TEUS OLHOS
Gemas preciosas de insólita beleza,
Da divina arte, o maior fulgor.
Mais que as esmeraldas rubis e turquesas
São pureza, encanto, brilho e esplendor!
Teu olhar fascina, encanta, arrebata
Rouba-me a calma, tira-me a razão
Sua beleza e charme são cordéis e amarras
Que me prendem a alma e o coração
Estes olhos mágicos, fórmula da loucura
São insanidade, perda do juízo
Mas, trazem a minh'alma paz e tal doçura,
Tiram-me da mágoa para o paraíso
Assim, diante deles eu já não sou mais nada
Sou eterno súdito desta admiração
Pronto a seguir-te em qualquer jornada
Que me prenda a ti minha fascinação
SAUDADE
Saudade é a espera do amor ausente
Em que o tempo a cada instante eternizou
E a tudo faz passar indiferente,
Ignóbil, vazio e sem sabor
Saudade é o sorriso que desponta
Como a aurora que reluz ao teu chegar
Saudade é o embaraço a cada encontro
E meu rosto rubicundo ao teu olhar
Saudade é a fantasia não vivida
E o amor que não ousei te declarar
É o remorso de quem não faz a tentativa
De a tão formosa dama conquistar.
Saudade é a amargura da lembrança
De um amor que intensamente me envolveu
É uma mistura de tristeza e de esperança
De que um dia ele ainda volte a ser só meu
Natal à Brasileira
Dia vinte e cinco, noite estrelada.
Maria, em parto, geme na parada.
Transeuntes da noite vêem e não fazem nada,
Apenas contemplam e dizem: coitada!
José, no Inamps, clama desesperado.
A ambulância se encontra em outra "emergência",
Pois desde a tarde, fato não registrado,
Saíra a serviço de alguém da gerência.
José volta atônito e encontra Maria
Transtornada de dor e de tanta aflição.
Apresenta no rosto uma amarga alegria,
Pois já tem em seus braços o menino Tião.
Tião nasceu prematuro, quase natimorto:
Só mesmo um milagre o manteve com vida.
Raquítico, doente, só em pele e osso,
Amargo retrato da mãe desnutrida.
Vivia Tião como os garotos pobres,
Se alimentando do lixo da sua cidade,
Se escondendo do ódio de tantos Herodes
Assassinos vestidos de justiça e verdade.
Apreenderam o Tião em plena capital,
Clamando por pão e sedento de escola.
Taxaram-no de ladrão e de vil marginal
E o calaram com o vinagre do ópio e da cola.
Autódromos, metrôs e obras faraônicas
Consomem os recursos de um governo cruel
Que deixa com fome as nossas crianças:
É Herodes matando os filhos de Raquel.
No calvário das ruas das nossas cidades
Jazem nossas crianças em estado letal,
E os que nada fazem contra esta calamidade
Com Pilatos e Herodes celebram o Natal.
PRANTO SECO
Um silêncio profundo cerca o corpo inerte
São parentes e amigos que se pode avisar
Os olhares se cruzam e se esquivam em flerte
O remorso e a tristeza estão a si cortejar
No amargo silêncio alguém arrisca um discurso
Louva e exalta as virtudes do que agora findou
É um pastor, um vigário ou um político intruso
Do remorso a mordaça, aos amigos calou
O ditame da presença traz à tona a culpa
De quem a tantos convites rejeitou ou não fez
Por cansaço, preguiça, mão importa a desculpa
Já é tarde demais, foi-se a bola da vez
Copiosas promessas no seu âmago ecoam
De aos que ainda lhe resta, ser agora leal
Mas passado o velório, no labor se escoam
Até um novo chamado pra mais um funeral
FRATERNIDADE
Abre os braços bem amplos e recebe o amigo
Que o tempo a muito de sua mente apagou.
E não franzas a testa, mas lhe esboça um sorriso.
Volta a ser o garoto que com ele brincou
Mata o frango cevado, prepara-lhe um jantar.
O melhor vinho da adega te apressa em tirar.
Não lhe conte os problemas nem os seus dissabores,
Não lhe esnobe riqueza nem lhe peça favores
Não perguntes o que quer nem o que veio fazer,
Não o inquiras acima do que ele quer te dizer.
Não censures os caminhos que tomou em sua vida.
Oferece-lhe chinelo, banho quente e dormida.
Não perguntes quanto tempo ele pretende ficar,
Nem lhe indagues a que hora pensa em se levantar.
Deixa-lhe um chave da casa, informa o seu celular,
Não restrinja os horários para ele te procurar.
Se for agradecido, devolve-lhe um abraço,
Mas se não for educado não lhe pregues um sermão,
E na sua saída, não contabilize seus gastos.
Se te perguntarem quem era, dize apenas: um irmão.
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza