Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
22Entretons pessoais
Eu imagino que cada pessoa apresente uma cor,
Não a de sua preferência, mas é o que ela passa.
Talvez até mesmo um arco-íris antes do sol se por
Quem sabe uma transparência quando se abraça.
As pessoas azuis são intensas, imensas, mar e céu.
As de cor rubra são trepidações em calor, paixões.
As brancas transportam paz até na aba do chapéu
E as amarelejas se desesperam além dos padrões.
E as verdes, auspiciosas; quase sempre acreditam.
As pessoas cinzas jogam no time: Oh vida! Oh azar!
E as incolores?_ Então eu não sei como as explicar.
Há pessoas indefinidas onde várias cores palpitam.
Há pessoas rosa choque que tentam intimidar o sol,
Há almas pretas... São capazes de abortar o arrebol.
Raquel Ordones
Uberlândia MG
1 030
Vontades...
Navego com precisão em sonhos por teu corpo em mar aberto de desejo; por entre lacunas e corais das vontades;
Sinto-me possuída por tuas águas prostituídas e carnais que banham todo o meu ser com gotas santas e deixam transparecer em viagem o meu gosto por loucuras tantas!
Raquel Ordones
Uberlândia MG
Sinto-me possuída por tuas águas prostituídas e carnais que banham todo o meu ser com gotas santas e deixam transparecer em viagem o meu gosto por loucuras tantas!
Raquel Ordones
Uberlândia MG
1 046
“Vida loka”
E ser poeta é ser vida loka,
Boca se tranca na alma que esvoaça,
Traça caminhos e não marca touca,
Mouca se sentir na ironia, ameaça.
Abraça a lua e conta-lhe segredo,
Sem medo, ao hediondo ele viaja,
Engaja em todo sem saber o enredo,
Dedo fala, a grafia seduz: é naja.
Haja loucura, pousa num escuro,
E no muro anda bêbado de verso,
Imerso de si de arrojo diverso.
O inverso é seu forte, voa enduro,
Apuro, contramão, sem estribeira,
Cheira o pó da saudade matadeira.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
1 120
Canção inabalável
Melodia em notas fortes; é o amor,
Um calor de voz que venta na nuca,
É muvuca na carne, acesa flor,
Rumor; perturba de fundir a cuca.
Maluca lufa n'alma desarranja,
Esbanja ritmo, um passo noutro passo,
Abraço, beijo em beijo, tudo arranja,
Manja de efeitos: santo ora devasso.
O terraço da tez é invadido,
Bandido acorde faz a roçadura,
Brandura do cochicho, aura em altura.
Partitura paixão, de amor perdido.
Sustenido imo, dantes e presente,
E sente gritos num baile silente.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
500
Calembur
Eu rio, mas se sou rio, longe do mar,
Amar; vela que acende, ascende a vela,
Ela uma coragem, sou ela a navegar,
Morar no nada e nada em aquarela.
Gela se casa e não está em casa,
Em asa leve, que o seu sonho leve,
Breve a serra que cerra visão rasa,
Vaza a pena. Que pena, mas se atreve!
Escreve um conto; conto; um, dois e três,
A tez eriça, iça no canto um canto.
E levanto; acento no assento? Espanto!
Tanto cinto, que sinto, não; talvez,
Xadrez a calça; e calça bota torta,
Na torta bota vil "sarin", viu a morta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
533
Sobre ela
Vento faz no cabelo desalinho,
Pelo caminho ela chama atenção,
Uma canção cantarola baixinho,
Devagarinho segue em contramão.
Uma porção de elegância dissipa,
A tulipa balança quando passa,
É graça, tão leve qual uma pipa,
Emancipa-se em finura; esvoaça.
Abraça o dilúculo em tom lilás;
É capaz de virar qualquer pescoço,
Esboço de deusa causa alvoroço.
