rayres mary

rayres mary

n. 1999 BR BR

Olhar para o céu é como uma oração. Aprender sobre plantas medicinais é o que herdo de minha mãe. A solidão é um abraço com Deus e o partilhar de sentimentos com alguém é um abraço com o próximo. A escolha é nossa liberdade e a prisão é estar vazio. Acreditar na eternidade é o verdadeiro preenchimento. Ser humilde e se reconhecer como pó é para os que verdadeiramente evoluíram.

n. 1999-10-22, FORTALEZA

Perfil
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aura

Eu te vi andando na calçada do outro lado da rua, num entardecer rosado. O céu estava  lindo, as árvores balançavam de alegria quando tu passavas exalando aroma de baunilha,  laranjeira... Ah, cheiro de inocência!  

Os meus olhos te guiaram até você virar a esquina do parque, mas enquanto você não  estava perto de virar, eu admirava teu andado flutuante, teus olhos fixados no horizonte e  um sorriso tímido que ofuscava com por do sol... Não sei com quem você ia se encontrar,  ou o que você ia fazer, mas nunca me senti tão plena ao ver alguém andando na rua com  tamanha presença e júbilo no rosto e no caminhar... Não sei nem ao menos quem você  era, mas quando você dobrou a esquina, levou consigo toda aquela tarde tranquila e  rosada com aroma de baunilha!
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Biografia

Olhar para o céu é como uma oração. Aprender sobre plantas medicinais é o que herdo de minha mãe. A solidão é um abraço com Deus e o partilhar de sentimentos com alguém é um abraço com o próximo. A escolha é nossa liberdade e a prisão é estar vazio. Acreditar na eternidade é o verdadeiro preenchimento. Ser humilde e se reconhecer como pó é para os que verdadeiramente evoluíram. 

Poemas

20

paixão

 

Achei que fosse débil o meu amor por ti. Pensei que fosses igual a mim, porém, me enganei. Quantas noites estive a chorar, escrevendo poemas para ti, ceticamente, mas apaixonada. Não era fraco; era forte como cada lágrima caída, achando que jamais seria correspondida. Eu queimei aquelas palavras, as queimei na solidão do meu quarto. Pensei que aquele sentimento seria queimado também, mas não: ele sobrevive ardentemente. Eu ainda te amo profundamente e queria o mesmo de ti, pois o amor não virou cinzas; ele permanece queimando dentro de mim.

154

LÁBIOS-SOLARES

olhei nos teus olhos e vi a luz da noite,
um cometa passando, teu sorriso dançando
teus lábios-solares estavam me chamando para um eclipse beijo 
e, devagar, arrastou-me como buraco negro
e todo o universo nos contemplou 
porque nosso beijo fúlgido 
virou a mais bela estrela de amor

33

noites

O vento ameno traz em si memórias de noites simples, contudo alegres! Lembranças de nossas mãos entrelaçadas, girando ao som de Blood on the Dance Floor, e os sorrisos quase à meia-noite, do nosso contentamento com a união e o amor, da minha felicidade colossal por motivos tão bobos. Oh, Deus! E hoje eu sinto o vento soprando, anelando esses mesmos momentos... Daria tudo ao mundo e ao Universo por essas noites mais uma vez.

34

memória

Uma flor surge, mas com o tempo o vento a derruba.

Um olhar se faz, e a flor cai. 

Tudo o que sobressai, se desfaz.

O que é belo, o que faz bem, sempre se esvai.

Só se salva em retrato, em escrito, melodia e memória.

E lá fica. Nunca se esvai.

23

vida e morte


Em um ônibus em movimento, eu tentava voltar pra casa. Enquanto me aproximava do ponto, luzes vermelhas refletiam, e havia um amontoado de pessoas.

Meu corpo cansado, a mente pesando. Mais à frente, vi um homem estirado, com sua vida escorrendo sobre o asfalto.

E tudo em mim ficou mais pesado. Percebi minha vida dentro, e a dele fora, um semblante triste, aquele que a morte exibe.

Meu destino continuou, e o dele, não. E foi isso o meu pesar. Foi isso a minha dor. Perceber que meu corpo seguia em frente, enquanto o dele estava ali, exposto para todos verem: jogado, assustado, machucado, sem poder viver, sem poder voltar pra casa.

28

automático

tem um setembro no meu outubro. tem uma mosca no meu quarto. é tarde de domingo e estou emitindo sons na cabeça feito a mosca pela qual me rodeia. não só ela, como também as doenças. os ardores, o calor, a tristeza. um copo de leite não relaxa o meu ponto de massa. nem um pedaço de pão com a pior margarina com 60% de gordura.
estou sendo 1% de mim desde o início do ano. não avanço, mesmo sentando e tentando ler, estou secando. isso não é tentar. isso é se perder no tempo mesmo sem tempo contando os numeros do relogio na tela do celular como se o tempo fosse me matar, como os livros e as palavras não lidas e não expressas.  eu tenho uma semana para envelhecer e ainda não lancei um livro de poemas, não construi uma casa na árvore e nem entreguei a minha última carta, ainda não joguei com meu companheiro de vida bexigas cheias de água e tampouco subi a árvore para compor uma canção nem mesmo dedilhei um violão e não pulei na água mesmo estando abaixo do pescoço eu sorri apenas e depois fiquei séria. é só isso que sei fazer: ser séria e fingir ser feliz em meio a tanta desorganização de vida sem tostão e sem rota concreta de beijo, amor e suor, de sonho e estabilidade de mente e de alma. está tudo empoeirado, livros espalhados, retratos dentro das páginas perdidas no tempo contendo magia de anos atrás quando fui criança  e feliz quando tinha nada e ao mesmo tempo tinha tudo e hoje nada tenho só tenho um nada enorme desenhado na minha memória, nas paredes, na mão de uma corda. há tempos não escrevo uma história senão poemas livres de doenças sentimentais e resquícios de tanta gente que desgraçou meu eu e de tantos eus malfeitos e mal escritos dentro do meu coração discreto incoerente e poroso. poroso feito corpo de ator prestes a enraizar os pés no solo e erguer os braços na inquietude e desejo de alcançar o céu e a presença mística quase impossível de um intérprete bicho corpo não doido mas todo, ser todo no espaço tempo em outro mundo, outro mundo tão desejado e distante. reparo em mim e nos outros de corpo e tenho visto tudo embaçado manchado preto porque minha visão não serve mais para mim quanto menos pra você é por isso que sem poder enxergar o mundo me apaixono desfocado e assim prosseguem essas doenças malditas quase raras de se acontecer  e me desfoco e vejo o outro desfocado mas tudo em meu peito é tão nítido, calado, forte e gripado, rouco e exausto. parado e sem teto sem vez uma mão única e estupidamente gelada sem graça só fervura de teclados e jogos antigos de jogo dramático do pierre encostando no meu garfo e nos teclados de uma semana quente quente e infernal de dores e de sangue sangue sangue sou estudante com útero dilacerante e de sinal fechado para eu mesma e para quem não obedece minhas regras dentro de um carro dando marcha e acelerando até chegar na esquina de uma rua para comprar todos os ingressos de uma peça de um escritor defunto aclamado e imortal de um roteiro estupidamente horrível de romântico com amor e morte e ode é uma confusão ostentar amor na arte sem ter visto e sentido um de perto mas atriz ator é ser isso e tudo um tico de jogador e mal jogador sem ter aprendido as regras e ainda assim ter se jogado no calor de uma cena de ser um piloto uma máquina e um objeto. de se misturar e escrever tudo sem ver sem pensar e ser rápido como vento de corrida no rosto as quintas eu não sei você mas isso não é viver, viver é ser pintura emoldurada na parede para todos ver e ali, nunca nunca nunca tu vais morrer pelo contrário vai eternamente viver dentro de um outubro no quarto enquanto pessoas te rodeiam e te observam feitos moscas famintas a procura de qualquer coisa para saborear e viver mesmo sendo péssimo ainda vao te rodear e falar e falar ou se tocar por tudo o que foi dentro daquele quadro velho e eterno restaurado centenário quadrado e intocável
intocável.
86

onde se acham esses sonhos

o amor é uma canção de infância
brincando de esconde esconde dentro de um coração de criança 
ainda não achei minhas bonecas e patins
tampouco os parques e passeios de bicicleta
os aniversários com doces e bolos 
onde se acham esses sonhos
quando se é adulto criança?







(A-ha - Stay On These Roads)






 
 
79

libriana (o)

sempre estou na posição de uma balança
peso a mim e a todos em meus dois lados
quem fala e quem silencia
quem esconde e paga

eu meço os dizeres do passado
do presente e do futuro
e nunca chego a um veredicto

tudo pesa igualmente
de um lado eu sorrio
e do outro eu choro

eu apenas não sei ter duas metades
de um lado a mentira e do outro a verdade
102

meus olhos doem

meus olhos doem
eles se abriram e enxergaram o mundo
e doem porque não é a luz que incomoda
é a tua escuridão
229

pouco


te procurei há tanto tempo
ainda sem saber o teu nome 
mas sabendo a tua voz e o teu rosto
permaneça assim
me visitando pouco a pouco
e me fazendo sentir tanto 
tanto que nem sei mais meu nome 
só o teu dito pelos meus lábios
115

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Marcos
Marcos

Oi