ECLIPSE
Há em nós uma tristeza muda
Sem rosto, lembrança ou voz
Não de quem parte do mundo
Mas do mundo que parte de nós
Parte vazia a esperança
Desenganos a muitos nós
Morre o sorrir da criança
Ante a injustiça atroz
Por que prospera a maldade
O roubo, o engano e a dor?
E os discursos de civilidade
Manchados de sangue e horror?
É que sai um porco e entra outro
É um revezamento de engorda
Mas nenhum é esfolado no toco
Pra ser exemplo aos calhordas
Bálsamo Celeste
As vezes eu choro minhas tristezas mudas,
Que somente a minha alma sabe e conhece
Mas vem logo um sorriso a põe fim ao surto,
Pois de minhas lágrimas Deus ouviu a prece.
Não sei o porque do choro ou o do sorrir
Minha alma assim, mais leve se tornou
Espírito do divino, sempre a me assistir
Bálsamo de graça a me encher de amor
DOCE ENCANTO
O teu rosto encanta-me como se tivesse
A doce espuma do apagar de mágoas
Qual varinha mágica a dar vida a preces
Sonhos e fantasias de contos de fadas
O que eu não faria pra este teu sorriso
Ter eu sempre perto a alegra-me a vida
Ter o aconchego do teu ombro amigo
E no teu regaço descansar da lida?
Este teu encanto, cruel e medonho
Zomba e desfila frente ao meu sofrer
Seduz a minh' alma, renova meus sonhos
Elos de doçura que prendem o meu ser
CAMINHO DE PÉTALAS
Caminho de flores de amores perdidos
De sonhos e encantos que o tempo levou
Por ventos de mágoa, amores esquecidos
Outonos sombrios de frio e de dor
Caminho marcado em pétalas de desenganos
Pra que se pise e esqueça um amor que morreu
Venha, oh brisa da noite, da paixão, novo ânimo
Para que em outros olhos eu encontre os meus
POLICROMIA DO AMOR
Você é encanto, paraíso e fantasia
Cesta de flores, remanso e alegria
Surpresa de cores - policromia
Musa dos sonhos, fada e magia
Relva do campo, céu de brigadeiro
Música preferida, sonho encantado
Saudade nua, canção de marinheiro
Poema de amor, de carinho e afagos
Poesia mais linda, que declamo calado
Consola meu pranto, seu sorriso a meu lado
Faz de toda tristeza um borrão do passado
É meu sonho de amor e meu eterno fado
ALQUIMIA DO AMOR
Unta bem a tua forma em carinho
Não deixes qualquer grão de mágoa
Sal de lágrimas, só um pouquinho
Carência demais ao bolo estraga
Se na dose de entrega te excedes
Cresce muito, mas logo se sola
Aos poucos se põe os mistérios
O amor tem na cautela a escola
Das ervas aromáticas não esqueças
No encanto e magia te arrisques
Nas loucuras do vinho não excedas
O amor não suporta a estultice
Não aumentes por demais o fogo
O amor se avoluma é com o tempo
Mas não deixes esfriar o teu forno
A frieza é da mágoa o fermento
DEVANEIOS
Eu vi como num único instante os sonhos são desfeitos
Vi como é indomável a loucura e vazio todo o preceito
Vi ao se evaporar da paixão o quanto o amor ao ódio é sujeito
Vi quanto a vida é ilusão e como é dura a dor que arde ao peito
Entendi que o amor que perdura é seco, fugaz e mesquinho
Não se entrega e de si não esvazia, não divide jamais o seu ninho
Não busca a flor que desponta, não encara os das rosas os espinhos
Não chora os seus desenlaces, está sempre mui cônscio e sozinho
Loucura é a cegueira do encanto e falso o fervor da alegria
Amargo é o desencanto quando o peito de paixão se esvazia
O amor é prelúdio do pranto e facho louco de uma dor tardia
Coração é borrão do insucesso e nunca aprende com a dor
Noutros olhos suas juras esquece e se entrega de novo ao amor
Mãos que sagraram amargura hoje trazem um sorriso e uma flor
O PAI BANIDO
Julgado fora em todas suas falhas
Justificativas a elas nunca houve
Não há honra, mérito ou medalha
A quem aos filhos educar não soube
Nas minhas carências, quase sempre ausente
Os meus desejos, quase sempre renegados
Aos meus sonhos, questionava mui resistente
Como se eu fosse, um burro ou retardado
Cresci revolto, tratando como a nada
A quem a vida me impôs como tutor
E seus cuidados que tanto me enojou
Só quando em paixão mui desvairada
Tornei-me de uma criança o genitor
Eu soube quanto o velho a mim amou
O SUPER PAI
Em nenhuma atenção falhou
Em problemas não se perdeu
Em nenhuma festa faltou
Nenhuma data esqueceu
Nunca perdeu as estribeiras
Nunca com um filho brigou
Nunca sua voz foi grosseira
Nem de forma errada julgou
Sempre o rei da perfeição
No agir, no ouvir e falar
Tem sempre pronta a lição
Em como um filho educar
A estultice não tolera
A irreverência, jamais!
Não dá ouvido a quimeras
Pois este nunca foi pai
UTOPIA DE AMOR
Amar-te é dar asas aos meus sonhos
Intangíveis, surreais, inconseqüentes
Só uma regra a Morfeu, ali imponho:
Eu ao teu lado estar sempre presente
Sonho tão lindo colorido de ternura
Ao mundo em derredor, indiferente
Faz-me assim a mais feliz das criaturas
Imerso em seu amor, eternamente
Nesta doce vida, razão é algo irrelevante
Em nuvens de venturas e grandes planos
Da terra desconhecem os desenganos
Na loucura da utopia vivem os amantes
Inertes, num mundo aquém da realidade
Mas por certo, desfrutam ali, felicidade
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza