RonaldoHBJ

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n. 1996 BR BR

Estudante e escritor, escreve para um blogue pessoal e para o Jornal da Baixada - de distribuição local. Obtém reconhecimento de seu trabalho literário em mídias impressas, na internet e em concursos literários.

n. 1996-03-06, Rio de Janeiro

Perfil
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Soneto da beleza existencial

O poeta segurava sua caneta,

E não escrevia absolutamente nada.

Sua vida fora presa numa sarjeta,

Pois, sob a morte, a poesia era aguada.


Guardara exame e alma numa gaveta e

Tratar do câncer era dura escalada,

Pois a morte era a tinta de sua caneta,

E a poesia, melancólica e acinzentada.


Diante da folha pálida, analfabeta,

Olhou pela janela, viu uma flor colorida,

Indagando-se sobre o que a fazia viver ereta,


Mas, vendo nela pousar uma bela borboleta,

Entendeu que a motivação da flor da vida

Era a beleza que o levara a viver poeta.




*Poema selecionado para integrar a antologia do Prêmio Literário Galinha Pulando 2014 (organizado pelo poeta baiano Valdeck Almeida de Jesus).

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Biografia
Ronaldo Henrique Barbosa Junior é natural do Rio de Janeiro – RJ – e reside atualmente no município de Campos dos Goytacazes, interior do estado do Rio. Estudante e escritor, escreve para um blogue pessoal desde 2008 e para o Jornal da Baixada - de distribuição local - desde 2012. Obtém reconhecimento de seu trabalho literário em mídias impressas, na internet e em concursos literários como o II Concurso de Poesia do IFF e o Prêmio UFF de Literatura 2013. Com 18 anos, cursa Direito na Faculdade de Direito de Campos e é Técnico em Mecânica formado pelo Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Centro.

Poemas

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Jeca Poeta

Um homem parado na calçada

Havia perto daquela fachada.

Era difícil de ser confundido,

Pois dia a dia ali estava aderido.


Mantinha seu olhar reflexivo

De homem decidido

Que muito já havia vivido

E à vida devia ser agradecido.


Ele muito tinha a contar

De tanto em sua vida caminhar.

Bastava um breve lembrar,

Para de nostalgia se fartar.


Parecia inebriado,

Talvez absorto em reflexões,

Cheio de vida, mas taciturno,

Estava ali, mirando o gado, calado.


Não tinha esposa,

Mas tinha filhos

Que há muito não o viam

E nem mesmo falta dele sentiam.


Ele era o típico poeta.

Mas tristeza quase nunca sentia,

Pois a solidão ele havia escolhido

Para ser acompanhado pela poesia.


Em seus pensamentos, versejava e rimava

Com a sapiência que o tempo lhe dera

A qual em nenhuma ciência encontrava

E em sua solitude guardava.


Assim, ele usava a tristeza que sentira

Para poetizar sem papel, em sua mente,

E mostrava que a tristeza era simplesmente

Renascimento daquele que amor à vida sente.


Um homem parado na calçada

Havia perto daquela fachada.

Ele da vida tudo esperava,

Pois a poesia ele namorava.


Sua rotina era julgada sofrida

Por ser sem luxo e incompreendida,

Mas ninguém sabia que sua rotina em nada era sofrida:

Resumia-se em apreciar a beleza desmedida


Encontrada nas mínimas coisas que o rodeavam

E até na felicidade de gente desconhecida,

Pois só assim sua vida era colorida:

Observando a beleza que vem da natureza.


Só o julgavam taciturno

Aqueles que não entendiam

A filosofia por ele criada

Com a passagem de cada dia:


A natureza era a poesia,

Seu tempo era a reflexão,

A fachada era a nostalgia

E a mente era toda paixão.



*Poema vencedor do II Festival de Poesia do Campus Guarus - de Campos dos Goytacazes, RJ -, realizado no Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Guarus, no dia 14/03/2013. Foi tido como o melhor texto do Campus Campos-Centro e o melhor da categoria intercampus, na disputa com outros Institutos Federais Fluminenses.

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Poética

Faço poesia por inspiração.

Talvez uma inspiração difícil de absorver,

Mas fácil de sentir.


Pois olho a folha em branco,

Pensando belas coisas pra escrever,

Colorindo o papel.


Mas não é assim. A poesia vale

Mais que o tempo que fico a perder

Pensando em palavras belas de se ouvir.


Imagino o artista quando penso.

O artista, guardião da poesia

E representante da fidalguia divina,


Irreconhecido em meio à multidão,

Mas garrido na escuridão da alma.

Penso também no artista frívolo,


Que não demonstra o que traz no peito

E não possui respeito pelo ofício.

Isso me faz ver o mundo e pensar plenamente.


Reflito acerca das importâncias dadas ao vento

E o quão empobrecido está o sentimento.

Afinal, meu mundo é feito de reflexão.


Por isso, penso na vida e na paixão,

A inspiração vem pura, plácida.

E então, uma epifania. Um verso.


Um verso que mais parece lamento

E mostra que meu alento

Vem da poesia que me dá o renascimento.



*Poesia com a qual o autor ganhou o segundo lugar do II Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras (Rio de Janeiro-RJ) na categoria Juvenil.

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