Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
27Erosão
Lira do falso; do fantasmal tira.
Atira; o vento dos outros, a mira.
Pira quem preza uma verdade; há ira.
Vira firme polimento: safira.
Admira: acredita em sua mentira.
Estira palavra, e nada retira.
Gira fake news e tem quem conspira.
Fira a quem ferir; suave suspira.
Delira hipocrisia; o outro rugira.
Aplaudira o conceito, o qual parira,
Transpira podre a coisa que tingira.
Agira em má fé; calúnia munira.
Cuspira seus trapos quando fingira.
Esculpira seu pódium; se aplaudira.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
765
Parnassus Contemporâneo
Chapéu negro; de costas é tão bela.
Tela no cabelo e no dedo, anel.
Pitéu;mas quando se vira : congela.
Pela um medo; que horror, coisa pinel!
Véu na alma, e pelos olhos a remela.
Mela o nariz e manca em seu tropel.
mundaréu de caras, boca banguela.
Apela em feiura e ganha troféu.
Céu de maldade, nuvem de mazela.
atrela frisson, bizarro painel.
cruel é seu jeito, em nada singela.
Anela o mal, em volta fogaréu.
Fel e pesadelo Vênus cruela,
flagela o sonho; de Zeus é um réu.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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Com certeza, catastrófico
Caminho corte; cabe cumprimento.
Constrangimento, cativo carinho.
Cozinho carne, couve, condimento.
Contento com centavos; com cofrinho.
Conjuntinho cotton, curto, cinzento.
Complemento: com coque, chinelinho.
Cedinho: crença, comprometimento.
Convento: caos, cursos, cafezinho.
Caldinho, cinema: cancelamento.
Casamento, creche, culto, cantinho.
Cheirinho clássico: casa e cimento.
Confinamento, covid, curralzinho.
Cubinho cova, com cura caimento.
Cruento chinês. Chefe, coitadinho.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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Memoricídio
Varal de poemas, artigo e conto.
Ponto de vista além do seu quintal.
Normal. Não, não; mulher não pode e pronto!
Afronto vira; se tira o avental.
Natural; inteligente em pesponto.
Tonto pensa o avesso e não dá aval.
Brutal tirar o justo; contraponto.
Confronto pra que, se é tão legal!
Rival à mulher, há um amedronto.
Aponto: já é intelectual.
Afinal: há igualdade; remonto.
Monto o enigma; não fecha nem a pau.
Letal rasgar registros. Desaponto.
Reconto: ainda devastando o jornal.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG – 20/06/2020
“Não só no Ceará, mas em todo o mundo,
houve um apagamento histórico do nome das escritoras.
Para a pesquisadora Constância Lima Duarte, este fenômeno se chama
“memoricídio”. O termo é utilizado para se referir ao apagamento das produções artísticas
e científicas de autoria feminina com o intuito de silenciá-las e invisibilizar suas produções intelectuais. ( Literatura Cearense)
.
138
Influenciadora digital meia tigela
A tal; influencer; o nome indica.
Fica o dia todo em mundo irreal.
Legal, acha que é boa de dica.
Explica como sendo magistral.
Digital; compra seguidores, rica.
Dedica o tempo em prol de si, normal.
Final: ganha tudo e resignifica.
Pudica até, pacto unilateral.
Canal perfeito de uma alma nanica.
Nadica inteligente; zen e astral.
Jornal faz de conta, seda e pelica.
Suplica: sandália por um postal?
Total absurdo; preço prejudica.
Titica; faz beicinho sem o aval.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG – 28/06/2020
Todo trabalho, qualquer que seja ele deve haver um mínimo de estudo sobre e respeito. Não sabe, não faça.
Não é porque ser “Digital influencer” está em alta que devemos ceder aos pactos que deveriam ser bilaterais. Pessoas de caráter duvidoso se passam. Ganhar é legal, né? Mas na hora de cumprir o prometido a outra face se mostra.
Não venha me dizer que você tem 15 milhões de seguidores sem comprar nenhum, que, aliás, comprar fantasmas é realmente coisa de “trouxa”; ilusão, meu bem! Talvez o Papa eu acredite.
Aos profissionais que realmente levam o trabalho a sério: a minha admiração. Aos picaretas: que peninha!!!
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Feijão
Semente na mão; terreno adubado.
Molhado, rescendendo intensamente.
Sutilmente cada grão foi jogado.
Abraçado pelo chão docemente.
Naturalmente o feijão foi adotado.
Confinado no escuro; claramente.
Presente no processo: é plantado.
Aguardado, na fé: rapidamente.
Contente o lavrador crê: capinado.
Brotado; vem um ramo ‘verdemente’.
De repente a vagem; algo encantado.
Olhado o casulo; surpreendente.
Recipiente bom, multiplicado.
Sagrado; mesa farta brevemente.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG – 31/03/2020
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O poema só quer ser feliz...
Quis o poema ser feliz. Falou:
_Ou, quero borboleta e chafariz!
Matiz verde nas folhas. Assinou:
_Sou o que quero ser e xô cicatriz!
Fiz o primeiro verso; concordou.
Estalou os dedos, então ergueu o nariz:
_Motriz é esse amor! A ele apelou:
Fechou sua boca após pedir bis.
Verniz: resguardei o cerne, seu teor.
Flor? _Muitas no balanço, ao vento.
Alento. _Figura linda de amor.
_Senhor poema, está a seu contento?
_Isento de reprovação; um primor!
Beija-flor pousou e beijou nosso invento!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG – 27/03/2020
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.