Lista de Poemas
1-3
Hoje, não sei se trove...
Vejo tantos a mal-trovar trovas cheias de nada
que enquanto aqui nem chove
lá até faz trovalhada.
Vejo tantos a mal-trovar trovas cheias de nada
que enquanto aqui nem chove
lá até faz trovalhada.
358
Os Amores Mortos
Se acordássemos todos os amores mortos
Quais seriam os seus queixumes?
Diriam que morreram de mal-nutrição?
Traição, monotonia, falta de tesão?
Prematuros, inoportunos, consensuais
Ou, se há tal coisa, excessivamente sensuais,
De todos os amores disponíveis
No currículo do coveiro das paixões,
Não encontraríamos um insatisfeito
Com o seu estado sepultado.
Implorariam, até, cheios de fé:
Ressepulta-me!, devolve-me
Com as mãos gentis de quem segura um bebé;
Firmes, como quem colhe o ainda mal maduro grão,
Às valas solitárias, mas serenas, do chão.
Quais seriam os seus queixumes?
Diriam que morreram de mal-nutrição?
Traição, monotonia, falta de tesão?
Prematuros, inoportunos, consensuais
Ou, se há tal coisa, excessivamente sensuais,
De todos os amores disponíveis
No currículo do coveiro das paixões,
Não encontraríamos um insatisfeito
Com o seu estado sepultado.
Implorariam, até, cheios de fé:
Ressepulta-me!, devolve-me
Com as mãos gentis de quem segura um bebé;
Firmes, como quem colhe o ainda mal maduro grão,
Às valas solitárias, mas serenas, do chão.
323
Aula de recitação
Ninguém lê palavras bonitas da mesma forma.
Por exemplo, se eu escrever,
Amor. Amar. Coração.
Cada um ouvirá uma voz diferente na sua cabeça,
seja a sua, a de quem o ama ou a de quem se ama,
ligeiro ou apaixonado,
talvez arrependido,
talvez leve suspiro.
Amor. Amar. Coração.
Também as palavras cruéis são subtis
e personalizadas.
Se eu disser,
Morte. Morrer. Sangue.
Cada um lerá com um tom diferente.
Mesmo que eu dê instruções específicas
para as lerem com toda a sua ira,
cada pessoa tem a sua barra de raiva,
mais ou menos cheia,
como a barra de vida de um qualquer vilão,
num qualquer videojogo.
Morte. Morrer. Sangue.
Também ninguém lerá palavras bonitas da mesma forma
que lê palavras cruéis.
Talvez para quem cobice a morte
ou despreze o amor
o tom seja o mesmo.
Eros. Thanatos.
Amor. Morte.
Duas facas de uma lâmina.
Por exemplo, se eu escrever,
Amor. Amar. Coração.
Cada um ouvirá uma voz diferente na sua cabeça,
seja a sua, a de quem o ama ou a de quem se ama,
ligeiro ou apaixonado,
talvez arrependido,
talvez leve suspiro.
Amor. Amar. Coração.
Também as palavras cruéis são subtis
e personalizadas.
Se eu disser,
Morte. Morrer. Sangue.
Cada um lerá com um tom diferente.
Mesmo que eu dê instruções específicas
para as lerem com toda a sua ira,
cada pessoa tem a sua barra de raiva,
mais ou menos cheia,
como a barra de vida de um qualquer vilão,
num qualquer videojogo.
Morte. Morrer. Sangue.
Também ninguém lerá palavras bonitas da mesma forma
que lê palavras cruéis.
Talvez para quem cobice a morte
ou despreze o amor
o tom seja o mesmo.
Eros. Thanatos.
Amor. Morte.
Duas facas de uma lâmina.
310
1-1
Cada minuto
em que não estou a escrever
é um minuto da minha vida
perdido.
Daí
este poema ser tão curto.
em que não estou a escrever
é um minuto da minha vida
perdido.
Daí
este poema ser tão curto.
333
A Depressão no Taiti
No dia mais solarengo
Do verão mais molengão:
A Depressão refastelada,
Com uma sandes de flamengo
E uma doce pina colada,
Não de leite, mas de pressão.
De bikini e uma saia,
Numa toalha de praia;
Com óculos de lente escura
Que muito discretamente
Ocultam toda a loucura
Que reina no reino da mente.
Jaz muito discreta ali,
Furtiva no meio da gente,
E a quem a olha sorri
Com todo e cada dente
Da sua boca dourada,
Abismo cheio de nada.
Nunca vai à água banhar-se
Com medo dessas maleitas
Que dizem ditos e seitas:
Infecções, cancros, catarse,
Que podem por nós entrar
Quando levamos os pés ao mar.
Jardineira dos claustros da morte,
Arauto do solo infecundo,
Pergunto-te, rainha consorte
Dos castros sequiosos do submundo:
"Ó infertil filha de Ceres,
De mim, o que é que tu queres?"
Do verão mais molengão:
A Depressão refastelada,
Com uma sandes de flamengo
E uma doce pina colada,
Não de leite, mas de pressão.
De bikini e uma saia,
Numa toalha de praia;
Com óculos de lente escura
Que muito discretamente
Ocultam toda a loucura
Que reina no reino da mente.
Jaz muito discreta ali,
Furtiva no meio da gente,
E a quem a olha sorri
Com todo e cada dente
Da sua boca dourada,
Abismo cheio de nada.
Nunca vai à água banhar-se
Com medo dessas maleitas
Que dizem ditos e seitas:
Infecções, cancros, catarse,
Que podem por nós entrar
Quando levamos os pés ao mar.
Jardineira dos claustros da morte,
Arauto do solo infecundo,
Pergunto-te, rainha consorte
Dos castros sequiosos do submundo:
"Ó infertil filha de Ceres,
De mim, o que é que tu queres?"
329
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments