Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

Perfil
71 828 Visualizações

Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

Ler poema completo

Poemas

145

Gavetas da alma



Gavetas que abrem e guardam segredo.
Nos compartimentos, tudo em seu lugar.
Algumas coisas se embaralham, dá medo.
O coração se confunde, não sabe separar.

Paixões se perturbam junto aos amores
Amor que aborda, e consentimos partir.
Misturam se ás violetas, rosas e as flores.
Choro vem, quando a causa é para sorrir.

Gavetas que arquivam cicatriz e tristeza
Gavetas repletas por doces recordações
Gavetas pesadas de saudade e emoções

Guardados preciosos, estilhaços de nós.
Cofres em arquivos, flash e imaginação.
Gavetas da alma... Backups do coração!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
214

Dos maus sentimentos



E se não nos fazem bem, porque alimentá-los?
É fato que esses anseios danificam só a gente,
E vaidosos contamos vantagem em cultivá-los.
É pena que a gente resguarde isso e tão crente.

Amor que se converte em raiva nunca foi amor.
Nem chega a ser sentimento da boca para fora.
Amar é querer o bem seja com quem e onde for,
É querer mudar-se para onde a felicidade mora.

O mau sentimento sentido; deve ser passageiro.
E é inevitável que ele dentro da gente aconteça,
E não fundamentalmente que nos vire a cabeça.

O mau sentimento corrói, oxida a gente, ligeiro.
Como se a gente tirasse pétala por pétala da flor,
Melhor é despejar na lixeira a caixinha do rancor.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
184

Pequenas grandes coisas



Se escutares a voz das coisas ao teu redor
Notarás que tudo tem imagem, tudo fala.
Uma coisa pequena pode se tornar a maior
Quando atinge o teu coração e ele se cala.

Uma mão estendida te torna em conforto
Um gesto de paciência te torna admirado
Um ombro amigo faz de ti o seguro porto
Um ato de atenção mostra-te ser educado.

Uma pequena oração faz-te na fé gigante
Um simples sorriso erradica o mau humor
É tudo isso fica para sempre, cicatriza dor.

Uma delicadeza dá vida, faz-te importante.
Um olhar de carinho é uma doação de flor.
Perdão nada custa: é maior prova de amor!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
256

Os caminhos do amor



Entre o terroso do chão e o azulado do céu
Há os caminhos do amor, diversas direções.
Existe o amargoso da dor e a doçura do mel
Existe o perder-se e o achar-se nas emoções.

Há que veja o espinho antes mesmo da rosa
Existe quem só enxerga as pétalas nos trilhos
Há quem se tranca; há quem se jogo em prosa
Existe quem é palavra e há quem é estribilhos.

Os caminhos do amor têm de tudo um pouco
E nessa passagem só o amor não é excedente
E quanto mais se ama mais o farol é reluzente.

O caminho do amor é lindo, tido como louco
Os beijos são beijos e os abraços de verdade.
E é nesse caminho que habita a solidariedade.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
192

'Turistando’



Adentrou nos mares de mim se fingindo marujo,
Sem entender as marolas dos meus sentimentos,
Saindo da minha beira; fazendo um trajeto sujo,
E fez um redemoinho em seu navegar de ventos.

E no alto mar do meu coração, o pôs em perigo,
Deixando ali jogado seus entulhos, suas escórias,
Inconsequente, só tinha olhos para o seu umbigo,
Ser poluente se achando o construtor de histórias.

O meu mar não aceita coisas que não o pertence,
Somente a vida, o sol e a brisa que embala almas,
Gotas e mais gotas de sentires, em ondas calmas.

Saiu de mim mais náufrago e a profundeza pence,
Afundou a si mesmo no irresponsável atravessar,
Em mim não se 'turista' sem a intenção de (a)mar.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
193

O amor...



Sabe-se que não tem como aclarar,
Amar é algo muito além de tudo.
Estudo nenhum pode confirmar,
E verbalizar não beira, contudo.

Escudo de palavras, assim usa,
Abusa o poeta, em sua acepção,
O coração remove da reclusa,
Efusa o sentir com a sensação.

É em vão, o escrito não é o sentido,
Transmitido em folha, letras apenas,
Amenas demais para algo fervido.

Iludido sentir, versos e penas,
Pequenas provas de algo desmedido
Fingido escrito, qual voar de renas.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
195

Prova paixão?



Provocada por pensamentos parei, ponderei.
Pedi permissão para provar, portanto; paixão.
Pude partir pelo planeta, porém permanecerei.
Pude prender passado, previ problema: prisão.

Pus palavra presa, papel pintado pôs palpitar.
Precisei praticar passagem, perpetrar porvir.
Peito presumido pululou por poder partilhar.
Pedra pontiaguda pisei. Pedregulho pude polir.

Posso provar paixão? Portanto peço perdão.
Por parecer pessoa pequena, pouco poder.
Peco por procurar porta paralela, por perder.

Provar paixão, pouco plausível, provocação.
Pois parar poesia, principia profundo pecado.
Peito pulsa pétalas, plenamente perfumado.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
212

Manhas da manhã



E toda manhã adentra sem licença pedir
Vinda de uma noite mal dormida ou não
Quase sempre traz o sol com raios a luzir
Estende-se e tarda e nos extrai redenção.

E sem alternativa permitimos o novo dia
Igual a ontem, em outro tempo e rotação.
Há coincidência nos versos de sua poesia
E existe no processo o passar de estação.

A manhã retira a mortalha dos corações
Há restauro de um sono para um sonho
Um despertar que faz o orvalho risonho.

Toda manhã chega isenta de permissões
Loira que se faz morena com o entardecer
E na passarela brilha mulata no anoitecer.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
225

A felicidade morava lá



Quando era criancinha e morava distante.
Tinha uma porteira na entrada da fazenda,
E tudo era simples, o amor era importante.
Café e bolo de fubá sobre toalha de renda.

Um pomar extenso cheio de frutos e flores,
Um córrego cristalino no fundo do quintal.
Vaca e cavalo no pasto, borboletas e cores
Uniformes tão pequenos e brancos no varal.

Um pé de santa Bárbara, nele havia balanço
Uma bica do lado de cá e de lá o galinheiro.
A galinha da angola voava sobre o chiqueiro.

O cachorrinho Tarzan companheiro e manso.
As tarefas da escola feitas à luz de lamparina
Que saudade tenho da minha estação menina!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
938

Pobreza do ser



Possui asas, sem a menor vontade de alçar vôos,
Possui boa visão, mas bitola-se a uma mesmice,
Tem um leque de tudo, mas por dentro os enjoos,
Tem o mundo de adulto, mas opta por criancice.

Tem uma vida remediada, mas de tudo reclama,
O otimismo e a fé não fazem parte do seu léxico,
Não sabe o que é amar, não aquilata quem o ama,
Aparência rechonchuda com o espírito anoréxico.

Perante cama, mesa e banho, diz que vai embora,
Usufrui de tudo que há e diz que Deus não existe,
Prende os seus pássaros, mas sequer lhe dá alpiste.

Com pensamento solto pedindo poesia, ele chora,
O dinheiro é a causa maior e só isso lhe faz feliz,
Morre de sede; sentado ao léu a beira do chafariz.

ღRaquel Ordonesღ
956

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.