Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
145Garotinha
Miúda e suave; abraço de ursinho,
Cabelinho num rabo de cavalo,
Calo-me ao vê-la em seu vestidinho,
Passinho tão miúdo, quase embalo.
Falo por dentro: _Impecável figura!
É candura de ser, anjo na terra,
Sem guerra na alma com tanta lisura,
Desmesura que em pureza se encerra.
E berra o belo num grito singelo,
Chinelo de dedo, rastro alegria,
Poesia, no sonho o seu castelo.
Paralelo mundo, o da fantasia,
Euforia e gosto de caramelo.
E relo o meu olhar em tanta magia.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
388
Nu dez
Abrem-se da minh' alma todos os botões,
Sensações desconhecidas acendem,
Desprendem-se todas e quaisquer razões
Emoções de fato que se distendem...
E pendem-se gostares e desejos,
Beijo explícito na imaginação
Trovão e ventania com lampejos,
Sacolejos de vontade e tesão.
Porção febril com lascivo arrepio,
Frio e quente de eriço em demasia,
Fantasia e realidade em fio.
Principio: às vezes: afasia,
Alivia de toda a veste_ eu mio.
Desfio a meia; inteira poesia.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
372
Sobre a saudade...
Tantas vezes descrita: uma vilã
Em sã consciência ela é presente,
é quente no dentro, nenhum afã.
Uma lã que nos cobre de algo ausente.
Resistente, sem aval acomoda,
Roda de cima a baixo, ninguém tira,
E gira-nos de um jeito meio foda,
Moda? _Eterna, pois na gente respira.
Suspira na alma, nosso querer grita,
Agita-nos; é boa companhia,
Sangria de pensares que negrita.
Palpita só o bom, ruim nem chia.
Magia é impressa em nossa escrita,
Levita: mote fixo em poesia!
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
344
Um soneto para Camões
Poeta nacional, vindo de Lisboa,
Acolchoa seu saber à literatura,
Figura em moldes clássicos, estro ressoa,
Entoa em boemia, voar pela altura.
Censura-se seu afeto; plebeia e nobreza,
Acesa vida, rodeada turbulência,
Essência aponta seu lápis, delicadeza,
Realeza em versar, motins em evidência.
Vivência conturbada; ferida e prisão,
Coração frustrado em serviço militar,
e seu olhar se apaga na perda da visão.
Pois então, os lusíadas... Veio a publicar,
O seu externar valioso era alto padrão,
Com pensão miserável, 'no céu' foi morar.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
340
Injusta mente
Injusta mente
Falo de justiça e só vejo o injusto,
Um custo enxergar na vida o correto,
Direto, de peito aberto e robusto,
_Susto; não ha respeito nem por decreto!
E decerto o conceito foi-se embora,
Outrora restava incerta alegria,
Todavia, injustiça é senhora,
Aflora podridão na poesia.
Demasia; o honesto vai pelo cano,
E o fulano fura fila, e nem corre,
E concorre sozinho; causa um dano.
Plano perfeito, a cortesia escorre,
E morre-se; o egoísmo é insano,
Desengano, coração sofre em porre.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG - 30/03/2018
Falo de justiça e só vejo o injusto,
Um custo enxergar na vida o correto,
Direto, de peito aberto e robusto,
_Susto; não ha respeito nem por decreto!
E decerto o conceito foi-se embora,
Outrora restava incerta alegria,
Todavia, injustiça é senhora,
Aflora podridão na poesia.
Demasia; o honesto vai pelo cano,
E o fulano fura fila, e nem corre,
E concorre sozinho; causa um dano.
Plano perfeito, a cortesia escorre,
E morre-se; o egoísmo é insano,
Desengano, coração sofre em porre.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG - 30/03/2018
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.