A Arte da Solidão
São a arte da solidão,
Só o animal mais solitário do mundo,
Criaria uma máquina,
Para eliminar o Próximo:
Só para ficar só.
Só o Homem Só
Quer ser pedra,
E não o pó.
Durante anos procurei uma fórmula que definisse o Amor incondicional entre homem e mulher (ou do mesmo sexo). Como eu não sou um matemático, procurei criá-la em palavras em vez de uma equação.
Estive sempre convencido que o único Amor incondicional era o Amor de uma mãe para com a cria; Amor esse que não é recíproco, pois Deus (ou outro nome que lhe queiram dar), na sua infinita sabedoria, criou-nos de forma que uma mãe não hesita por um só fentossegungo a sacrificar a sua vida pela cria; é instintivo. Não acontece o mesmo da cria pela mãe, seguindo uma lógica biológica que nunca anda para trás: A cria será o criador mas o criador não será cria. É essa a mensagem que está nos fundamentos do cristianismo: Deus sacrifica o seu Filho para salvar a vida do Homem. Uma ideia poderosa que toca na raíz, nos alicerces do determinismo biológico da raça humana. O sacrifício máximo. A prova do Amor perfeito.
E de um homem para com uma mulher e vice-versa ou mesmo sexo? Existe um Amor incondicional? Existe sim. A diferença é que ele não se enquadra na mesma lógica criador/cria mas na lógica de união cega e incondicional. Tal como acontece no universo, duas estrelas numa louca e electrizante dança chocam numa fabulosa explosão de energia e criam um buraco negro: Os dois passam a ser só um, indivisíveis, indissossiáveis. Se eu deixar de respirar, morro; Se morro, morremos: "És a minha respiração". O coração morre. Um médico chamar-lhe-ia Doença de Takotsubo, mais conhecida como Síndrome do Coração Partido, eu chamo-lhe Amor puro. Não é também de admirar que, um grande número de pessoas que sucumbem a essa "doença" são pessoas de idade que cultivaram uma relação de amor de muitos anos. O Amor é uma longa dança de duas estrelas que se perseguem e confundem.
Tal como no universo ( e na medicina) o fenómeno é raro, mas quando acontece, é de uma magia que só poetas, pintores ou matemáticos se atrevem a tentar equacionar.
Eu, na minha ignorãncia tentei a minha equação, limpa, simples e que explicasse esse tão belo e raro fenómeno.
ÉS A MINHA RESPIRAÇÃO.
"Ecstasy" Lajos Gulacsy, 1908
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