A PARTIDA
Eu quero tanto saber por que partiste
de modo súbito qual estrela cadente
Por que a noite enluarada de minha vida
deixaste em trevas assim tão de repente?
Não sei se quero saber de sua partida
explicações que nada podem reparar
Talvez agucem e magoem as feridas
Que o tempo tenta em vão cicatrizar
Não quero nunca saber os teus motivos,
se outra paixão ou se de mim rancor
Ao desengano, a dúvida eu prefiro
pois assim penso que ainda és meu amor.
Eu quero tanto esquecer tua partida,
não com um amor que me sirva de consolo,
mas com o raiar de minha outra nova vida,
que só começa no anunciar de seu retorno
NOITE TRISTE
A chuva cai fina e constante,
é a noite chorando a ausência tua.
O vento uiva e clama a falta de ti.
Os pássaros emudecem e clamam por ti em gorjeios soturnos.
O céu em crepúsculo espanta as estrelas e se embrulha na noite
na esperança de que voltes com o amanhecer.
E eu sozinho, assim com a noite, sofro a tua falta e,
trôpego de saudade, adormeço pensando em ti.
Volta logo, pois só tu és capaz de fazer luzir a aurora
e alegrar meu viver.
SEM PALAVRAS
Não me peças palavras para a ti dedicar
Já sou fonte sem água, só tristeza a jorrar
Sou cantiga sem vida, sou o piar do sertão,
Sou uma ave ferida a se arrastar pelo chão.
Já não vejo poesia em um nascer do sol,
Só há penumbra e tristeza no cair do arrebol
Muito mais que angustia é o que estou a sentir,
soluços de minh'alma, é melhor não ouvir.
Não se pede ajuda a quem não tem um tostão
Nem se estende o braço a quem não tem mais as mãos
Não há música ou poesia no apagar da ilusão
Do soluço o bramido é minha única expressão.
ALIENAÇÃO
É estranho e confuso o que estou a sentir,
pois estou tão perdido como pluma no ar,
como ave migrante - sem saber aonde ir,
minha alma inquieta não consegue se achar
Em meu porto seguro não mais quero atracar
Mãos que me deram afago já não me podem agradar
Tenho medo do escuro, mas já não quero o luar
Como um ébrio sem álcool, um estranho no lar
Me angustia e me alegra o que minh'alma tem
É confuso e gostoso este meu querer bem,
esta louca ternura e fixação por você,
que não sei se possuo, mas não quero perder
SÓ PRA VER TEU SORRISO
Passei pelo Face para ver teu sorriso
Pois me encanta, fascina e mexe comigo
Traz da vida doçuras que eu já havia esquecido
Dá-me orgulho e alegria o eu ser teu amigo.
Quando eu estava tristonho, fui lá ver teu sorriso
Contei piadas sem graça, só pra ver teu sorriso
Levantei altas horas, fui buscar teu sorriso
Incipientes poemas, só prá ver teu sorriso.
Tu estás tão distante, mas tenho o teu sorriso
Teu calor eu não sinto, mas o imagino comigo
Que beleza inefável, é este teu lindo sorriso
Abundante e irrestrito, a dar vida aos amigos.
TIMIDEZ
Maldito espelho, aguilhão da censura,
tão cruel, indiscreto, quer te recriminar....
seja um fio de cabelo, uma espinha, uma ruga
sempre encontra um jeito de a ti censurar.
Quando estou junto a ti, ficas a imaginar
se estás bela ou feia, o que de ti vou achar.
Neste crivo e receio, ficas tímida, inquieta,
vais despir-te sozinha, sob luz mais discreta.
Já não sabes querida, que não te posso julgar?
Vejo-te, parte minha, ao meu ser completar.
Não há júri ou tribuno na passarela do amor.
És sempre minha rainha, minha musa, minha flor
AVE CATIVA
Melhor ter um na mão que dois voando
é o que afirma um adágio popular,
expressa insensatez do ser humano
que, egocêntrico, a tudo quer domar.
Nas mãos do cativeiro o pássaro é mudo,
é triste, arrepiado e sem cantar.
Seu gorjear é pranto seco, absoluto,
pois lágrimas não possui para chorar.
Melhor é mãos vazias e ter à vista,
em graça, em alegria e em esplendor,
contida em doces amarras da conquista
aquela a quem tu chamas: meu amor.
A quem se ama, prende-se com carinho
e é por ternura que se deve cativar.
Então, se dando por inteira, em desatino,
a presa do amor não quer voar.
AMOR POSSESSIVO
Redoma de vidro de ouro enfeitada,
perfumada de lírios e de encantos tomada,
arquitetada nos sonhos de um contos de fada,
cativa e seduz a pessoa amada.
Cortejo e juras completam o encanto,
sorrisos e beijos -- uma veneração;
jamais se encontra, em qualquer outro canto,
alguém que a ame com tal devoção.
Gazela da tarde, que saltita no campo,
não vês que é a brisa, que te faz sedução,
mas se presa de amor te fizerdes, no entanto,
sumirá dos seus lábios esta doce canção.
Ao peixinho de aquário não se vê saltitar,
seu olhar é sem vida, seu viver deprimido
preferia ser feio, mas livre no mar,
a ser belo, mas preso à redoma de vidro.
O amor, muitas vezes, é uma contradição,
é esplendor, mas é poda em pleno verão,
é flor arrancada de um jardim rico em vida
para murchar em um vaso duma sala perdida.
Quem ama de fato suporta a ventura
de ver sua amada, por outros querida,
mas mantendo no rosto a terna doçura
de viver seu amor rico em graça e vida.
O amor que aprisiona é obsessão,
é mesquinhez, é loucura é também perdição,
pois joga o seu dono em uma trama sem fim
que maltrata o amor e acaba sozinho.
EM BUSCA DE TI
Eu saio ao ermo em busca de ti...
lembranças trazidas à revelia do tempo.
Te vejo na chuva, na brisa e no vento,
em tudo onde passo, estou a te ver.
As nuvens rebeldes são teus cabelos esvoaçando em festa.
Se desmanchadas em chuvas, são também eles
molhados, presos em touca ou escorridos na testa.
Se troveja, me vem à mente a tua excitação nos nossos momentos íntimos.
Se a chuva cai fina e constante, te vejo dengosa,
deitada em meu colo sob uma canção de ninar,
onde o tempo caminha em passos leves e delicados,
para não nos perturbar o aconchego.
Te vejo nos agudos picos dos montes,
em saliências e escarpas de teu corpo nu
mas, também as campinas e prados
e os remansos dos rios me falam de ti,
serena, meiga e delicada.
Onde o meu corpo acomodado,
encontra por fim descanso após uma longa jornada.
Ali, sim, meus medos são banidos e minháalma,
entorpecida por seus encantos, consegue enfim ser feliz.
O PRESENTE DO PAPAI
Neste dia do papai, já não sei o que comprar
O papai é tão severo, não sei do que ele vai gostar
Um sapato, uma cueca? Eu só sei comprar bonecas!
Sei que gosta de futebol, mas não dá conta de jogar
Mamãe diz: dê um Viagra! Vovó diz: não! Vai enfartar!
Acho melhor dá uma cadeira pra ele só se balançar.
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza