Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
26Urgente
Urgente
E na pele um sol, se é noite ou dia.
Poesia derrama em toda cor,
O calor era o que transparecia,
Sentia a bolha d’água em fervor.
A flor da pele; no pelo o frisson,
Batom já havia sido comido,
Atrevido é o vento e tão bom,
O som do silêncio em alto ruído.
E caído no chão; veste amassada.
Jogada ali a surrada camiseta,
Gaveta da alma, nua escancarada.
Trançada à perna; e sem silhueta,
Careta em graça; face aliviada.
Amada criatura; e borboleta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG – 20/08/2019
E na pele um sol, se é noite ou dia.
Poesia derrama em toda cor,
O calor era o que transparecia,
Sentia a bolha d’água em fervor.
A flor da pele; no pelo o frisson,
Batom já havia sido comido,
Atrevido é o vento e tão bom,
O som do silêncio em alto ruído.
E caído no chão; veste amassada.
Jogada ali a surrada camiseta,
Gaveta da alma, nua escancarada.
Trançada à perna; e sem silhueta,
Careta em graça; face aliviada.
Amada criatura; e borboleta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG – 20/08/2019
170
Um rapaz de oitenta e poucos
Ele é Luiz Duarte de Ulhôa Rocha,
Debocha?Talvez seja assim por natureza
Acesa a vida, até hoje desabrocha.
De galocha, pra sempre gato. Esperteza.
Profundeza no saber, ser eclético,
Dialético, e ninguém lhe é estranho,
Risonho, de seriedade, ora patético.
Frenético; é sem idade o seu sonho.
Ponho-lhe coroa; peça do quebra cabeça,
Esqueça se deseja passa-lo para traz,
Sagaz, vá por mim, não o aborreça.
Envaideça, se sua amizade lhe é cartaz,
Rapaz de oitenta e poucos, inda que não pareça,
Ofereça-lhe respeito; sei que disso é capaz...
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
213
Excitação poética
É patética, enfim, é natural,
E no canal da mente, ação mofética,
Dialética de alma com carnal,
Vendaval que bagunça toda estética.
Cética até, porém vem sem aval,
Um oral engolido sem fonética,
Frenética emoção descomunal,
É amoral, profana, santa: eclética.
Hipotética ideia ora real,
Literal, de miragem imagética,
É atlética prática, afinal.
Liberal, ejacula-se a poética.
Sincrética; estimulo manual,
É visceral, de síntese magnética.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
193
Abra-se...
Trava fechada; dia ou noite na sala?
Cala o coração; há perigo e há escuro.
Um muro se fez, sem nenhuma escala.
Abala o cerne, ali o tempo é duro...
Apuro: e o sol aceito no entreaberto,
Acerto; apenas por dentro posso abrir!
Um sorrir; um vento eu sinto por perto.
Alerto: preciso urgente me permitir.
Sair da zona de conforto é ter energia,
Ver anarquia de crianças; é ímpar tela.
Na sela, há um frio que a pétala congela.
Destaramela; há pássaros e cantoria,
Qual poesia que chega e abre a janela,
Nivela a alma; a cidade de nós se faz bela.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
258
Pulsátil
Por fora, por dentro, um vento que bate,
Remate em linhas finas: sentimento.
Alento, paradoxo; um disparate,
Empate: nós em nós, gol do momento!
Fragmento de vida; é vida inteira,
Arteira eu sou; nós, quase adolescentes,
Mentes em asas abanam a poeira,
Beira do céu, ‘almantes’ e confidentes.
Poentes, luz que à noite submerge.
Diverge em sol e a sombra é volátil.
Portátil em viagens, o imo imerge.
Asperge o sentir, tremores, vibrátil,
Tátil, nossa alma na mão; tudo adverge,
Converge, seu sentir e o meu; pulsátil...
#ordonismo
Uberlândia MG
Raquel Ordones - Uberlândia MG
Remate em linhas finas: sentimento.
Alento, paradoxo; um disparate,
Empate: nós em nós, gol do momento!
Fragmento de vida; é vida inteira,
Arteira eu sou; nós, quase adolescentes,
Mentes em asas abanam a poeira,
Beira do céu, ‘almantes’ e confidentes.
Poentes, luz que à noite submerge.
Diverge em sol e a sombra é volátil.
Portátil em viagens, o imo imerge.
Asperge o sentir, tremores, vibrátil,
Tátil, nossa alma na mão; tudo adverge,
Converge, seu sentir e o meu; pulsátil...
#ordonismo
Uberlândia MG
Raquel Ordones - Uberlândia MG
168
Sobre sexta santa
Penso: deveria ser todo dia; santo!
Canto de paz entoando por todo lado,
Um desarmado mundo, sem qualquer espanto.
Manto de respeito no coração espalhado.
Telhado aberto 'pro' destrancado portão,
Boa ação seria coisa tão rotineira,
Verdadeira humanidade a lançar a mão,
Pão com fartura. Saúde, atenção primeira.
Quaresmeira por toda parte em cor, verdade,
Maldade não existiria em dicionário,
Cenário digno de amor supra; e liberdade.
Afinidade entre seres; jejum da língua,
Íngua de fofoca não causaria o mal...
É surreal, né? E a esperança só em míngua.
#ordonismo
P.S. nem falei sobre a sexta-feira santa, mas é isso.
Nem sei falar mesmo, só sentir...
(soneto duodecassílabo)
Raquel Ordones
149
Sampa
Ruas nada nuas.
Vestidas de chuva e casas.
Arrasa edificação,
Tum-tum, coração!
Centro, favela
Bela, não deixa de ser!
Ônibus, corredores.
Olores ruins e bons,
Entretons e artes.
Por todas as partes.
Carros, metrô...
Aonde vou?
Convention?
Next station?
Carnaval?
Vinte e cinco
Em quatro de março.
Pomar no mercado
Varejo, atacado.
Fechado o Braz!
Pessoas esnobes,
Pobres de calçadas,
Amiga cicerone,
Por um S
Não rima com Ordones!
A turista alada...
Igreja: ateu e fé,
Viaduto do chá.
Amor
E um café...
Raquel Ordones
(SP, 04/03/19 )
155
Par (i)ndo, eu e a poesia
Hoje ela quis parir um verso
Contrações no reverso da alma
E com calma, respirou pensamento.
Respirou... Sem esforço.
A alça da bolsa... Ouça!
Tantas coisas caíram sobre o papel
Silenciou, respirou...
Olhinhos de luz,
Era um garotinho poema...
Raquel Ordones
Contrações no reverso da alma
E com calma, respirou pensamento.
Respirou... Sem esforço.
A alça da bolsa... Ouça!
Tantas coisas caíram sobre o papel
Silenciou, respirou...
Olhinhos de luz,
Era um garotinho poema...
Raquel Ordones
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.