Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
34Precisa-se
Precisa-se de gente que doe sorriso sem permuta,
De gente com verdades e de palavras de verdade,
Precisa-se de gente que arregaça a manga vai luta,
De gente que não coloca cor nem sexo na amizade.
Precisa-se de gente de atitude, braços descruzados.
Precisa-se de gente que "seja" e não só que "tenha"
De gente que acredita e faz residência se abraçados
De gente que ousa e se joga e que nada o detenha.
Precisa-se de gente que grave estrela no céu alheio,
E risque horizonte em sua e em quaisquer paredes,
Precisa-se de gente que compartilhe os pães e redes.
Precisa-se de gente de bem, que mostre a que veio.
Precisa-se de gente que pinte jardins de toda a cor,
E que borde nas cortinas do coração somente amor.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
938
Os meus olhos
Os meus olhos são castanhos como folhas de outono
Dançam soltos ao vento coreografando a te procurar
Quase dourados buscando por sair de um abandono
Se movem para todos os lados tentando te encontrar.
Os meus olhos gritam e chamejam intensidade total
Quebram o teu silêncio com lágrimas e movimentos
Em minha retina tua imagem se mostra cartão postal
E dela escorre a transparência dos meus sentimentos.
Meus olhos acreditam na tua volta para poder dizer
Que a minha poesia transborda por seres inspiração
Piscam, mas atentos a tudo e não perdem a emoção.
Os meus olhos são castanhos como folhas de outono
Em meio às tempestades de saudades sempre a voar
Esperando a leveza da tua chegada; vir comigo viajar!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
967
Matemática sexual
Se um quer e há solidão
Não tem porque desistir
Soma toda imaginação
Que o deleite irá existir.
Se nos dois há um querer
É só dividirem-se no ato
Sem subtração do prazer
Há uma potência de fato.
Dois corpos estão contidos.
Agrupam-se a multiplicação
Além disso, foge o padrão.
Sem precaução e distraídos
E sem ter cuidado com a tez
Já os dois tornar-se-ão três.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
221
Passou por mim feito tsunami
E quando eu percebi já estava toda revirada,
Cabeça voando sem rumo em pensamentos,
Olhos perdidos em uma procura sem parada,
Cacos de mim em mim e levados com ventos.
Quando eu percebi meus eus saíram de mim,
Um mais louco que o outro com sua presença,
Me senti só com tanto querer, alma carmim,
Vi em meio à agitação o quão faz a diferença.
Quando eu percebi já havia me levado junto,
Tudo de mim escorreu por entre o que é seu,
Agarrada não me desatei, então me rompeu.
Quando eu percebi, já éramos um conjunto,
E nossos alicerces se viraram em conchinhas,
E feito tsunami passou, despindo entrelinhas.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
255
Das loucuras de mim
As malas das minhas ideias desarrumadas; arrumo,
Tento divisar uma ordem, qual a relevância de cada,
Dobro e desdobro, então aliso para sentir o aprumo.
Abstruso, cada uma tem valor, nenhuma descartada.
Algumas ideias passageiras, outras sempre martelam,
Algumas são meio insanas, outras são tão coerentes,
Algumas são rasas, outras na alma e coração anelam,
Umas são meio tolas; já outras tão surpreendentes.
Fico ali horas tentando nessa minha louca arrumação,
E coloco-as num canto, no meio, em cima e em baixo.
É tão melindroso, um quebra-cabeça, quase o encaixo.
E aparentemente em mim quase percebo a evolução,
E puxo o fecho éclair em torno dessa minha bagagem,
Inútil, sento em cima, tudo bagunçado, que bobagem!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
249
O espaço entre nós
Há uma lacuna que separa a gente
Espaço só físico, mas transponível
Invadido por uma química ardente
Por um imenso querer quase visível.
E nascemos um para o outro, enfim
Só que nos afastamos nesse espaço
E nesse recinto erigimos um jardim
E com flores bonitas fizemos o laço.
O espaço que há entre nós é nosso
Nele escorre nosso olor fantasioso
Um vínculo abrasador e prazeroso.
O espaço entre nós é bastante perto
Bem próximo do toque e do coração
Aonde tudo é válido na imaginação.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
266
Família é melodia
Família é uma serenata de encanto
A nota sol em brilho de sonoridade
Extensão de felicidade em acalanto
A nota ré de respeito a toda idade!
Um amor sem dó aqui, muito além
É a perfeita união entre o fá e o mi
São acordes lá do imo que faz bem
Verdades unidas sem pensar no si.
Família é orquestra de bela canção
Diversas notas em acordo comum
Sem perder identidade de nenhum.
Enlace divino abençoado por Deus
Um sim é dado com muita emoção
Família é a poesia, delicada oração!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
968
Mulher mendiga
Eu falo da mulher que contenta com migalhas
Falo dessa que não enxerga em si a confiança
Dessa submissa que se acha e as outras falhas
Cuja maturidade não chega aos pés da criança.
Falo da mulher que seu companheiro persegue
Seu mundo é de chantagem; cada segundo liga.
Falo da mulher que se humilha; a intriga segue.
Essa sim; concedo o título de mulher mendiga.
Eu falo dessa mulher que ofusca o seu destino.
Com pequenez impede a sua estrela de brilhar
Eu falo dessa mulher fraca que vasculha celular.
Falo dessa mulher sem domínio... Que se anula
Dessa que nenhuma aclaração satisfaz: ignora
Essa que não se dá valor e por carinho implora!
ღRaquel Ordonesღ .
Uberlândia MG
239
Eu lua
Imaginei-me ser feito a lua
Pois tenho fases só minhas
Muitas vezes fulguro nua
Nas minhas traçadas linhas
Às vezes me sinto diminuta
Mas sem abafar meu brilho
Então me renovo vou à luta
Nuvens não me tira o trilho
Às vezes eu me sinto cheia
De um vazio que é obscuro
Porém a minha alma clareia
Cada crepúsculo é crescente
Cobiço encontrar-me na lua
Mesmo sendo fado cadente!
ღRaquel Ordonesღ
222
Por quê?
E lá estão todos os porquês querendo saber: por quê?
Por que veio? A que veio? Porque agora? Porque eu?
é uma lista infindável de porquês que não dá para crê
E fica na mente martelando o porquê que lhe prendeu.
E porque eu? Porque você? O porquê dessa maneira?
E algumas respostas não existem, e é simples assim.
Esse tanto de porquês é sem razão, legítima besteira
Há coisas que são... Desde o início, no meio e no fim.
às vezes é melhor não perguntar o porquê, isso é fato.
O porquê não agrada, não é isso que queremos ouvir
Porquês certos e porquês tortos; fazem chorar e sorrir.
E às vezes o porquê está na gente, está no nosso tato
E a gente sempre foge; como dizem: a gente amarela
E às vezes sem os porquês nada nos descem na goela.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.