Raquel Gonçalves

Raquel Gonçalves

n. 0000-00-00, 15/10/1997

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Ficou em nós

Tu ficaste com ela por medo de dor,
Eu fui o refúgio, o rastro do amor.
Prometemos nada, vivemos demais,
E agora estás longe… e eu fico nos “vais”.

Chamaste de “coisa que a gente não diz”,
Mas no fundo sabias: contigo fui raiz.
Fui toque, fui fogo, fui riso no escuro,
E tu foste o erro mais doce e mais puro.

Dissemos que era só pra guardar,
Mas há corpos que sabem quando é pra ficar.
Ficou na pele, no cheiro, na voz,
Ficou esse “nós” que vive sem nós.

Tu pensas demais, eu sinto por dois,
Mas nunca fui tua — e foste meu depois.
Na alma, no peito, nos gestos calados,
Fomos o certo nos tempos errados.

E se um dia perderes o medo de amar,
Quando já não quiseres só aproveitar,
Talvez nos cruzemos sem peso, sem dor…
E se ainda houver tempo, talvez seja amor.

Disseste que havia carinho especial,
Daqueles que ficam, sem ser normal.
Mas foste embora sem te despedir,
Com medo de tudo o que podias sentir.

Tu gostavas de mim, eu via no olhar,
Na forma que vinhas, na pressa de ficar.
Nos teus olhos cansados, vi mais do que vão,
Vi o desejo calado, a fuga da mão.

Tiravas meus cabelos loiros do colchão,
e ficavas em mim, sem pedir permissão.
Ali, o teu corpo dizia o que o medo calou,
e no fundo dos olhos, era amor que ficou.

Ela tem o teu lado, os teus dias marcados,
Mas eu fui o instante dos passos trocados.
O tempo contigo sabia parar,
Mesmo sem nome, sem lugar pra ficar.

Agora estás longe, distante e calado,
Mas o que vivemos não foi inventado.
E se fosse noutra vida, sem essa prisão,
Talvez fosses meu — de corpo e coração.

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Poemas

2

Dentro de Mim

Há um lugar escuro dentro do meu peito,
onde a dor se senta sem pedir respeito.
Onde os medos crescem sem eu chamar,
e as sombras insistem em ficar.

Há noites em que tudo parece cair,
e nem a esperança me consegue ouvir.
O mundo continua, sem vacilar,
enquanto eu tento não me afundar.

Carrego batalhas que ninguém vê,
feridas antigas que ninguém lê.
Sorrio por fora para disfarçar,
o caos que por dentro teima em morar.

Há uma voz que me tenta vencer,
que me diz baixinho para desistir de viver.
Que me fala de perda, de solidão,
e aperta com força o meu coração.

Mas se ainda respiro depois da tormenta,
se ainda me ergo quando a alma rebenta,
então talvez exista, escondida em mim,
uma luz pequenina que não chega ao fim.

7

Medo

Tenho medo de voltar a sentir,
de abrir o peito e depois cair,
de promessas bonitas que sabem mentir,
de quem diz “fica” sem nunca cumprir.

Tenho medo do toque virar ferida, 
de dar o meu tudo e perder a vida, 
de ouvir “confia” com voz decidida,
e cair no silêncio, outra vez esquecida.

Tenho medo de rir e depois chorar,
de ver nos teus olhos vontade de amar,
mas sentir no silêncio que vais afastar,
como se nunca tivesses intenção de ficar.

Mas no fundo, apesar do receio,
há um resto de fé no meu peito cheio,
se for de verdade, vem sem rodeio,
e fica comigo, inteiro e sem meio.

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Comentários (4)

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O Poema que fiz para ti esta datado no dia 13.09.25 - Muito Obrigado se o ler. Ademir

Aproveitando esta tua visita... quero te dizer que fiz um poema dedicada a ti. neste semana. e por data. pois não coloco titulos em meus poemas e poesias. Abraços e felicidades.Ademir.

Minha cara Poetisa Raquel Gonçalves... menina descreveste lindamente um amor que ofereceste e não aceito...mas tu saberás um dia o verdadeiro amor encontrar. lindoooo - parabéns - amiga poetisa se assim me permitir chamar. Ademir.

Belo poema ... minha cara Raquel . ainda bem que tudo terminou em paz. felicidades.