Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
81BBB
Feito: TV reporta seu desserviço,
é isso; mas qualquer pessoa entende,
tende toda a falta de compromisso.
Cortiço de conteúdo que ofende;
E transcende uma falta de respeito;
É estreito o saber, da inteligência;
Referência a nada é o conceito.
Eito entre a sanidade com demência.
A essência parte; fica a condição.
Contramão do instruir e de cultura.
Estrutura que traz desconstrução.
Educação não tem. Falta postura,
Ruptura, desavença e confusão.
Milhão; do tevente, fora da altura.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
30
O botão está tristinho
O tecido, uma agulha, uma linha e o botão.
a mão fazendo vai e vem, tão bem costurado,
Aparado o resto que sobra, fecha o vão.
Tradição: mulher esquerdo; homem, o outro lado.
Pregado num ponto estratégico: intenção.
Posição pontual; é algo organizado;
Fixado em estilo cruz; noutras vezes, não.
São pretos, brancos; colorido e perolado.
Calado, com as lágrimas na rodelinha.
Pecinha que em matéria de proteção, arrasa.
É asa para o pensamento na entrelinha.
Peninha ver o botão com emoção rasa.
Vaza um estado triste; então ele se aninha,
Da janelinha: ele vive fora da casa.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
30
Vilã da vila
Era uma vez uma traça traiçoeira;
Madeira e papeis; prato quente: canja,
A marmanja tragava até cadeira,
Prateleira proteína; fingia: a anja.
Esbanja gulodice; treco e trapo;
Fiapo de papeis, não; livro inteiro.
Canteiro: furinhos no guardanapo.
Papo de doido: fazia um piseiro.
Sorrateiro ser; foge se é dia.
via nas estantes; obrigatórias;
Notórias idas; folhas: travessia.
Assepsias: coisas bem ilusórias;
Memórias do livro, inseto engolia;
Comia; a barriga cheia, de histórias.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
90
Congela a imagem
De banho tomado, cheirinho de sabonete.
Ramalhete; pétala-ombro orvalha uma gotinha,
Caminha descalça pro quarto, alcança o tapete.
Bilhete se escreve: “de mim pra mim, cansadinha!”
Aninha no lençol; uma mistura no cheiro;
travesseiro num abraço bem gostoso de urso;
Discurso e apertos, não pagam com nenhum dinheiro.
Conselheiro e consolo; se o sono é incurso.
em curso de sonhos, adormecida; mas tão ela.
Canela é cor; a canela é tão roliça;
Preguiça gostosa num suspiro; nua e bela.
E congela a imagem; psiu! Ninguém mete o bedelho.
Espelho de si; coxa sem colcha, alma enfeitiça.
Eriça; coberta só com esmalte vermelho.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
30
Querer visceral
Toque: tecla que exerce sobre nós, poder.
é ser frágil mediante a algo tão sem mando.
Comando instintivo: vem, faz acontecer.
Gemer é irrefletido; a carne intimando.
Aflorando pelos poros brota o arrepio;
Rodopio de desejo, fome e saudade;
Verdade que o corpo exala e grita à fio;
Extravio de nós, em versão tempestade.
Vontade indomada quando há pele com pele;
Expele de dentro os quereres. Visceral.
Carnal pungente; a alma sem condição, impele.
-Rele-se em mim; que na sua textura, esfrego.
Escorrego em saliva; e que nada a protele;
Grele-me ao seu prazer; só meu! E me entrego.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
43
Fundo musical
Nuvens desapegam das gotas; uma a uma.
nenhuma fica triste; hora de chover.
Escorrer pra baixo, para a terra ruma;
E pruma, o vento faz tudo acontecer.
Obedecer: difícil essa missão;
Então despencam: - iupi, e vamos nós!
Após soltar; uma em cada direção.
chão: limite; ao longe ouve cada voz.
-Pós? Cof, cof! Caí no meio de um montão!
-Não, não, não! Não quero chover no molhado!
Ilhado num copo, cai um pingo safão.
No vão da porta e da janela: tum-tum!
-Hum, rolei pela folha, sem corrimão!
No espigão um pingo gritando: - ai, meu bumbum!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
35
Delícia e pavor
Encontrei com o amor virando lá na esquina,
Imagina! Atravessou a minh’alma ao me olhar;
-Ar, ar, ar, ar; onde está você, seu traquina?
Fina, catei vento a laço pra respirar.
Parar, única coisa que pude fazer;
Correr me propus; estava toda travada,
Gelada, muda; sem ação para atrever.
Querer não era opção; tímida e embasbacada.
Coitada de mim! Era uma vez! Deu calor.
o amor se achega; daí, não sei mais o quê.
Lê o meu coração, e fala: amei o seu humor!
Cor de tomate, a minha; cadê meu dublê?
Abecê do sentir; delícias e pavor...
-Amor, foi espetacular encontrar você!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
77
Por um triz, tesa...
Na cadeira, pernas cruzadas sob a mesa.
Sutileza na pintura; cabelo: coque.
Retoque impossível, veio da natureza,
Fineza nos ombros; leãozinho berloque.
Estoque de alegria, pacotes de humor.
Flor sobre a mesa e uma tatuagem no pé.
Fé é engrenagem, graças ao Senhor!
Frescor no seu ser; e a quentura do café.
Pontapé, mais um dia; o telefone toca;
e desloca para um lado, imprime os extratos;
Contratos, balanços, pix; a reuniões convoca.
Sufoca às vezes; trabalho é dureza,
Surpresa, sorri ao fim do dia e fofoca.
Troca o uniforme e se vai, mas por um triz, tesa.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
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Soneto para Bilac
Respeito ao construir cada verso;
Universo em métricas e perfeito.
Jeito único expunha seu reverso;
Imerso no polir; tão sem defeito.
O conceito: servir a deusa forma,
Norma de linguagem elaborada;
Padronizada, isenta de reforma.
Performa uma estrofe cristalizada.
Rebuscada e objetiva a sua cria,
Desvalia um romance; caricato,
Insensato ao comum, ousadia.
Joalheria; nobre artesanato.
Aparato à musa poesia;
Escrevia a fim do relevo exato.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie #olavobilac
80
Sem hora pra gole de poesia
Estrago no salão; ela não bebia,
Poesia, o seu preferido trago,
Afago que da sua alma escorria
Trazia consigo um sereno lago.
Vago era o tamborete ao seu lado,
Trincado um copo, no chão uma bituca,
Muvuca ao fundo, som desligado.
Embriagado moço; e ela maluca?
Sinuca, bebida e tanta fumaça,
Taça imunda; belo riso ela abriu.
Retribuiu o garçom, quase a abraça.
Faça o favor: a folha pediu,
Dirigiu-se à mesa com graça,
Traça e retraça versos; depois saiu...
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.