CORAÇÃO INDIVISÍVEL
Não tenhas o meu amor por suburbano
Amor de chita, brim, ou qualquer pano
O meu amor é cetim, é seda e é veludo
É um amor pleno, forrado, é sobretudo
Não o exponha, peço, às raias da fogueira
Amor assim é jóia, é coisa de primeira
Amor tal qual jamais, em parte alguma
Amor voltado a ti e a mais nenhuma
Não é amor de vai e vem que se barganha
É raridade como de Deus, uma encomenda
Guardai-o tal cristal fino ou porcelana
Amor assim é tora, é cumeeira e não cavacos
Não se retalha, nem se cirze ou se remenda
Se o perdes é por inteiro, nunca aos cacos
QUANDO
Quando o céu escurece
Quando a febre arde
Quando é muda a prece
Quando a dor invade
Quando o sorriso murcha
Quando a esperança acaba
Quando a voz embucha
Quando o apetite é nada
Quando o tudo é vazio
Quando a alegria é morta
Quando mais nada importa
É em teu olhar, o brilho
E na tua voz, as notas
Que me amar tu mostras
A MORTE DO AVARENTO
Chega a noite escura sobre o avarento
De sua soberba se extingue a voz
Todos o desprezam, deixam-no ao relento
Padece sozinha, sua alma atroz
Por suas riquezas querem o seu emborco
Nenhuma companhia no seu desviver
Abreviem a morte, cremem logo o corpo!
É o que, de seus entes, se ouve o dizer
Como erva daninha, sua vida encerra
Palha que esvoaça em meio a ventania
Murcha, seca e morre, cessa a tirania
A viuvez dispara o dividir das terras
Filhos se espedaçam em meio a partilha
São as cópias exatas do rei da matilha
LUA NEGRA
Tua jornada é escura, tenebrosa e triste
Nenhuma luz norteia o teu caminhar
Só em desesperanças teu viver consiste
Alma sem alento, triste a vaguear
Que lauréis esperas ao findar da vida?
Que propósitos levas no viver insano?
Onde a tua alma encontrará guarida
Quando da morte fria te cobrir o manto?
Há uma alegria que em tua vida cabe
Cristo a luz do mundo veio a revelar
Vida além da vida podes desfrutar
Derrotou a morte, descerrou o hades
Vivo e ressurreto, veio apresentar
Paz e vida eterna em um novo lar
FLERTE
O brilho dos meus olhos cruzou contra os teus
Os desviastes bem rápido, mas já aconteceu
Já não és mais a mesma, já só pensas em mim
Minha imagem a acompanha e te prende assim
Tu remexes os cabelos, o pescoço a girar
Ou te vais ao banheiro, ao rime retocar
De forma indireta quer meu rosto mirar
Pra saber os motivos deste teu palpitar
Que mistério se esconde nesta tua visão?
Recordo-te alguém, ou te incito paixão?
Que fascínio é este que desperto em ti?
Podes tu esquecê-lo e assim prosseguir?
De ficar tendes medo, de fugir o remorso
Se te negas ao destino, podes ter um troço
Ante a dúvida e vontade, o que deves fazer?
Ansiosa e corada só te pões a tremer
DOCE RECADO
Singelo recado se transmite com flores
Símbolo do carinho e do afeto o calor
Na delicadeza e no pulsar das cores
Mais que palavras, nos falam de amor
Restauram da alma as belezas perdidas
Apagam a amargura, despertam a paixão
Relembram ao tristonho quão bela é a vida
Despertam a doçura, renovam a ilusão
São tuas estas flores, as colhi para ti
Não segue missiva, pois nada escrevi
Recado calado, sem início e sem fim
Elas já dizem tudo que não ouso dizer
São tudo que vejo e que gosto em você
Agradeça-me apenas sorrindo pra mim
BORBOLETA
Às suas chagas esqueça
Cure e apague as feridas
Pois onde a dor se cultiva
Não há espaço pra vida
Saia já da sombra e do canto
Apague o pranto e a dor
Esqueça os seus desencantos
Plante e cultive uma for
Ponha sapatos de veludo
Roupas lindas, multicores
Seja a rainha da festa
Deixe a borboleta o casulo
Saia ao encontro das flores
Encha de vida a floresta
OURO DE LOUCOS
Há muitas dores que a terra nutre
Nem sempre prontos a suportar
Maldiga a Deus, diz-nos o abutre
Que na aflição, vem nos tentar
Onde a tua fé enfim reside?
Na boa vida, no banquetear?
Se crês em Deus, na fé persiste
Mesmo se a dor vir te sufocar
Que maior glória aguarda o homem?
Que galardão da bonança vem?
Os que só vivem para o abdome
Perdem a glória que aguarda além
Não teve Lázaro, saradas feridas
Nem do pão farto, o sobejar
Mas recebeu, além da vida
Da glória eterna, o desfrutar
Ouro de loucos te oferecem
Os que na terra têm a visão
Atrás de dinheiro a fé perece
Longe se postam da salvação
PORTA DO CÉU
Amor igual jamais se viu
Amor assim não haverá
De sua glória a porta abriu
Ao pecador deixou entrar
Amor repleto de perdão
Ao recomprar o que era seu
Pagar em sangue, expiação
Para apagar, pecados meus
Ninguém consegue imaginar
A imensidão deste amor
Seu próprio filho expiar
Pra ser pra sempre o Salvador
Jamais pensei, jamais sonhei
No céu poder um dia entrar
Mas em tua graça encontrei
Admissão no eterno lar
ROTAS OPOSTAS
A beleza da adoção
Do abandono a loucura
O amor de uma paixão
O ódio na desventura
A dedicação dos pais
A ingratidão dos filhos
Multidões nos festivais
Mas de corações vazios
A ilusão dos que chegam
O desengano dos que se vão
A luta dos que trabalham
As mordomias da prisão
A alegria das crianças
A tristeza dos velhos
Os olhares de esperança
Nos que se fazem de cegos
Sustento para os vadios
Miséria pra aposentados
Estádios reconstruídos
Hospitais abandonados
Cura e graça as multidões
A calúnia, a cruz e os pregos
Mensagens nas televisões
Mais distância do evangelho
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza