PROCRASTINAÇÃO
A história humana é um eterno padecer dos erros que cometemos mas não conseguimos evitar que se repitam nas gerações que nos seguem. Na nossa juventude cremos que realizaremos a tarefa de fazer um mundo melhor; na média idade postergamos esta tarefa a nossos filhos e na velhice nos cobrimos de tristeza ao percebermos que ela não será alcançada.
Doce Amargura
Paixões são como sonhos, alguns se realizaram e outros vivem apenas na nossa imaginação. Muitas nunca as provamos, mas todas deixaram na boca aquele salivar amargo de quem se preparou para comer uma fruta ácida. E esta doce amargura nos acompanha e nos excita ao pensar em como teria sido saborear aquela fruta, mas há muito já se foi perdida no tempo ou consumida em outros manjares.
NOVA ESTAÇÃO
Vou buscar as flores da prima vera
Inverno frio, já era.
Verão
Ou tomo rumo ou me atropela
Seu fruto podre, em queda.
Verão
Ventos uivantes, quebram-se os galhos
Juras eternas, viram frangalhos.
Verão
Sol irradia, queima e escalpela
Pele queimada, despela.
Verão
Folhas despencam, renascem as flores
Novos sonhos, novos amores.
Verão
FLOR DO CERRADO
Vermelha flor do cerrado
Que adornas com maestria
O coração ressecado
Da minha terra em estia
És despontar de esperanças
Em terra triste que abrasa
És o nascer de uma criança
Na mais estéril das casas
Surges assim majestosa
Sobre o reinar da poeira
A nossa alegria renovas
Surge da chuva a bandeira
Tal qual minh'alma transposta
Em outras terras tu cresces
Botões de saudades brotam
Mas rosa de amor não floresce
Caliandra, flor da ternura
Princesa de minha terra
De meu coração desventuras
Na cor e pureza encerras
REVIRADA
Jogue suas mágoas no correr das águas
E não mais revivas as dores esquecidas
Abandone o pranto por um doce canto
Troque seus clamores por novos amores
Dê um bom presente pro amigo ausente
Troque fã-clube e amizade por fé e verdade
Se te julgarem louco, você diga: é pouco
E sorria infante como nunca dantes
Para que sejas feliz como sempre quis
MINHA PANDORA
Ligada a mim por tênue fio
Livre pandora que adorna o céu
Que voltes a mim, meu desafio
Só por amor, não por papel
Não nas juras ou nas promessas
Prendes-te a mim por teu querer
Enfeita o céu e adornas as festas
Mas é meu amor que escolhes ter
Se o vento falha tu perdes as forças
Manhosa se faz no teu compasso
Não se assusta com a corda frouxa
Tens sempre a fé nos meus abraços
Flutuas livre em teus desejos
Cortas o vento com teu rebolar
De meu ciúme, nenhum lampejo
Longe de mim, eu a ti censurar
Sabes quão doce é minha ternura
Sempre presto e feliz em te atender
Nos desencontros, nas desventuras
E nas alegrias do nosso viver
Mas se por acaso, a linha tu quebres
E longe de mim tu queiras estar
Feliz tu eras, não há quem negue
Mas nunca mais penses em voltar
O DESACORÇOAR
Uma hora chega, em que o dia finda
A tarde sucumbe, o labor termina
Sobre o olhar do dia, o crepúsculo desce
O respirar profundo, já não busca alento
Já não traça metas, já não conta o tempo
Vai-se aos cobertores, já não há mais prece
Nada mais na vida, desperta um sorriso
Não importa o teto ou se é limpo o piso
Nem se um filho casa ou se o neto cresce
É triste a penumbra e o calar do canto
Da desesperança, o esticar do manto
Frente ao fim da linha, a vida emudece
PARAÍSO PERDIDO
Quebrada fora a minh'alma em secreto
Moída e pisada pelo teu desdenhar
Fadada ao desterro por ignóbil decreto
O jardim de teus olhos, não mais contemplar
Quão triste é a sina do amor renegado
Jogado ao monturo da tristeza e da dor
Resseca em saudades do tempo sagrado
Que do mel dos teus lábios feliz desfrutou
Vigília insensata é o velar do amante
Sofre a ânsia e a espera do que sabe não vir
Moribundo sucumbe no aguardar do instante
Em que a luz dos teus olhos o faça sorrir
PRECE AO VENTO
Vento que sobe em todos os montes
Que entra nos bares e em todo lugar
Me diga pra onde, alem do horizonte
Partiu meu paizinho e não quer voltar
Vento lhe diga quão triste é a ausência
Sua cadeira vazia, sem o seu balançar
Vento insista, lhe peça a clemência
Pois até meu balanço já vive a chorar
Diga pra ele que melhoro minhas notas
Que lavo seu carro, e molho o jardim
Mas volte pra casa e esqueça a revolta
Minha dor nesta espera precisa ter fim
Vento lhe diga que sonho com ele
De braços abertos, alegre a sorrir
Que já perdoei todos os erros dele
E que ainda hoje ele já pode vir
RECÂMARAS DA ALMA
Nas recâmaras dos meus pensamentos
Em lembranças profundas imerso
Busco os versos perdidos no tempo
Não o tempo perdido nos versos
Lá nas dores passadas da vida
Onde feridas ardentes sagraram
Há lições em tigelas cingidas
Que na aspereza do tempo calaram
Esta flor na saudade desponta
No jardim dos que sonham com a vida
As angústias e tristezas desmonta
faz da dor uma página esquecida.
poemas lindos como o poeta!
poemas lindos como o poeta!
Maravilhoso, movido pelo amor...alma nobre...
Gigante pela propria natureza