rafaelgon

rafaelgon

n. 1998 BR BR

Rafael Fernandes Gonçalo. A existência é sublime, e ao mesmo tempo propositada.

n. 1998-10-26, Brasília

Perfil
5 425 Visualizações

Primeiras Impressões

Por que minhas mãos estão trêmulas antes desse encontro?
Qual o motivo de sua escolha? O que eu despertei para prestigiar essa companhia?
Sem jeito, não existindo mais adiante, enganei-me que nada seria constante.
Caindo tarde, caindo noite.
Eu, bobo, mas não da corte.
Paixão fortalecida por sua essência de cheiro tonteante.
Logo me acolhi, montei uma morada por ali.
Estava pronto pra espetar ali a minha casa.
O local era mais do que confortante.
E, com meus dedos, eu deslizava sobre sua pele suavizada de harmonia.
Me sentia boiando em um mar de maravilhas,
com paisagens, folhas e sinergia.

- Rafael Gonçalo
Ler poema completo

Poemas

7

O que um prosaico carrega?

O orgulho fere meu calcanhar.
A vergonha diminui meus olhos.
A decência se mascara de inocência.
Atrelado estou aos números,
observando as ruas.
Panfletos, boletos, ligações, fumaça.
Deito a coluna na cama
e deparo-me com usurpadores sentimentos,
dotados de ilusão em um vendaval magnífico.
Não valerá de nada um andar desajeitado.
A percepção de igualdade é apenas falácia?
Vejo em minha retina
corpos em volta; reparam o fenômeno,
dançam na simpatia desse mistério
e, finalmente, amarram e suprimem minhas entranhas.

                                                                                          - Rafael Gonçalo

207

Absorção da ânsia

Passam-se os meses transpassados em intervalos de tempo indefinido.
O amor nem desce mais na garganta, inibido.
Na rua mais movimentada, chove água da retina.
Segundos tortuosos insistem na doutrina,
nada agradável de se assimilar.
A sombra da iniquidade corre para humilhar.
E, no fechar das portas dentro de tua casa,
não olhe para a rua.
Drenam, agarram toda sua essência.
Logo mais, não será mais tua.


                                                                                       - Rafael Gonçalo

226

Simbologia dos seus traços passados

O que tu és?
Mãos congelantes e abrigo estreito?
Obtive a certeza de que és horta vívida e altar em topo.
És rosa desabrochada e vendaval inofensivo.
Fricção em teu quarto, cores em teu anseio.
Filme antigo sob películas novas.
Escorrer contagiante sobre o tocar de cordas.
Cobertor quente com o tocar de peles.
Braços atados como ao amarrar seus sapatos.
Alegoria em cima de contagismo.
Fumaça cinza sob uma varanda.
Prenda-se em meus grilhões,
pois estes me assolam.
E somente seu suar quebra tudo em partículas minimamente obscuras.
Seu único propósito não seria o de brilhar,
quando o merecido para sua complexidade seria em tudo estar?
Ainda hei de te esquecer,
assim que lhe vir.
Preciso não te ter.


                                                                                 - Rafael Gonçalo

249

Anny Havord

No pontilhado do espelho, não se espalhe.
Teu espírito animal não empalhe.
Amarre-se em teu espectro.
Avante, mesmo com sofrimento.
Energizado é o aposento em que tu acordas,
você escolhe o que sente.
Disseram que a amargura sempre se pressente.
Sucumbiu mais uma vez ao monótono presente.
O rompimento do cadeado te espera.
Não se diminua,
nem a gaiola,
nem a esfera.

- Rafael Gonçalo

218

Entrelinhas/Entre nas linhas

Avante a palavra cortante como a tua.
Me deixaste na rua, o barco já nem flutua.
Manda teu sumiço repentino refletir.
Tu foste, e sem exaurir.
Nada de surpreendente, o fardo seria meu.
Nada teria de terminar.
Atravessado na tela clara do aparelho, com a omoplata dolorida
e com as palpitações banhadas de desespero.
Sempre tive a sapiência de que teria de engolir a partida.
Silva é derivado de floresta.
Nos domingos, me debruço de testa naquela aroeira.
Nada mais interessa.

- Rafael Gonçalo
377

Perguntaram a mim

O que é trabalhar no bar?
Digo que, atrás do balcão, o que se guarda é suor.
No exterior do salão, o vazio em forma de álcool submete as almas a prisões.
As ruas ausentes de luz indicam uma volta embaraçosa e um destino cansativo.
No travesseiro, me debruo com os olhos pesados e logo penso:
"Amanhã abrirei os cadeados de uma loja, não do meu lar, nem os que estão na alma."

- Rafael Gonçalo
356

O ócio moderno

Minutos são inclusão carnívora.
De algazarra para chalé.
Elementos básicos formam uma tabela metódica.
Dias corridos e monótonos.
Retiro o cadeado azul,
guardo o amarelado,
calculo, sobre leves pressões, pedaços de papel,
enumerados de suor e ganância.
Me sinto comandado por comandas.
Rudez em forma grisalha exigiu tudo.

- Rafael Gonçalo
317

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.