DEUS NÃO AINDA
Deus não ainda cura
Deus não ainda restaura
Deus não ainda perdoa
Deus não ainda fala
Você ainda pode nele crer!
Ainda pode ser curado!
Ainda pode o receber!
E ser por Ele resgatado!
Deus cura, Deus faz; Deus rege;
Mas Ele vos ama, vede isto,
Oh efêmeros, tais quais vermes!
Deus era; Deus é e sempre o será
Quem assim crê, desfruta disto
Mas quem não o crê, constatará
FOLHAS AO VENTO
Em nada me admires
Nem sequer me censures
Ao meu ego não afagues
Nem também me esmurres
De herói não me faças
Nem também de bandido
Sou um vulto que passa
Para ser esquecido
Minhas marcas no mundo
Vem o tempo e apaga
O que te parece profundo
Lá no fundo é nada
Nada fiz de concreto
Tudo foi passageiro
No que pus meu afeto
Foi-se em vento ligeiro
Que importa escrituras
Do que alguém veio a ter?
Tempo, vento e chuva
A tudo faz perecer
Só há um que merece
A vossa admiração
Exaltai-o nas preces
Ele reina em Sião
AMOR ABSOLUTO
Se queres me falar, escuto
Se aprazes em me amar, tributo
Se há algo a te manchar, indulto
Se ousam te acusar, refuto
Se buscas me agradar, computo
Se tentam te levar, eu luto
Se há algo a maquiar, oculto
Se eu te ver chorar, me culpo
Se alguém te destratar, sou bruto
Se ousam te peitar, eu truco
Se voce me magoar, desculpo
O que eu te perdoar, sepulto
O que te alegrar, eu busco
Mas se deixas de me amar, sou luto
FACETAS
Amores e dores
Nas mesmas cores
Espinhos e flores
Tristeza ou saudade
Ora parte ora invade
Ora adoça ora arde
Choro e canção
Luz e escuridão
Entre sonho e razão
Fé e desengano
Acendendo e apagando
Continuo tentando
Ora sábio ora um tonto
Ora atraio ora espanto
Ah se um dia eu te encanto!
OVELHA CAMPESTRE
Às vezes tu pensas que não prezo por de ti
Pois te deixo tão solta, não vivo a ti seguir
Eu sei que há perigo em meio à cerração
Atrás de uma rocha pode haver um leão
Que uivem os lobos ao vê-la passar
A ovelha esperta não se deixa levar
Ovelha em cabresto é que deseja fugir
Mas a livre e feliz, não é vista a mugir
Lobos e raposas há em todo lugar
O coelho ou a lebre tem é que se cuidar
Da gaiola a loucura, nunca foi proteção
A ovelha da relva, a correr e saltitar
Corre riscos de fato, pode se machucar
Mas é livre e feliz, longe da escravidão
FATOS E FOTOS
Que faço das fotos?
Perguntas a mim.
- O que já a tudo fizeste,
Pisar e dar fim.
Para que recordar,
O que não soube manter?
Por acaso o lembrar,
As fará reviver?
Não carregue na mente
O que da alma tirou
Nem mais chore ou lamente
O que consciente deixou
Vá te entregue as loucuras
Que ousaste criar
Mas, por favor, me exclua
Deste teu vadiar
Tenho um rumo sincero
Para o meu prosseguir
Por isso esqueço e renego
Quem ousou me cuspir
De minha alma arrancada
Tua imagem findou
Tuas cinzas cremadas
Já o vento levou
APARTHEID
Eu sei que no altar tu a mim juraste
Amar-me com toda a força do teu ser
Mas põe, por favor, a jura à parte
E cumpra tão somente o teu querer
Não a quero junto a mim por compromisso
Sem que a tua alma aqui queira estar
Amar é devoção, não sacrifício
Nem cruz que se pegou pra carregar
Não posso mais viver da nostalgia
Nem na tristeza perenemente arrastar
Indiferença, dor, segregação
Não quero mais do descaso a companhia
Nem o lamento a marcar meu caminhar
À afronta, eu prefiro a solidão
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza