Renato Franklyn

Renato Franklyn

n. 2000 -- --

Eu gosto de escrever. A gramática pode não estar totalmente correta, porém farei o possível para acertá-la.

n. 2000-09-14, Pernambuco

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O Inacabado Projeto de Jacy

Não se precisava ler o jornal, pois todos já sabiam do ocorrido de tão corrido que foi o boato. Nada aquietava os olhares agudos que a vizinhança lançava, ora com sua piedade, como se de alto escalão ocupassem o céu, ora com suas verdades, como se espalhassem novamente as mentiras de Jesus Cristo.
   De verdade era a dúvida de Jacy. Não conseguia acalentar seus desejos, já não tinha perturbações com a morte da sua infância. Seu corpo obedecia às regras da vontade, mesmo que fétidas. Aliás, a podridão das suas volições era o que movia seu prazer, o que deixava suas coxas úmidas, suas canelas bambas e seus pés se contorcendo. À medida em que a sua incerteza aumentava, seus dedos estalavam mais, e suas canelas ficavam mais fracas, e suas coxas mais embebidas.
   Tornou-se mulher por arbitrariedade. Decidiu no uni-duni-tê, porque não tinha tempo pra mais indecisão... Ela precisava amar. Se armou de todas as formas: brincos argola, pulseiras doiradas, batom vermelho carnal, lápis de olho e só; ela não sabia como fazer o resto, não tinha aprendido ainda.
   Na madrugada das 22h, Jacy decide não ter mais dúvidas. Afinal de contas, quem poderia usurpá-la senão seu doce carrasco? Quem mais poderia amá-la, trazer-lhe o amor do qual provou apenas uma vez? Ninguém a não ser seu guardião, seu amigo, seu maior ídolo.
   Jacy se decidiu mais uma vez pela manhã. Sabe que terá que esperar muito tempo para que seu noivo possa desposá-la novamente. Mas sabe que quando estiver com pelo menos seus 14 anos de idade, reencontrará seu amado. Seja ele visto como o carrasco que forçou um estrangeiro ninho em sua barriga, ou como o príncipe que lutou contra os ideais convencionais do nosso tempo para amar... Jacy sabe que o ama e que é recíproco.
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Poemas

2

À Noite, Eu e o Real

Vou tomar um banho pra tirar o teu cheiro do meu corpo
Pois se no encosto da noite o sereno não vier
E uma desculpa me faltar pra justificar o molhado do rosto
Direi que não foi por vênus-mulher
Será pelos martírios dos ledos enganos
Solavancados pelos deformes da face da Lua
Que nos encobre as tristezas por debaixo dos panos
E em forte foice nua,
Crua,
Rasga o nicho das madrugadas de TV,
e janela,
e ditos poemas em aquarela,
e paródias teatrais de um personagem a se ser.
É o chamado balanço da realidade
Onde não se há desengano
Numa noite de frieza fria, de choro chorado,
Na fala do protagonista em dizer no mastigado da raiva
"Eu não te amo"
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O Inacabado Projeto de Jacy

Não se precisava ler o jornal, pois todos já sabiam do ocorrido de tão corrido que foi o boato. Nada aquietava os olhares agudos que a vizinhança lançava, ora com sua piedade, como se de alto escalão ocupassem o céu, ora com suas verdades, como se espalhassem novamente as mentiras de Jesus Cristo.
   De verdade era a dúvida de Jacy. Não conseguia acalentar seus desejos, já não tinha perturbações com a morte da sua infância. Seu corpo obedecia às regras da vontade, mesmo que fétidas. Aliás, a podridão das suas volições era o que movia seu prazer, o que deixava suas coxas úmidas, suas canelas bambas e seus pés se contorcendo. À medida em que a sua incerteza aumentava, seus dedos estalavam mais, e suas canelas ficavam mais fracas, e suas coxas mais embebidas.
   Tornou-se mulher por arbitrariedade. Decidiu no uni-duni-tê, porque não tinha tempo pra mais indecisão... Ela precisava amar. Se armou de todas as formas: brincos argola, pulseiras doiradas, batom vermelho carnal, lápis de olho e só; ela não sabia como fazer o resto, não tinha aprendido ainda.
   Na madrugada das 22h, Jacy decide não ter mais dúvidas. Afinal de contas, quem poderia usurpá-la senão seu doce carrasco? Quem mais poderia amá-la, trazer-lhe o amor do qual provou apenas uma vez? Ninguém a não ser seu guardião, seu amigo, seu maior ídolo.
   Jacy se decidiu mais uma vez pela manhã. Sabe que terá que esperar muito tempo para que seu noivo possa desposá-la novamente. Mas sabe que quando estiver com pelo menos seus 14 anos de idade, reencontrará seu amado. Seja ele visto como o carrasco que forçou um estrangeiro ninho em sua barriga, ou como o príncipe que lutou contra os ideais convencionais do nosso tempo para amar... Jacy sabe que o ama e que é recíproco.
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