Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
17O tempo em seu tempo
Fragmento de uma noite, orvalho desce.
Cresce uma flor num canto ao relento.
Isento de plateia, ato que a avesse.
Tece uma aranha, e o galo sonolento.
Vento sopra frio, outro dia entece.
Desaparece a ultima estrela: evento.
Momento belo Deus nos oferece.
Alvorece; o sol tira a meia; lento.
Advento vida; raio fortalece.
Confesse: não é lindo o movimento?
Alento do imo; o corpo é a messe.
Amanhece outra vez, há sentimento.
Tento saber, ninguém segura; eu prece.
Agradece minha alma; dia bento.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
646
- (Um dia de cada vez)-
Normal, por vez um dia: uma oração.
Coração na cadência; natural.
Vendaval que viaja na emoção.
Sensação de criar asa, afinal.
Vital; e é tão simples a equação.
Razão é desse tempo, literal
Degrau por degrau, alívios e tensão.
Porção: de pouco em pouco: um ritual.
Usual: o minuto, a divisão.
Sazão; o dia. Por fim chega o anual.
Cultual: pelos meses e estação.
Noção: sim; sem seguir o manual.
Igual a uma manada em confusão.
Visão: para o alto, os pés; despontual.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
564
Desencachados versos
Sapeca palavra saltita em cacho.
Riacho sentir; em nada ela peca.
Peteca pra cima, vento penacho.
Agacho e elevo: levada da breca.
Checa a rima, o verbo é um escracho.
Esculacho; a métrica na soneca.
Caneca de café; pinga em despacho.
Acho que não alfineta essa boneca.
Careca o artigo, pronome capacho.
Facho de concordância quase seca.
Eca! Mas que ode é essa, diacho?
Racho de rir: poesia moleca!
Obceca o verso e então ele fica macho.
Recacho: _ Eita, que escritinho mais jeca!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
583
Ouvir estrelas
Ouço. E não precisa dizer: maluca!
Machuca-me, escuto tudo com gosto.
Rosto feliz, e na alma uma muvuca.
Caduca nada; meu ser é o oposto.
Posto: a janela; o coração batuca.
Nuca arrepia em contato ao encosto.
Deposto-me a estrela; graça cutuca.
Arapuca que me prende ao exposto.
Arrosto a distância e nada retruca.
Cuca fresca assisto ao show disposto.
Agosto, abril; tanto faz. O céu educa.
Truca a imagem. Vi cenário proposto.
Imposto ouvido; entendo. Nada infuca.
Suca-me o verso no verbo composto.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
576
Ouça veja e sinta
Então, feche teus olhos e imagine.
Nine com calma essa concentração.
Emoção nos poros que te buline,
Fascine-te, silencie: atenção.
Então: mente voando; te refine.
Menine de qualquer feitio e ação.
Agitação de gnus tal qual um cine.
Define longe a minha pulsação.
Então: de alma transparente vitrine.
Decline teu cerne pra essa visão.
Confusão; que o desafino se afine.
Atine: o pó, nossa combinação.
Transpiração e pele; cheiro retine.
Repagine: por ti o meu coração.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
463
Solidão
Refrão calado, alado pensamento.
Vento em refrega, desalinho vão.
Rouquidão pela alma num tempo lento.
Sonolento, sem asa o coração.
Canção sem nota arrota todo evento.
Acento afundado; esgarça colchão.
Corrimão intacto num escuro bento.
Cimento frio sem combinação.
Chão circunda, inverno é andamento.
Momento tanto faz; só solidão.
Extensão d’um túnel, luz isento.
Requento nenhum da vida; sem mão.
Dimensão análoga a qualquer invento.
Relento, jogado ser; imersão.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
476
Silêncio é um senhor?
Credor místico cheio da verdade.
Invade a alma ao bumbo de tambor.
Rancor nenhum, pois é a raridade.
Sonoridade ímpar; e não ator.
Amor; é integral complexidade.
Agrade ou não; é franco no sabor.
Licor que na garganta abre sem grade.
Cidade é lisura; asa pudor.
Por limpos pratos: é habilidade.
Frade que o diga em todo o seu transpor.
Terror nalguns, já outro: airosidade
Sinceridade é o seu sensor.
Cor é castiça; além da extremidade.
Idade do silêncio?_ Tem vigor.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
450
Os Filhos são crianças para sempre
Um dia a mais ou é um dia a menos?
Plenos. Importam são os dias atuais
Tais questionamentos me são venenos.
Pequenos para sempre, para os pais.
Sinais de madureza, alvos terrenos.
Frenos se abalizam, racham os ais
Canais; esforços são bem mais amenos.
Fenômenos; transpõem os seus portais.
Varais das afeições; razões, cossenos.
Serenos imos; cheiros tão florais.
Cais; extensão de nós e sem empenos.
Drenos de nossa dor, especiais.
Desiguais; mundo. Filhos são de Vênus.
Acenos de alma, derme e literais.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
579
Estrago
Promoção se estiver limpo o seu nome.
Retome a vida é a sugestão.
Caminhão, casa, carro; se diplome.
Crome-se pro futuro com visão.
Prestação; crediário é seu: dome!
Engome sem qualquer oposição.
Instituição não aceita que a embrome.
Home, empresa, você é o seu chão.
Liquidação do mês seguinte: come.
Some o cliente. Um vírus contramão.
Cristão fica sem verba e tanta fome.
_Tome tudo e ainda dê nele sermão!
Coração, banco não tem: só renome.
Consome seu sonho; inda é vilão.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
630
Vagueio no trem saudade
Flores nos morros; é meu coração.
Emoção a brotar; todos os olores.
Sabores nas aragens da estação.
Vagão é coalhado em suas cores.
Pores de sol, apito, bel canção.
Direção: a sua. Gosto: seus licores.
Valores: seus caminhos, afeição.
Chão firme, trilho, trem, céu de calores.
Amores espalhados: ribeirão.
Plantação, passageiro, aves, rumores.
Corredores de mim, sua excursão.
Solidão? Nos seus beijos meus penhores.
Cultores da saudade nossa, então.
Vão sacro; aloja nossos despudores.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.