Poço de ternura; se liquefaz,
É cartaz pelas ruas onde mora,
Senhora de si; um assovio a cora.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
485
Mulher de entardeceres
Gosto do entardecer, matiz laranja,
Esbanja beleza; o fôlego tira,
E pira a imaginação, coisa estranja,
Franja de nuvens o coração admira.
Gira-me céu, raios multicolores,
As flores dançam ao vento que cheira,
A beira do limite e sem pudores,
Vetores que perdem sua estribeira.
Em fileira os pássaros cruzam o ar,
O lugar que é adotado como casa,
E vaza leveza em penas, pés e asa.
E não atrasa; o sol já vai se acamar,
Num virar de cobertas, surge a lua,
Atenua a luz, já é ocaso na rua.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
439
Só tem você aqui...
Olho para o meu dentro: tem saudade,
Na verdade, você por toda parte,
Faz arte, me desperta veleidade,
Insanidade; ao meio me reparte.
Encarte agora; em mim é pertinência,
Frequência que me invade, em absoluto,
Luto, mas há na entrega transparência,
Vivência de um passado Indissoluto.
Escuto sua voz; que em mim abraça,
Amordaça-me em beijo, me tortura,
Sem censura a alma; tez, meiga textura.
É loucura, saudade que arregaça,
Arruaça no interno o tal motim,
_Assim; só tem você dentro de mim!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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389
Tanto, tanto que as teclas desbotam...
Tanto, tanto que as teclas desbotam...
Recursivo eu, quando ao digitar-te.
Gostar-te é meu verso intransitivo.
Objetivo maior meu: deleitar-te,
'Start' no coração; superlativo.
Adjetivo à ti, nunca me falta,
É pauta; na minha alma substantivo,
Seletivo de mim, minha tez salta,
Assalta-me víscera em coletivo.
Afetivo meu e teu num esbarrão.
É emoção, botão apagado; ativo.
Paliativo não. Nós, profusão.
Ação de corpos. Corpo a corpo: vivos!
Abrasivos: ideia e sensação.
Digitação e sentires, taxativos.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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Recursivo eu, quando ao digitar-te.
Gostar-te é meu verso intransitivo.
Objetivo maior meu: deleitar-te,
'Start' no coração; superlativo.
Adjetivo à ti, nunca me falta,
É pauta; na minha alma substantivo,
Seletivo de mim, minha tez salta,
Assalta-me víscera em coletivo.
Afetivo meu e teu num esbarrão.
É emoção, botão apagado; ativo.
Paliativo não. Nós, profusão.
Ação de corpos. Corpo a corpo: vivos!
Abrasivos: ideia e sensação.
Digitação e sentires, taxativos.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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1 130
Adormeço...
Adormeço...
Estendo teu carinho; meu lençol.
Caracol, teus cabelos: travesseiro,
Cheiro de sonhos fisga qual anzol,
Bemol na voz, olhar bem feiticeiro.
Primeiro, a blusa ponho num encosto,
Rosto de uma expressão muito feliz,
O nariz empinado bem a gosto,
Exposto corpo; sou uma flor-de-lis.
Miss em desfile, tênue facho em luz,
Nus eus nas mãos do sono, paraíso.
Deslizo na fragrância que seduz.
Capuz da alma eu desato, é preciso,
Improviso-me abrigo; paz conduz,
Reduz abalo, durmo em teu sorriso.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Estendo teu carinho; meu lençol.
Caracol, teus cabelos: travesseiro,
Cheiro de sonhos fisga qual anzol,
Bemol na voz, olhar bem feiticeiro.
Primeiro, a blusa ponho num encosto,
Rosto de uma expressão muito feliz,
O nariz empinado bem a gosto,
Exposto corpo; sou uma flor-de-lis.
Miss em desfile, tênue facho em luz,
Nus eus nas mãos do sono, paraíso.
Deslizo na fragrância que seduz.
Capuz da alma eu desato, é preciso,
Improviso-me abrigo; paz conduz,
Reduz abalo, durmo em teu sorriso.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.