Eu lido com cigarros como lido com o mundo. Tenho pigarros por tragar demais amores moribundos.
Ainda troco de fumo, como troco de pessoas. Companhias que duram épocas, e que por fim me enjoam. (ou magoam)
Aprendi com velhos erros, aprimorei minha visão. Mas o pulmão não é o mesmo, nem tampouco o coração.
E assim tudo se repete. Enfim, livrei-me do amargor. E há mais aromas de tabaco, E novas cenas de amor.
387
Mago
Noite dispara e revela o que aflora. A Lua e seu charme lá fora. Lágrima escalda do corpo a escória Escorre o luar pela flora. O banho noturno onde almas valentes se empolgam já as simplórias se afogam A noite assovia a frequência do agora Só ouve quem expande a Aurora A noite é dos magos, Ela à ninguém poupa. Se te assusta ou sustenta; demonstra.
222
Amor próprio
O Valor é congruente Complexo para fultilidades Simples para o que é decente.
Valorizo nas minhas décadas, os instantes de um presente. valorizam nas minhas peças só o que há de intransigente
Pois o visível mais belo É ponto cego ao impaciente.
324
Eu vejo você
A multidão é imensa, a maioria não pensa. Todos os homens sedentos, Confundem moças com presas.
A diferença gritante, entre nosso amor e o restante É que eu te olho e à vejo: Seus medos e seus horizontes.
Você não é só meu vício, Nem só um rostinho bonito, Você não é qualquer dama, E nem só selvagem na cama.
Têm algo a mais em você, Que os demais não podem ver. Além do olhar impactante, Através do charme excitante.
Enxergo tua contextura, e te conheço de perto. Contemplo a sua alma pura. Antes do prazer, o afeto.
Equilibra meus hemisférios, E sabe que cuido de ti. Somos magia e mistério, Você é parte de mim.
E um dia, nessa dança... Brincando como crianças. Veremos a importância de ter seguido sem um fim.
Eu brigo e digo que canso, te ignoro, mas amo Prometo que não desisto, se não desistir de mim.
392
Vulnerável
Eu amo você Isso se tornou clichê Há quem diga nunca antes ter ouvido-me falar de amor.
É clichê, mas é nosso! Meu intelecto é ator. Meu coração é vosso e meu ego é detentor.
Aqui jaz no fosso Eu, que ainda torço À não fincar o fim temido no coração desse moço
E neste conto casual O amor é forte quanto frágil, Não forço
323
Desfecho
Quero que fique com isto Com a certeza de que nos temos. Em meio à sombra de dúvidas, Unicamente nos lemos
A pintura foi boa O quadro saiu perfeito, A moldura é adequada Para a sala do meu peito.
O desfecho foi impecável Levarei no esquecimento Que do ênfado ao deleite Deparamo-nos com o tempo
Acompanharia tua vicissitude se não fosse tão depressa Ainda anseio ver a metamorfose, Da tua fácies concreta.