VELHAS ÁRVORES
Árvore velha de esplêndida beleza
Que sombra de amor e carinho nos dá
Esguia e terna, do amor a destreza
Remanso das águas a ti vem beijar
Árvores mais novas esticam seu braços
Querem além do riacho, tocar em você
Buscam seu perfume e suas flores em cacho
Sua gênese e extrato querem absorver
Árvore frondosa em paz e ternura
As demais criaturas tu ensinas viver
Viçosa e bela em cores maduras
Quão doce ventura é abraçar a você
O sábio caminhante conhece o desvio
Que na beira do rio encontra a você
Ali deixa suas dores, seu tédio e fastio
E de mágoas vazio, então volta a viver
CUMPLICIDADE
Minhas alegrias são também as tuas
As minhas vergonhas para ti estão nuas
Nas minhas tristezas, o verter de tuas lágrimas
E nos meus devaneios a razão de tuas mágoas
O meu rosto marcado, diz o quanto te amo
Nos pesadelos da noite é por você que eu clamo
Sob os teus julgamentos, sou sempre perdoado
Até mesmo quando eu me confesso o culpado
Esta cumplicidade, para muitos: loucura
Para nós é o prazer e da alegria a ventura
E que me faz tão feliz, estar a ti enlaçado
O amor contagia, contamina o parceiro
Entre muitos pecados, o amar é o primeiro
Se amar-te é desvairo, me declaro aloprado
VI NOS TEUS OLHOS
Eu vi nos teus olhos
A fragilidade de meu ego
Neles também, quão doce é a esperança
Eu vi nos teus olhos
Que o amor é feito de encantos
E que saudade é apenas a busca de novos sonhos
Eu vi nos teus olhos
Que a amargura pode ser apagada
E que na ilusão reside alentos pra todas as almas
Eu vi nos teus olhos
O despontar da primavera
Que ao verão apaga e tinge de flores a mais tórrida terra
FLOR À MULHER
Aplausos às mulheres queridas
Lindas musas, encantos do verão
Também às cansadas, às sofridas
Amados adornos de outra estação
Às mulheres oprimidas,
Sem direitos e sem voz,
Maltratadas ou abatidas
Em injustiça vil e atroz
Às mulheres que lutam,
Resistem e que buscam
A igualdade de raça ou cor
Milenares guerreiras
Nessa luta altaneira
A vocês: esta flor
VISITA A XINGÓ
Vi um rio tristonho
Em represa de mágoas
E cascatas de sonhos
Na saudade a morrer
Nas pinturas rupestres
Sombras de amarguras
Que em tristes figuras
Insistem em viver
Assim como estas águas
Ali também a minha alma
Quer sua dor esquecer
Sangradouro espumante
Clama em voz retumbante
é preciso viver
JANGADA SEM RUMO
Musa que em noite bela
Navega sem ter direção
Flutua em jangada sem vela
Sem rumo, amor ou paixão
Pedras e ventos ligeiros
Nas sombras a te espreitar
Só o remo por companheiro
E nada mais pra confiar
Sai desse viver obscuro
Deixe a tua alma sonhar
Alegria infinda te espera
Venha em meu porto seguro
O amor e o afago encontrar
Aqui tua tristeza se encerra
FRAGRÂNCIA DO AMOR
Busquei do amor o perfume na trilha da ilusão
Caminho ha muito fechado pelas malvas da dor
Assombros de amores perdidos cortados a facão
Flores de afeto pendentes, mas vazia de amor
Ventos uivantes na noite pregam-me a sedução
Folhas de paixão e carícias se espalham no ar
Galhos de sonhos desfeitos despencam no chão
Nada me indica a fragrância que anseio encontrar
Cansado da busca inútil paro pra descansar
Nada mais vejo na relva que valha mirar
Não mais a mesma é a mata em que nascia o amor
Cheiro de amor me desperta me invade o nariz
Ao lado uma flor da ventura, do esplendor a matiz
Renasce em mim a ternura, volto a ser sonhador
TRISTE CINZA
Eu vi o seu rosto
Na flor que brotou
Também nele o desgosto
De quem muito chorou
Sua beleza infinda
Já não pôde esconder
A amargura que ainda
Faz o seu padecer
Quem dera esta flor
Eu pudesse abrir
Afugentar esta dor
E fazê-la sorrir
Se tua face tão linda
Pudesse eu colorir
Nunca mais o tom cinza
Pousaria em ti
CAMINHADA NA PRAIA
Caminho na praia
Sem rumo e sem tempo
Minha alma desvaira
Entre a brisa e o vento
Só as águas espumantes
Acariciam aos meus pés
As areias escaldantes
Eu já sei, são cruéis
Uma onda me convida:
- Vem comigo bailar
Eu me escondo na brisa
Finjo não a escutar
Já me atirei em outras águas
Em aventuras de amor
E em redemoinhos de mágoas
O meu sorriso afogou
PRESUNÇÃO
Tive a certeza do nada
Quando no nada vi tudo
O mundo, em que sou nada
Já não é nada no tudo
Todo nosso saber é nada
Perto de um nada no mundo
Toda a sabedoria é vaga
Frente à um verme ou fungo
Em tudo que já alcançamos
Vimos que nada entendemos
Senão nossa ignorância
Do tudo, em que somos nada
Nada de fato nós temos
Senão presunção e arrogância
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza