Raquel Gonçalves

Raquel Gonçalves

n. 0000-00-00, 15/10/1997

Perfil
3 831 Visualizações

Ficou em nós

Tu ficaste com ela por medo de dor,
Eu fui o refúgio, o rastro do amor.
Prometemos nada, vivemos demais,
E agora estás longe… e eu fico nos “vais”.

Chamaste de “coisa que a gente não diz”,
Mas no fundo sabias: contigo fui raiz.
Fui toque, fui fogo, fui riso no escuro,
E tu foste o erro mais doce e mais puro.

Dissemos que era só pra guardar,
Mas há corpos que sabem quando é pra ficar.
Ficou na pele, no cheiro, na voz,
Ficou esse “nós” que vive sem nós.

Tu pensas demais, eu sinto por dois,
Mas nunca fui tua — e foste meu depois.
Na alma, no peito, nos gestos calados,
Fomos o certo nos tempos errados.

E se um dia perderes o medo de amar,
Quando já não quiseres só aproveitar,
Talvez nos cruzemos sem peso, sem dor…
E se ainda houver tempo, talvez seja amor.

Disseste que havia carinho especial,
Daqueles que ficam, sem ser normal.
Mas foste embora sem te despedir,
Com medo de tudo o que podias sentir.

Tu gostavas de mim, eu via no olhar,
Na forma que vinhas, na pressa de ficar.
Nos teus olhos cansados, vi mais do que vão,
Vi o desejo calado, a fuga da mão.

Tiravas meus cabelos loiros do colchão,
e ficavas em mim, sem pedir permissão.
Ali, o teu corpo dizia o que o medo calou,
e no fundo dos olhos, era amor que ficou.

Ela tem o teu lado, os teus dias marcados,
Mas eu fui o instante dos passos trocados.
O tempo contigo sabia parar,
Mesmo sem nome, sem lugar pra ficar.

Agora estás longe, distante e calado,
Mas o que vivemos não foi inventado.
E se fosse noutra vida, sem essa prisão,
Talvez fosses meu — de corpo e coração.

Ler poema completo

Poemas

2

Porta Fechada

Quis mais do que o teu corpo, quis partilhar coração,
vi em ti a chama viva, mas encontrei só negação.
Identifiquei-me contigo, com a tua forma de ser,
bati mil vezes à porta, e tu não quiseste me receber.

Não sei se é medo ou outra que guardas no peito,
mas sei que não fico a perguntar o que em mim não vês direito.
Procuro amor inteiro, não joguinhos a meio gás,
prefiro a minha paz firme a migalhas que não me satisfaz.

Não peço desculpa por amar, nem por ter me deixado sentir,
quem perde és tu por não te deixares descobrir.
Eu sigo em frente, de alma segura, sem medo de recomeçar,
porque sei que o verdadeiro amor um dia me há-de encontrar.

308

O segredo

No corredor cruzou-se o teu olhar,
Um fogo proibido que não consigo apagar.
Indisponíveis, almas a querer,
Mesmo sabendo que não podíamos ceder.

Nos teus braços perdi-me por inteiro,
Na tua cama, o mundo era ligeiro.
Beijos que ardiam como chama ao vento,
Cada toque meu coração leva ao tormento.

És minha droga, meu vício sem fim,
E cada adeus deixa-me assim.
Coração partido, batendo por ti,
Mesmo sabendo que não posso ser feliz.

Queria que ficasses, que o relógio parasse,
Que cada instante nosso nunca se quebrasse.
Mas tens outros caminhos, e eu apenas espero,
E guardo cada lembrança como um segredo sincero.

344

Comentários (4)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

O Poema que fiz para ti esta datado no dia 13.09.25 - Muito Obrigado se o ler. Ademir

Aproveitando esta tua visita... quero te dizer que fiz um poema dedicada a ti. neste semana. e por data. pois não coloco titulos em meus poemas e poesias. Abraços e felicidades.Ademir.

Minha cara Poetisa Raquel Gonçalves... menina descreveste lindamente um amor que ofereceste e não aceito...mas tu saberás um dia o verdadeiro amor encontrar. lindoooo - parabéns - amiga poetisa se assim me permitir chamar. Ademir.

Belo poema ... minha cara Raquel . ainda bem que tudo terminou em paz. felicidades.