Eu lido com cigarros como lido com o mundo. Tenho pigarros por tragar demais amores moribundos.
Ainda troco de fumo, como troco de pessoas. Companhias que duram épocas, e que por fim me enjoam. (ou magoam)
Aprendi com velhos erros, aprimorei minha visão. Mas o pulmão não é o mesmo, nem tampouco o coração.
E assim tudo se repete. Enfim, livrei-me do amargor. E há mais aromas de tabaco, E novas cenas de amor.
388
Mago
Noite dispara e revela o que aflora. A Lua e seu charme lá fora. Lágrima escalda do corpo a escória Escorre o luar pela flora. O banho noturno onde almas valentes se empolgam já as simplórias se afogam A noite assovia a frequência do agora Só ouve quem expande a Aurora A noite é dos magos, Ela à ninguém poupa. Se te assusta ou sustenta; demonstra.
224
Eu vejo você
A multidão é imensa, a maioria não pensa. Todos os homens sedentos, Confundem moças com presas.
A diferença gritante, entre nosso amor e o restante É que eu te olho e à vejo: Seus medos e seus horizontes.
Você não é só meu vício, Nem só um rostinho bonito, Você não é qualquer dama, E nem só selvagem na cama.
Têm algo a mais em você, Que os demais não podem ver. Além do olhar impactante, Através do charme excitante.
Enxergo tua contextura, e te conheço de perto. Contemplo a sua alma pura. Antes do prazer, o afeto.
Equilibra meus hemisférios, E sabe que cuido de ti. Somos magia e mistério, Você é parte de mim.
E um dia, nessa dança... Brincando como crianças. Veremos a importância de ter seguido sem um fim.
Eu brigo e digo que canso, te ignoro, mas amo Prometo que não desisto, se não desistir de mim.
394
Amor próprio
O Valor é congruente Complexo para fultilidades Simples para o que é decente.
Valorizo nas minhas décadas, os instantes de um presente. valorizam nas minhas peças só o que há de intransigente
Pois o visível mais belo É ponto cego ao impaciente.
326
Vulnerável
Eu amo você Isso se tornou clichê Há quem diga nunca antes ter ouvido-me falar de amor.
É clichê, mas é nosso! Meu intelecto é ator. Meu coração é vosso e meu ego é detentor.
Aqui jaz no fosso Eu, que ainda torço À não fincar o fim temido no coração desse moço
E neste conto casual O amor é forte quanto frágil, Não forço
325
Desfecho
Quero que fique com isto Com a certeza de que nos temos. Em meio à sombra de dúvidas, Unicamente nos lemos
A pintura foi boa O quadro saiu perfeito, A moldura é adequada Para a sala do meu peito.
O desfecho foi impecável Levarei no esquecimento Que do ênfado ao deleite Deparamo-nos com o tempo
Acompanharia tua vicissitude se não fosse tão depressa Ainda anseio ver a metamorfose, Da tua fácies concreta.