Sinto o frio Pois a noite chegou Sinto a dor, pois o amor acabou, Sinto nada, pois nada há para existir, Sinto o medo, pois a solidão é de mim. Sinto o ardor Pois você não está aqui E o que tenho agora se não for o sentir? Sinto a falta, da alma, da calma, da cama, Pois só resta a noite que chama.
Sinto o frio Pois a noite chegou Sinto a dor, pois o amor acabou, Sinto nada, pois nada há para existir, Sinto o medo, pois a solidão é de mim. Sinto o ardor Pois você não está aqui E o que tenho agora se não for o sentir? Sinto a falta, da alma, da calma, da cama, Pois só resta a noite que chama.
niterói.rj | 2009
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273
Saudade
Amiga, contente encontra-me, abraça-me como fosse companheira E ri, e de mim se agrada Pois sabes que aqui é à hora mais pura e verdadeira E entrego-me, sem ao menos reclamar Seus argumentos são únicos Não consigo contestar
Sabe que podes ficar aqui Mas, nada nunca a satisfaz Sua presença é necessária, tanto para mim quanto pra ti e bem vinda, me apego a seus caprichos
Sabes tomar conta, na forma mais perfeita Acalenta o que mora por dentro Pois essa amiga, confidente, sorridente Chama-se SAUDADE, sempre leva-me de volta pra perto da verdade que é a lembrança agradável dos dias quentes,
Das tarde mornas Das noites em que eras toda para mim
moreno.pe | 2012
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263
Almas Cruas
No vale, onde as tristes almas cruas, correm, no fio das pedras nuas, reclamam o vil destino escolhido Tentam por derradeiro o mensageiro encontrar Lembram dos pesadelos que as alimentam Pois, noite inteira resposta não há Gritam, esperando dos ecos, o caminho escondido mostrar E colhem dos rios, suas águas sujas, Esquecendo das vidas, vividas, perdidas Por alguns sentidos Ou sentimentos vulgar
niterói.rj | 2010
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286
Adeus
Quando foi o último beijo, abraço e adeus? Seu sorriso, pés descalços e adeus Último cheiro suspiro, palavra e adeus O momento exato sem futuro, o dia que não existia, a noite que se perdeu, o amanhã que se queria, a vida que se despia, o sonho que não dormia o filho que não se deu Seu último olhar, O ADEUS
niterói.rj | 2009
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262
Do Lápis ao Pó
O vento forte de meus pensamentos, Carregando minhas lembranças Misturando meus sentimentos.
Imagens sussurrando em minha cabeça palavras flutuando pelo ar
O traço, o bico da pena A letra da música musicando, o barulho estático das fotografias o movimento suave do pincel, riscos e acertos, rabiscados num pedaço de papel
Vestígios de arte espalhada pelo chão a pintura desbotada da parede
O devaneio do vício O sonho que acordou O ensaio desatinado de menino, Nos olhos de quem lhe encantou A busca incontida, o encontro, quem sabe talvez, do lugar onde minha alma-perdida, sem a sua se refez.
são gonçalo.rj | 2009
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270
Arte Completa
Abro os olhos e inteiro, enxergo o que mais quero Rósea flor rubra menina Inerte e inapto, incapaz me desviar de tua retina Escravo, nato amar-te é minha sina
Raciocínio lento que agrava Enquanto tento me sustentar Macios lábios, teus, me afundar Gota saliva, escorrendo entre os dedos bicos doces salivar, umbigo faminto tocar, coxas, curvas Arte completa, admirar por enfim, em teus pulmões respirar.
salvador.ba | 2012
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250
Alma
De onde alma vieste? Por onde não te busquei Achara-te no caminho tão só Quanto a mim encontrei
Perdida no mundo tão negro, Criado em rica ilusão Contida em tua pureza Reprimida na tua emoção
Os ventos guiaram o tempo Sem saber aonde irás Remoendo os desalentos Olhando os pobres mortais
Observa a tristeza, da humana natureza voraz No caos de sua insana ganância Saciando seu egoísmo sagaz
Vestida com pés descalços No silêncio da sensatez Necessitas de um caminho claro, Que a morte da virtude desfez
Donde alma achas-te, Esse orbe querer habitar? Onde rude costume cultivam, Desprezando uma vida honrar.
Carregas uma esperança no peito Que o desgosto não consegue despir Herdas dos nobres espíritos Esse jeito distinto a seguir
A Longa planície é árdua A quem tenta os outros comprar Quem sabe um pouco mais tenro Aquele que deixa o coração lhe guiar
Já vistes o pôr do sol, no alto da montanha se abrir Nos mares, a solidão sorrindo, nos braços de quem se viu partir
Já viste a noite secar, na espera da consciência. A amargura tendo filhos, em sua descendência
Viste portas de lares fechadas Para vidas inteiras roubar Ideias, frágeis de um novo rumo Amante do tédio vulgar
Culpa em cada um é tida Na Teima em desviar da estrada, como se o torvo fosse conquista, para uma alma desencontrada
A ermo, então, segues como arauto Lendo o livro escrito a mão Elevando os olhos ao alto Aceitando a salvação
Recitando pelos lugares Os versos escolhidos do não mentir Alheio a gozos vulgares Atento para chamada Com olhos fitando ao subir.
niterói.rj | 2011
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257
Inteiro
Deixe-me ser esse inteiro Aquele, a quem amam não me serve mais O rosto que a máscara cobria não é o mesmo que o espelho me trás Talvez um pouco mais forte talvez e nada mais Só me deixe ser inteiro Pois metade não me cabe mais Talvez um novo estranho pra aqueles que conhecia talvez um novo amigo Pra aqueles que perseguia.
O desperdício de ser parte não mais me satisfaz Então, deixe-me ser esse inteiro por essa noite e quem sabe, metade nunca mais
niterói.rj | 2011
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247
Despida
Apenas mais uma entre vós, conseguirá encantar o encantador Apertar os laços no abraço, na busca incontida do amor As vozes que clamam, os olhos que amam, em tensa rubra retina O gozo, riso de menina Simples contentar nessa rotina Esquece-se do véu em branco linho fino cortado Que como nuvem pelo céu se espalha Nas noites que brinca escondida recebendo apenas migalha Mero espelho, imagem refletida Pois não acredita, no límpido vestido que usa Que de tão sujo por outras, O tempo, despida a deixou.
niterói.rj | 2011
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239
Laços Fortes
Mudei a mesa de lugar Arrumei um bom disco Já pus na vitrola pra tocar Mas ainda não sei como desatar esses laços
Esses laços fortes, seus abraços Talvez tão forte que nunca consiga me soltar Mesmo que as cartas mortas Não tenham mais os cheiros das rosas cor de rosas
Equilíbrio ainda se tem Mas as plantas do jardim não são as mesmas E as paredes não têm a mesma cor Nem a tenda da sala, estendida que você criou
Não quero apenas o desapego dos teus desejos Pois sabes que és a pessoa especial Foi a sorte de se ter o que se tem Acomodado bem apertado, No acalanto forte dos Teus braços
Ah, e assa vagarosa ansiedade De mãos dadas com sua sutil lembrança Enroscam-se pelos dias que se findam, Insistindo em se renovar a cada descuido do nascer do sol Em outros desenlaces, descortinados em frágeis lampejos de alegria
Mudei já a mesa de lugar Arrumei um bom disco Já pus na vitrola pra tocar Mas ainda não sei como desatar esses laços Esses laços fortes, seus abraços Talvez tão forte que nunca consiga me soltar Mesmo que as cartas mortas Não tenha mais os cheiros das rosas, que você deixou...