Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
145Meu diário
Hoje o dia despertou emburrado,
Nublado, o sol não quis sair da cama,
E fez drama; o bonito foi ofuscado,
Camuflado, nem tirou o seu pijama.
A lama jazer, pois o calor dorme,
Meu uniforme não secou no varal,
O meu jornal se molhou; sem informe,
E conforme estação não é normal.
Portal encharcou, tem uma neblina,
Na esquina um café, mas está vazio,
Frio corre solto a ferir a retina.
Menina nem respira em arrepio,
No fio, pio e pardal sem adrenalina,
Matina glacial, mas o sol nem viu!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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189
Cotidiano
...ainda sem o sol... Reflexo.
e chove...
Na rua um riacho.
Uma florada de guarda-chuvas...
o Uber dobra o valor.
No ônibus o dobro de passageiros.
As janelas embaçadas.
As vozes não se calam.
O semáforo vermelho...
o verde...
A lotação segue, são tantos destinos...
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
255
Íntimos
Veste-se em tecido suave e leve,
Atreve na volúpia pueril,
De perfil uma escultura transcreve,
A neve ferve de jeito febril.
Abriu seus lábios e fechou num beijo,
Molejo em quadril no corpo repete,
E promete a flor em doce versejo,
Arpejo em gemidos sobre o carpete.
Reflete na alma, frêmito da tez,
Imediatez na coxa que roça,
E coça as vísceras a escutar bossa.
Apossa-se do outro mais uma vez,
Talvez p'ra sempre naquele momento,
Atento; comprime o seio no intento.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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268
Razão e emoção
Razão e emoção; irmãs: Ruth e Raquel,
Num painel uma pinta o coração,
Mão dada, apenas uma usa o pincel,
Há anel, mas a outra age de supetão.
A razão quer saber: como, porque e onde,
Responde por todos, quase a senhora,
Embora sensata; comento desponde,
E ponde à frente da emoção, a penhora.
Agora, a emoção é toda a nossa essência,
Transparência, intenso comportamento,
Sem invento, joga sem fingimento.
E lento é o acordo, grande resistência,
Inteligência, crânio: raciocínio,
Domínio, sentimento, alma, fascínio.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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256
Po(RR)esia
No bar, luar, o poeta é pura emoção,
A canção que toca o faz longe viajar,
O seu tragar no cigarro é uma devoção,
Prisão da mente em versos vem se libertar.
Imaginar fértil; um tanto dolorido,
É ressequido por dentro pela saudade,
A vontade do abraço e sorrir divertido,
Embebido no canto, é somente metade.
E com verdade, o poeta dá mais um gole,
Engole,arde, desce seco pela garganta,
É tanta a desilusão que sua alma espanta.
E canta com um tom bem alto, a voz sai mole,
Mais outro gole, uma lágrima, piração,
Coração no papel amassado no chão.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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309
Chove você em mim
Meus muros se molham, e se encharcam,
Marcam-se nossas cores em mistura,
Estruturas pulsam, e me abarcam,
Atracam; lava toda a minha altura.
É loucura esse seu chover em mim,
Meu jardim brota, é tanto perfume,
Cardume de desejo está afim,
O seu jasmim me inunda, então me assume.
Volumes, escorrências infinitas,
Imita catarata, irrigação,
A atuação dos seus pingos me agita.
Excita-me ao extremo, volição.
Então existe esse vento, e me visita,
Levita a saia da imaginação.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
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314
Moro em provisórios de mim
E, mutantes são todos os meus eus,
Gineceus seduzem a cada instante
Em provocantes cernes androceus,
Adeus; mudei... É um tanto constante.
Avante, lei da vida, outra procura,
A cura pra ferida o tempo traz,
Em cartaz, paixão, amores e loucura,
Apura-se na gente, agito e paz.
Jaz em cada segundo uma mudança,
Herança deixada reconstrói enfim,
O jasmim nasce, cresce e seu olor lança.
Criança que madura, senil, fim...
Assim há um processo, em mim avança,
Dança, moro em provisórios de mim.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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213
Homem bonito
Eu negrito: é quem dá a atenção.
Coração leve, humor bem desprendido,
Evoluído, boa percepção,
Mão que ajuda. Sem ser um exibido.
É colorido o espírito, e verdade,
Seriedade enorme qual menino,
Peregrino saber; causa saudade,
Sem idade, seu riso em desatino.
Tem o tino em detalhes, sutileza,
Surpresa. Lembrar datas é perito.
No quesito ciúme não à mesa.
Com fineza, só ao fim, conflito,
Mito é perfeição, sem ser nobreza,
Acesa luz. E assim, homem bonito.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
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1 078
Excitação poética
É patética, enfim, é natural,
E no canal da mente, ação mofética,
Dialética de alma com carnal,
Vendaval que bagunça toda estética.
Cética até, porém vem sem aval,
Um oral engolido sem fonética,
Frenética emoção descomunal,
É amoral, profana, santa: eclética.
Hipotética ideia ora real,
Literal, de miragem imagética,
É atlética prática, afinal.
Liberal, ejacula-se a poética.
Sincrética; estimulo manual,
É visceral, de síntese magnética.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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251
Liberdade que prende
É, tende a ser gostoso o alforriado,
E dado com vontades, integral,
Sem plural, sem composto. Predicado,
Conjugado sem aspas, não verbal.
Aval com reticências, e sem pontos,
É sem pespontos, crase e sem colchete,
Brete de ócio, vírgula se tontos,
Os dois pontos falam tête à tête.
Bilhete do sujeito: coração,
Conjugação do tempo é presente,
A mente não argui. Bravo, interjeição!
Interpretação clara e convincente,
Recorrente e sem interrogação,
Aprovação, de nada dependente.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.