ROGERIO HENRIQUE CASTRO ROCHA

ROGERIO HENRIQUE CASTRO ROCHA

n. 1974 BR BR

Busca na poesia uma saída para a cureza do dia a dia, um olhar lírico e sensível às coisas da vida. Nos versos plasma as percepções inauditas das vivências de toda uma vida.

n. 1974-04-27, São Luís

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ENQUANTO

Enquanto você passeia, eu escavo relíquias.

Enquanto você dança, eu ouço vozes distantes.

Enquanto você ri, eu grito para o nada.

Enquanto você se agita, eu descanso no solo.

Enquanto você cozinha, eu respiro o pó das horas velhas.

Enquanto você ouve Brahms, eu me retorço em pesadelos.

Enquanto tuas mãos tateiam a porta, eu silencio.

Enquanto tu sobes a escadaria, eu sorvo mais um café.

Enquanto teus olhos marejam, os meus cintilam qual vaga-lumes.

Enquanto te finges de morta, aprecio a tarde deserta.

Enquanto tratas teus casos, eu desço a rua com mil coisas na cabeça.

Enquanto tu tomas sorvete, eu vejo Chaplin mais uma vez.

Agora ouve! Ouve essa música estranha, a tocar vazia,

sem ressonâncias, num vento que vem de tão longe.

É outro tempo agora. É outro fato, outra substância.

Ficamos nós atordoados (parece), atados à errância.

Agora sente! Sente a rapidez dos bytes, nesse tráfego incessante.

A crueza que impera nas luzes foscas, nas frases tênues dos frios painéis.

Sentamos nós acomodados (percebe-se), nas antessalas da desesperança.

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Biografia
Poeta brasileiro, nascido em São Luís, no estado do Maranhão. Servidor público do poder judiciário, graduado em Direito e licenciado em Filosofia. Pós-graduado em Direto Constitucional e em Filosofia. Mestrando em Criminologia. Busca na poesia uma saída para a cureza do dia a dia, um olhar lírico e sensível às coisas da vida. Nos versos plasma as percepções inauditas das vivências de toda uma vida.

Poemas

1

ENQUANTO

Enquanto você passeia, eu escavo relíquias.

Enquanto você dança, eu ouço vozes distantes.

Enquanto você ri, eu grito para o nada.

Enquanto você se agita, eu descanso no solo.

Enquanto você cozinha, eu respiro o pó das horas velhas.

Enquanto você ouve Brahms, eu me retorço em pesadelos.

Enquanto tuas mãos tateiam a porta, eu silencio.

Enquanto tu sobes a escadaria, eu sorvo mais um café.

Enquanto teus olhos marejam, os meus cintilam qual vaga-lumes.

Enquanto te finges de morta, aprecio a tarde deserta.

Enquanto tratas teus casos, eu desço a rua com mil coisas na cabeça.

Enquanto tu tomas sorvete, eu vejo Chaplin mais uma vez.

Agora ouve! Ouve essa música estranha, a tocar vazia,

sem ressonâncias, num vento que vem de tão longe.

É outro tempo agora. É outro fato, outra substância.

Ficamos nós atordoados (parece), atados à errância.

Agora sente! Sente a rapidez dos bytes, nesse tráfego incessante.

A crueza que impera nas luzes foscas, nas frases tênues dos frios painéis.

Sentamos nós acomodados (percebe-se), nas antessalas da desesperança.

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