Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
Poemas
7Está combinado assim...
Na curvatura do tempo; isente do estresse.
Carece deixar o ar desenhar sua linha.
e caminha sem promessa; mas se anoitece;
prece em frase curta, beijo para estrelinha.
Entrelinha do riso exposta, nem se apresse;
Tece minuto a minuto e não desalinha;
Preguicinha faz bem e a gente até merece.
Esclarece; e se quiser finja passarinha.
Ladainha dos outros, deixe lá; aborrece;
Se amanhece; renasça tal qual a plantinha;
Tadinha; há gente por aí que se apodrece.
Enlouquece? Vez ou outra, dê uma palinha;
Tinha combinado assim; se a dor endurece:
Comece e recomece; ainda que cascudinha.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
e guarde o seu fogo
O jogo da vida assopra
Se preciso, blefe...
Da série Haikel’s
Talvez o amor seja azul
Talvez o amor não seja cor ardente,
Quente, vermelho intenso da paixão,
Ação de calmaria que a alma sente
Rente, a ancorar em outro coração.
Então; talvez o amor seja vertente,
Meramente céu, azul em difusão,
Mansidão que cobre a dor, e silente,
Diariamente; hortênsia em botão.
Amplidão do oceano tão abrangente
Fulgente e leve em movimentação,
Religião; manto da mãe; envolvente.
Tente: sinta o amor blue; imensidão;
Não é chama que queima. Reluzente.
Piamente azul, traz quietação.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
azul céu, no sol
é azul do amar em verde
azul lê-se luz
É que hoje não dá...
Hoje não dá para morrer; anote:
e bote bem em texto destacado.
Negritado amarelo; não sabote.
Plote imagem; se é mal aclarado.
Encantado esse mundo; belo mote.
Holofote sol; girassol plantado,
Calado; com o vento dança o xote;
Trote, mirando ao alto, e decotado.
Estrelado o sol queima; se rebrote.
Enxote o frio; sê o alaranjado.
regado vaso; em pétala tricote.
Adote ser sensível, namorado.
Agradado viver; não se idiote.
Pilote; morrer hoje? não cotado.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Morrer não é justo
Com tanta beleza exposta
Arrote o ruim
Aqui não, violão!
Pensei escrever um pequeno poema;
Dilema: um cansaço; o corpo doía
Queria só deitar; era o meu esquema;
Alfazema do lençol já sentia.
Ria de mim; boba! Isso é problema?
Sistema simples! Jogue em ventania.
Via o cansaço com feição suprema;
Fonema mudo; o ânimo chovia.
Sorria-me a coragem; solta a algema
Rema pela alma, a eficácia se cria.
corria um intenso; eis o teorema.
Tema maluco, né? Ave Maria!
Ia o cansaço; abolido qual trema.
Estratagema? - Vira poesia...
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
fadiga desiste
quando me vê de saída
meu batom a intriga
Autolimpar-se
Se for fazer alguma arrumação,
Atenção: deixa por último a casa.
Atrasa esse ato; digo de antemão.
Não gasta o seu tempo com coisa rasa.
Embasa em cerne, arruma o coração;
oração livra; nunca se descasa.
Arrasa com bem; entorna emoção.
Canção é desinfetante, extravasa.
Casa com o amor: próprio; de paixão.
Perdão faxina; o tóxico defasa;
Brasa no abraço lava a rejeição.
Então, espana da sua a alma: o serasa.
Envasa o seu olhar; é flor perfeição.
Inspiração borrifa; sacuda a asa.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Varra toda a inveja
e para o lado de fora
Arrastando o ódio.
No céu da boca, a língua
Concha de um céu, com abrigo de manto,
Santo; a língua dedilha a palavra: harpa
Farpa; o som arroja, sublime encanto.
Acalanto, a boca diz; aqui e Varpa.
Escarpa, a voz ganha o vigor de um pranto,
Enquanto a veste leve ao vento arpa.
Sarpa e volta, o verbo deságua e pronto
Espanto, e o silêncio se quebra, e zarpa.
Charpa a palavra; estrela pelo escuro,
Muro da boca, abarca o som, decanto,
Desmanto; vida, poema maduro.
Duro; palato e língua, abraço e canto,
Enquanto o corpo: palco aberto e puro
Apuro: o idioma em pulsação: tanto.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Palavra anda gasta
tão mal dita que apavora
Na bengala escora
Fio da memória
Na máquina do tempo, a vida se costura.
Lonjura; o fio fino da memória alcança.
Segurança ou não, sempre na mente perdura.
Cura a saudade; mas às vezes a balança.
Herança: dias; velha rota em ligadura.
Tecedura com ponto igual, mas com mudança.
e trança o passado com o hoje, em atadura.
Releitura; história viva no peito dança.
Criança, jovem; imaginar sem censura;
Armadura, ora tecido leve na andança.
Afiança o vivido em essência tão pura.
Tessitura de nós; todo segundo avança.
Aliança: vida e tempo: alma se mistura.
A pintura na mente em cores: a lembrança.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
O nosso caminho
se grava inteiro na gente,
e sempre se mostra.
Comentários (1)
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.