Rodrigo Conte Cunha

Rodrigo Conte Cunha

n. 1978 BR BR

n. 1978-03-07, Belém do Pará

Perfil
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Verdades

Sobre qual verdade nos debruçaremos hoje?
Sobre a que nos distancia da alma e não livra da agonia o nosso coração?
Ou sobre a que nos cala diante de todos, sem revelar a nossa louca paixão?
Não sei se luto para ser quem eu devo ser...
Ou se luto para revelar o que eu quero, quem eu realmente sou.
E então, como fugir da dor, se para ambos os lados haverá perdas irreparáveis?
Como evitar que o peito se aperte, independente das escolhas?
Coragem para decidir?
Impulsividade para acabar?
Sofrimento para mentir?
Dúvida sobre qual verdade revelar?
Saudade quando te vejo partir?
Tristeza quando te vejo voltar?
Drama quando penso sair?
Felicidade quando sonho que dá?
Paixão que insiste em resistir?
Amor por quem devo evitar?
Será que meu destino é esse mesmo?
Fadado a enganar a saudade, enganar meu pensamento e esquecer você?
Enganar, enganar? Dúvidas e mais dúvidas...
Ao tempo em que esse querer comprimido me sufoca, me cala...
Enquanto for dono de mim, provavelmente optarei pelo dever ser...
Ainda que incontrolável o meu ser...
Esperar pelo tempo, arteiro quando resolve apagar o passado...
Desprender-me das horas, ocupar a mente e rezar...
Porque apesar de saber o que fazer, quando penso em esquecer, lembro de você.
Teimarei por seguir nessa linha, que me remete a uma longa estrada
Torcendo para que meu ser resista, sobreviva
Ofuscado, sem brilho, sem dono
Consiga calar a minha voz
Ao me esconder, saibas que não conseguirei por inteiro...
Ainda posso controlar a boca por enquanto, mas meus olhos não resistirão!
E lhe seguirão, brilharão quando você passar...
e, conectados com o olfato, encantar-se-ão com o seu cheiro
e sorrirão muitas vezes através das lágrimas...
E então, seguiremos na dor, escondendo uma das verdades...
Definidos pela verdade dos outros, aos olhos dos outros
Torceremos para que, agora, o tempo não pare...
Nos atropele e, mais do que nunca, nos tire da implacável solidão
Esta, aos nossos olhos
Que jamais seja mandante do desassossego
Em nossos corações.
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Biografia
Nascido em Belém do Pará, é autor do blog conteatemil.blogspot.com.br, um espaço no qual expõe pequenos textos autorais através dos quais busca compartilhar as suas impressões do mundo no que diz respeito ao que emociona. A emoção enquanto conexão com os prazeres - ou desprazeres - da alma. Tornar isso público representa o desejo de contagiar, inspirar, emocionar.

Poemas

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Um só corpo

E no cair da madrugada
Senti tua mão em mim
Acordei assustado, confuso
Meus olhos quase não abriram
E quando dei por conta
Entendi
E virei, sussurrei ao seu ouvido
Palavras quentes dos amantes
De amor, desejo, prazer
Por um momento infiel
Sem pudor algum
Desprendi-me do respeito e viajei
E falei que iria te despertar
E nos lençóis, o desencontro
A boca salivou, teu pescoço beijou
E aos poucos foi ao encontro do colo
E por lá fiquei brincando
Sua camiseta não se segurou
Fugiu de mim, deixou-nos a sós
Beijei ambos sem deixar ciúmes
E seus gemidos deram o alerta
Vá além
E minhas mãos me fizeram companhia
Tirei-lhe o resto para entrar o frio
E então
Mais uma vez
Cúmplice, covardemente
Minha língua deixou a boca para trás
E quente como a mente
Invadiu-lhe, adentrou-lhe e descobriu
E se lambusou
E foi além
Num ritmo coordenado pelo gemido
As mãos trabalhando pelo seu corpo
Inimigas uma da outra, separadas
Transpirando de desejo
Seus pés me disseram
Vem pra cá
Suba, aprofunde-se
Rastejando-me pelo seu corpo
Busquei o encontro mais profundo
Por completo nos cruzamos
E o suor não mais era unicamente seu
E as bocas tornaram-se uma só
Coladas, as línguas conversaram
Íntimas, vibrantes
Dois transformaram-se em um
Açoites brilhantes
Palmadas vermelhas
Corações alucinantes
Tudo se fundiu, reencontramos o prazer
O ritmo sincronizado fez brotar o ápice
E tudo de mim saiu ao seu encontro
E tudo de você fez reviver o reencontro
Me vi em ti
Você sorriu pra mim
Descobri o seu sim
E ao seu lado
No cair do amanhecer
Nossos lençóis reapareceram
Adormecemos
E eu, morto de saudade
Voltei a sonhar com você.
303

O beijo

Um olhar
Me aproximei com as mãos
Peguei nas suas com delicadeza
E fui ao encontro do teu rosto
Nossas testas se tocaram
E depois, levemente, seu nariz chegou ao meu
E como se estivessem estudando a eles mesmos
Brincaram carinhosamente
E aos poucos
Os meus lábios foram ao encontro dos teus
Quando então, no calor da emoção
Nossas línguas se cruzaram tão ardentemente
A respiração acelerada, o envolvimento foi total
Minha boca ali, completamente refém do seu rítmo quente
Foi reflexo da minha paixão e imensa saudade do teu beijo
Seus lábios macios, molhados, sincronizadamente me invadiram
Sugaram de mim toda minha vontade
E um beijo valeu mais que mil palavras
Eloquente, esse beijo fez valer a química que entorpece todos os nossos mais íntimos desejos
Revelador, desafiador
Nunca é somente mais um beijo
Mas de sempre em sempre
Um beijo que preenche os repentes de vazio que vez ou outra teimam em tropeçar pelos nossos caminhos
E tentam fragilizar os amores recíprocos das nossas vidas
Em vão.
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