MARCHA NA AREIA
Me despi do medo dos meus desencontros
Me desfiz dos sonhos da trilha da ilusão
Esqueci os motivos de todos assombros
Me livrei do amor e também da paixão
Sigo nova marcha por trilhas na rocha
Onde a flor não brota e pássaros não há
Lá de veios d'água, só marcas remotas
Sombras, só de pedras, vento a assoviar
É uma marcha triste, mas é livre e solta
Nenhum espinho nasce nessa sequidão
Meu calçado é velho, minha veste é rota
Mas lá mágoas não atingem o meu coração
ALMEJOS – Desejos da Alma
Almejo as poesias líricas, de beleza pura
Não os versos tristes manchados de dor
Almejo ver em todos, o olhar da ternura
A nobreza esplêndida, adornada de amor
Almejo encontrar no despontar alvorada
A esperança dos homens, a fé no amanhã
Não a violência que assombra a madrugada
Que semeia as tristezas e alimenta o pavor
Almejo ver em todos, o sorriso da criança
O olhar sem inveja, a feição do amor
Onde a fraternidade plenamente reinasse
Almejo a boa fé, mãe de toda a esperança
Que desfazendo as mágoas faz nascer a flor
E ver no moribundo a alegria de quem nasce
DISCERNIR
- O querer de quem ama e o amar de quem quer;
- A paixão dos que amam e os que amam as paixões;
- As fantasias de amor e o amor de fantasias;
- O prazer dos amantes e o amante dos prazeres;
- O falador da verdade e a verdade do falador;
- Os poemas ao amor profundo e o profundo amor aos poemas;
- O mundo de quem ama a verdade e a verdade de quem ama o mundo;
- O desejo de quem te ama e o amar de quem te deseja;
- A beleza dos adoradores e os adoradores da beleza;
- Os que pensam muito a teu respeito e os que respeitam pouco o que tu pensas;
SINCRETISMO
Olhos azuis, cabelos dourados, boca pequena
Lábios grossos, cabelos crespos, pele morena
Diferenças a parte, nasce o amor, a paixão reina
Derruba os tabus, mistura valores e miscigena
Malas aparentemente iguais em forma e porte
Numa vive Jeová, mas na outra está Moloque
Sincretismo de fé, com tolerância o amor suporta
Até que nasça a dor e a aflição lhes bata à porta
Cada um a seu jeito busca saída para o problema
Instala-se um altar e acende-se velas ao deus de lata
A outra mala jaz vazia, Jeová a muito saiu de cena
Jeová é Deus, com a idolatria não miscigena
Nem tem promessas para o cristão vira-casaca
Lembre-se disto em seus amores e seus dilemas
QUERO
Quero ver o teu sorriso nas minhas chegadas
E a confiança de quem ama nas minhas partidas
Quero o teu encanto nas manhãs ensolaradas
Mas também teu canto nas tardes caídas
Quero teu mimo nas noites cor-de-rosa
Mas também as rosas nas noites sem cor
Quero a euforia no ouvir de minhas prosas
Mas também ternura quando calado for
Não quero presentes para fazer amor
Quero o amor a se fazer presente
Mesmo quando a jornada difícil esteja
E quando a formosura do teu corpo se for
Tua simples companhia me fará contente
Pois na graça de tua alma está tua beleza
BREVE JORNADA
Olhai as sombras,
A marcha do sol é contínua
Vede as dunas,
Nada é perene ao reger do tempo
Observai os ninhos,
A vida se renova a cada alvorada
Contemplai o espelho,
O tempo arrasta os vagões da vida
Olhai o crepúsculo,
O dia se apaga, mesmo ante sonhos inconclusos
Olhai o mar,
Para lá se vão todas as águas
Vede os peixes,
O frenesi acaba quando a ração termina
Lavai os olhos,
Cada dia merece seu novo alento
Amai ao próximo,
Quem sabe, seu último amigo no caminho
Dobrai os joelhos,
Há bálsamo pra toda dor no trono eterno
Olhai o esquife,
Toda soberba é vazia, ante o clarim da morte
Olhai para cima,
Alguém te espera ao final da jornada
Abra uma semente,
Só há um que detém o poder da vida
Olhai para a cruz,
Há quem alveje vossas veste manchadas
ODISSÉIA
Depois de longa jornada, parei!
Contei meus passos e tropeços
No mapa da vida as mudanças de rota
Subi nas asas do tempo, voltei!
Revi cada decisão tomada
Agora como quem já conhece a dor
Percorri os sonhos da juventude, pasmei!
Vivi as glórias de quem com alma ama
Nada ousei mudar no meu percurso
De volta ao porto da realidade, chorei!
Tudo o que fiz, faria de novo
Senti orgulho em ser quem sou
DEUS NÃO AINDA
Deus não ainda cura
Deus não ainda restaura
Deus não ainda perdoa
Deus não ainda fala
Você ainda pode nele crer!
Ainda pode ser curado!
Ainda pode o receber!
E ser por Ele resgatado!
Deus cura, Deus faz; Deus rege;
Mas Ele vos ama, vede isto,
Oh efêmeros, tais quais vermes!
Deus era; Deus é e sempre o será
Quem assim crê, desfruta disto
Mas quem não o crê, constatará
FOLHAS AO VENTO
Em nada me admires
Nem sequer me censures
Ao meu ego não afagues
Nem também me esmurres
De herói não me faças
Nem também de bandido
Sou um vulto que passa
Para ser esquecido
Minhas marcas no mundo
Vem o tempo e apaga
O que te parece profundo
Lá no fundo é nada
Nada fiz de concreto
Tudo foi passageiro
No que pus meu afeto
Foi-se em vento ligeiro
Que importa escrituras
Do que alguém veio a ter?
Tempo, vento e chuva
A tudo faz perecer
Só há um que merece
A vossa admiração
Exaltai-o nas preces
Ele reina em Sião
AMOR ABSOLUTO
Se queres me falar, escuto
Se aprazes em me amar, tributo
Se há algo a te manchar, indulto
Se ousam te acusar, refuto
Se buscas me agradar, computo
Se tentam te levar, eu luto
Se há algo a maquiar, oculto
Se eu te ver chorar, me culpo
Se alguém te destratar, sou bruto
Se ousam te peitar, eu truco
Se voce me magoar, desculpo
O que eu te perdoar, sepulto
O que te alegrar, eu busco
Mas se deixas de me amar, sou luto
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza