olharomar

olharomar

n. 0000-00-00

Perfil
87 398 Visualizações

uivos

Sinto que do outro lado do silêncio

outra alma perdida surgirá

e despertará de novo este corpo ausente

como se seu corpo fosse.

Trará nas veias o seu uivo de silêncio

e rasgará meu peito com rajadas de amor

invadindo minhas veias,

a sua alma alcançando a minha.

Mas o meu caminho não acaba aqui

o meu abismo não terá fim,

o desfiladeiro continuará a espera do meu regresso,

mas esta noite, sim esta noite

terei alguém ao pé de mim

uivando juntos á mesma lua,

quando o negro da noite de novo chegar

sfsousa/olharomar

Ler poema completo

Poemas

4

O vento não sopra


O vento não sopra, 
sente-se somente o seu respirar 
a alma toca fria o seu lado perdido 
tentando fugir em direcção às luzes da rua 
que brilham mais intensamente 
mostrando o caminho 
como a querendo guiar

Na rua cai inanimada a verdade, 
as arvores esvoaçam seus braços 
e reproduzem sua vontade na sombra.

Um homem e uma mulher discutem algures no centro da sala 
enquanto um cão desfaz seus latidos em pranto

A lua remete ao esconderijo a sua cor 
nesta noite o seu brilho a ninguém contagia, 
perde-se no caminho 
e não chega a bater à porta
 

100

Só o silêncio responde

Nesta noite as luzes da rua brilham mais intensamente, 
focadas no vazio, 
virando sua cara para o céu 

Deixando que o escuro penetre nas calçadas
o silêncio esvazia as ruas 
e a cidade quase adormece 

Sinto próximo o sonho perdido de alguém 
que o não consegue prender ao seu corpo 

Vagueia como alma em busca doutra luz 
que ninguém vislumbra na noite. 

Procura nas entradas das casas, 
mas só o silêncio responde
 

108

Hoje é dia de... MAR

Mar,

mar revolto que hoje me chamaste

trouxeste ondas enamoradas e loucas

tocadas pelo vento forte do desejo

buscando refugio na imensidão do meu sonho

 

Mar,

correndo na praia

os teus barcos aprisionados

seguram suas vidas e seus pertences,

guardam as redes com o marcar dos anos nos seus fios

resguardando sua luta para outro dia e outra maré

 

Mar fundo

o céu coberto de negro

reflecte no teu leito as nuvens soltas e inebriadas de amor

carregando ventos de tempestade 

nas ondas que fustigam nossos cabelos

a chuva encontra seu poiso nos olhos que teimam em abrir

é a beleza das forças da natureza 

nos mostrando quem manda no seu destino 

 

As gaivotas fugiram amedrontadas 

e no horizonte nada navega

só o amor entra por essa imensidão

foge da terra deixando amarras soltas para trás

segue pelo mar e tempestade adentro,

sem rumo

se multiplicando em cada vaga

como se pudesse repartir seu desejo e suas lágrimas 

por este oceano que nos hipnotiza

 

O crepitar da vida é ofuscado pelo rebentar das ondas 

e o silvo do vento batendo nas rochas 

inunda nosso farol com sua luz de carícias

 

As ondas desejosas de chegar a terra

levantam seus braços e quase chegam ao céu

desfazem seus desejos na praia

mas não alcançam seu sossego

morrem na areia e retomam seu destino

com a mesma força que lhes dá vida 

e que de novo na praia se perde

 

163

Hoje ... eu fugi

 

Hoje fugi 

Sem destino, sem medo, 

Por aí vagueei

 

Hoje fugi

Despedaçando meu corpo 

de ilusões mágicas 

 

Hoje fugi    

Do meu pensamento

E corro, corro sem fim

 

Hoje fugi

Na procura vã

Das hordas dos meus sonhos 

 

Hoje fugi

Do sopro de cada momento,

Dos beijos que invariavelmente se repetem

 

Hoje fugi

Do sangue que lateja nas minhas veias,

Das andorinhas que não chegam

 

Hoje fugi

Das primaveras distantes,

De todos os beirais frescos 

 

Hoje fugi

Das suas chegadas repetidas

Do seu partir já marcado

A lugares que em sonhos vi

Mas eu não volto nem venho

porque... 

Hoje eu fugi


 

154

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
joaoeuzebio

Fantastico este outro lado do silencio invandindo minhas veias viajei dentro de cada palavra parabéns amigo um abraço

Marnielly

Que linda poesia,realmente me tocou