Saulo Barreto Lima

Saulo Barreto Lima

Escritor, Ms. e Doutorando em Letras, professor, pesquisador. Com uma formação multidisciplinar que abrange Direito, Ciências Sociais, História e Letras, Fernandes tem uma produção intelectual diversificada, incluindo obras literárias, ensaios, artigos acadêmicos e biografias.

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VOU TER DE VIVER 


 
Ainda que a vagina da minha mãe sangre  
eu terei de viver  
 
Ainda que me afogue na placenta e nasça prematuro  
eu terei de viver 
 
Ainda que me sequestrem e vendam meus órgãos  
eu terei de viver  
 
Ainda que me usem como bode expiatório para crimes  
eu terei de viver  
 
Ainda que me condenem e tirem minha liberdade jogando me no calabouço  
eu terei de viver

Ainda que veja minha mulher me traindo  
eu terei de viver  
 
Ainda que veja meus filhos morrendo  
eu terei de viver  
 
Ainda que eu perca meu emprego  
eu terei de viver  
 
Ainda que o Estado tome a minha casa  
eu terei de viver  
 
Ainda que eu more nas ruas como um mendigo embriagado  
eu terei de viver 
 
Ainda que as metástases do câncer corroa minhas carcaças com sangue  
eu terei de viver  
 
Ainda que todos queiram que eu morra  
eu terei de viver  
 
Ainda que chegue aos céus ou ao inferno  
eu terei de viver  
 
viver viver viver para todo sempre... 
somente sobreviver... 
São Luís, 13/04/17 

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Poemas

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VOU TER DE VIVER 


 
Ainda que a vagina da minha mãe sangre  
eu terei de viver  
 
Ainda que me afogue na placenta e nasça prematuro  
eu terei de viver 
 
Ainda que me sequestrem e vendam meus órgãos  
eu terei de viver  
 
Ainda que me usem como bode expiatório para crimes  
eu terei de viver  
 
Ainda que me condenem e tirem minha liberdade jogando me no calabouço  
eu terei de viver

Ainda que veja minha mulher me traindo  
eu terei de viver  
 
Ainda que veja meus filhos morrendo  
eu terei de viver  
 
Ainda que eu perca meu emprego  
eu terei de viver  
 
Ainda que o Estado tome a minha casa  
eu terei de viver  
 
Ainda que eu more nas ruas como um mendigo embriagado  
eu terei de viver 
 
Ainda que as metástases do câncer corroa minhas carcaças com sangue  
eu terei de viver  
 
Ainda que todos queiram que eu morra  
eu terei de viver  
 
Ainda que chegue aos céus ou ao inferno  
eu terei de viver  
 
viver viver viver para todo sempre... 
somente sobreviver... 
São Luís, 13/04/17 

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Gonçalves Dias +100* 


 
Que imensa saudade tu fazes...                              
Oh, gênio-poeta dos cocais e da metrificação.                          
Naquela fatídica viagem regressiva de navio,                            
Deixaste tragicamente órfão o teu torrão. 

Tua vontade era voltar a viver aqui, junto aos teus pares,                  
No aconchego da tua estimada e vigorosa ilha grande do Maranhão.  
Juca-Pirama e as palmeiras onde cantam os sabiás jamais fenecerão...              
Te dou a minha humilde palavra. Não te preocupes!                                                        
Não turbes vosso majestoso coração,                    
Pois afinal de contas, és bravo, és forte e nada que proveio de ti, foi em vão. 

Hoje, na tua praça, amparaste dezenas de jovens intransigentes,                              
Tua estátua, no Largo dos Amores, permanece lá, imponente.                                          
És testemunha cotidiana dos belos solstícios e de chuvas intermitentes,                  
És patrono-mor daqueles apaixonados enamorados e dos mendigos inocentes. 

Espero que permaneças vivendo por mais e mais 100 anos,                                                
A Athenas Brasileira não é a mesma sem tua presença.                                                  
Poetas e escritores continuam sedentos pelos teus ensinamentos,                    
Ninguém se acostumou a viver sem tua singular sapiência. 

Viva a longeva existência do poeta anfitrião,                    
Viva o centenário do mito chamado Gonçalves Dias.                        
Viva os 400 anos da ilha de São Luís,                                                                                            
Viva o glorioso Estado do Maranhão. 
 
 *Poema publicado em homenagem ao poeta caxiense G. Dias na ANTOLOGIA MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS, São Luís: EDUFMA, 2013, p. 685.   

4

Finados  


É dia de finados...                                
Mais um dia de finados...                            
E nesse dia onde estou?                            
Eu estou aqui...                          
Eternamente...                                                  
Visitando a mim mesmo. 

São Luís/MA, 2 de novembro de 2017 

7

Um Livro 


Uma vogal, uma consoante... 
uma letra, uma sílaba, uma palavra... 
uma oração, uma frase, uma estrofe.... 
um capítulo, vários capítulos, uma história...  
eis, portanto, um livro. 

4

Murmuração  


 
Vivo sozinho,  
com nada e com ninguém, 
pois se não tendo nada, 
não tenho alguém... 
Eis me aqui na mais perfeita e plena solidão, 
sem ninguém para me oprimir e  
sem alguém para me dizer NÃO!... 
Mas porque diabos eu ainda reclamo? 
Ora, isso é natural do ser humano! 
São Luís, 25 de março de 2017

4

Finados  


É dia de finados...                                
Mais um dia de finados...                            
E nesse dia onde estou?                            
Eu estou aqui...                          
Eternamente...                                                  
Visitando a mim mesmo. 

São Luís/MA, 2 de novembro de 2017 

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