a vida real e um jogo de xadrez é que no xadrez você pode jogar novamente, na vida não. A vida é feita de vários jogos interligados a um só jogo, que chamamos de "jogo da vida", cada jogo destes nos ensina algo, cabe a você aprender a jogar ou não, alguns jogos se repetem, mas são raras as oportunidades de jogar novamente o mesmo jogo, se as tiver, não desperdi-se-as. Não é tão difícil aprender a jogar, basta pensar bem antes de efetuar a jogada, olhar tudo ao seu redor, estar sempre atento e jogar. Quanto mais se joga, mais se aprende, e quando você já estiver bom no jogo, ensine-o para outros, eles precisam de você e de você deles, nunca os subestime, pois até mesmo um principiante, mesmo que inconsciente, pode te ensinar muita coisa.
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Poemas

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Tic Tac

Penso em tudo e não faço nada
Nada faço sem saber
Sem saber nada ouço
Nada ouço sobre você
Que medo estranho
Estranho jeito
Jeito tolo
Tola vida
Vida sem sentido
Sentido na pele
Pele se enrosca
Enrosca em todas
Todas se grudam
Grudam sem largar
Largar é sofrer
Sofrer é começar
Começar é parar
Parar é incapacidade
Incapacidade é o presente
E o presente já passou.
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Agonia confusa

Ser sempre pálido ao alvorecer, alvo, sempre calmo enquanto o sangue escorre. Lágrimas caem sem eu querer, a dor é tão forte que não se importa ver, crer, crescer, andar. Minhas pernas não mais caminham contra o vento, pois estáticas se tornaram após a grande tempestade, que mesmo sem eu entender qual grande foi esta tempestade, assim me encontro caído, abatido, abalado, enciumado por algo que não existe, isso tudo eu apenas criei, agora me diz como desfazer? Somente vejo a sombra de minha cabeça baixa, meu sorriso não mais se encaixa nesta mera solidão. Foi tudo eu quem criou. Foi tudo eu quem criou. Foi tudo eu quem criei as aves que cantam e me cercam a cada manhã e que me tiram um aperto qual sem jeito me leva fingir. Como rosas me via a esperar que chegasse a luz, a luz que aos céus as conduz. Em vão tentei, me esqueci que caminhar não posso mais, no entanto, um pranto rolava interno, paterno, onde está o Pai? Sinto-me confuso e atraído, sinto-me desvalorizado e traído, mas porque ainda resta algo bom que me faça lembrar dos tempos bons que eu vivia a te amar? Não quero magoar mais ninguém, férias de mim mesmo já tirei, seria bela a manhã serena do fim de tudo isso que eu criei, pois foi eu quem criei, foi eu quem criou...
mas tudo vai se findar.
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Silenciando

Ando em silêncio, nas sombras, nos cantos onde não há luz
Minha boca se seca enquanto nada em mim reluz
Se eu tenho a certeza de andar, de caminhar
Se eu tenho a certeza de silenciar, me ocultar

Sei que tantos me procuram mas não irão me achar
Pois ando nas alturas a silenciar o frio a me cortar
São tantos sentimentos que prefiro guardar
São tantos os meus silêncios a me torturar

Sendo calmo cada passo lento diante ao vento
Porque ainda me procuras, nem me esconder eu tento
Mas é que eu ando em silêncio para o mesmo atenuar
Mas é que mesmo em passos lentos eu posso chegar

Se eu me omito só me abrigo neste atrito
Mesmo alegre e contrito sempre arranjo uma emoção
Sendo claro eu me escondo no infinito
Se eu puder dizer eu digo, o que me aflige é este clarão
Fizeste escuro, já me oculto nestas sombras
Ouço palavras que se quebram como as ondas
Bate e se espalha, mas daqui logo a pouquinho
Onda teimosa se refaz só por carinho
Pra tornar a me dizer
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Cor Bordô

Sangra, tão vermelho sangue, que escorre do palanque
O qual caí outrora em descuido lento vento se fez relento
Me de traz mil sonhos que vejo, tão risonhos sonhos
Sonhos felizes com o cessar do fogo e o estancar de corpos
Que bóiam em rios de sangue feitos por tão simples porcos
Tais quais mascaram suas mentes sujas que tais ditas cujas
Sempre pensam em sangue, tão glorioso sangue
Se precioso brilho que deslumbra a tantos no sofrer alheio
Me mostra toda suja face no espelho
É por que vítima também posso me sentir

Quando os porcos criam asas, sujam todas nossas casas
E sujam ruas e também quintais, sujam crianças e os animais
Sujam lamentos e alegrias, sempre ditando as suas sangrias
De um poder sujo e denso, tenso, lenço vermelho bordô
Bordô tal sangue escorre embora estancado fora
Como tal aurora suja o céu antes azul tão resplandecente
Hoje um brilho em mente sem direção de se findar
E depois de tanto sangue derramado, porcos vão para seu lado
Afim de toda vossa alma sugar
E toda lama se transforma em sangue neste vento lento
Sopram as folhas de um fim tão amargoso e amoroso

Porcos são todos que se acham espertos, destroem desertos
Rodeiam você com meia dúzia de palavras encantadoras
Te encantam como uma serpente, infelizmente,
Você ainda canta e anda como se fosse uma tampa a se fechar
Eles fazem sua cabeça e o que quer que aconteça, eles querem mais
Vão sujar o seu vestido, te marcar como escolhido
Então será mais um à sua lista a entrar
Seja todo tempo, porcos estão em todo lugar, em casa, na rua, no altar
Veem como águias e escolhem suas presas, todas de surpresa
E é tão simplificado as devorar
Agora mais cuidado nesta esquina, porcos podem te pegar
E em cor bordô os vão pintar.
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Seus Erros

O homem perfeito chegou e está ao seu lado
Meus olhos que parecem agua olham pro céu
Eu errei e não tive outra chance
Por isso eu não quero mais errar
Logo chega o seu aniversário
E não será eu quem cortará o bolo com você
E se eu pegasse minhas roupas do armário
E fosse correndo atraz de você?
Minhas lágrimas são lágrimas salgadas
São dores de culpa e de erros
Eu sei que errei mas de nada vale isso!
A quem ler entenda que chorar não vale a pena
Mas e quando a dor é mais forte?
Entenda que você não pode errar jamais
Você pode não ter outra chance para consertar
Então sentirá o peso do mundo nas costas
E as lágrimas cairão sem cessar
Todos tem uma segunda chance, eu não tive
Você também pode não ter, cuidado
Guarde no seu coração uma canção
A que mais lhe convir, a minha agora será
Cuide bem do seu amor, seja quem for
Foi a última coisa que eu aprendi
E é o erro que eu jamais cometerei novamente.
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