Sérgio B Vianna

Sérgio B Vianna

n. 1994 BR BR

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n. 1994-02-08

Perfil
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Natasha

Natasha

Minha acácia, Natasha 

Encontrei seu amor 

Me perfumei em seu sabor

Seus espinhos não feriram 

Da pela dura de meu íntimo

 

Ao se ver madura, 

Se abre tão escura

Ao se ver ainda jovem, 

Se mantem dura como a lua

 

Não sei se consigo semear 

De tal mulher tão solta

Não é que eu tenha medo

Apenas não me vejo em teu seio

 

Dos ramos que florescem 

Queria ter eu apenas uma flor

Apenas uma flor, seja de acácia

Ou de Natasha

 

Seria eu em você 

Seríamos um, mesmo em alguns

Para que no outono, 

O vento solto 

Me levasse ainda absorto 

Pelo tempo amado 

Mesmo que agora largado

 

Talvez em um novo florescer 

Numa primavera eu volte a te ter 

Mesmo que com tempo marcado 

Estarei radiante 

Até ser envelhecido 

Por ter meu amor vencido. 

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Poemas

14

Em Todo Lugar

Às vezes é apenas um tiro 

Direto na testa, assim que interessa 

Nem ao menos precisa de festa 

Ô Capitão, homem ao mar! 

Relaxa, é apenas mentira 

Cinzas de um reles mortal

Partindo em direção ao umbral. 

 

Na espuma do mar, o meu desfazer a se realizar 

Como café ralo, nem ao menos deixa amargo. 

 

Milhares de mim, correndo sem fim 

Indo ao fundo e voltando 

Me fundindo e recriando 

O cristalino do mar a me levar 

O sol sempre ao meu redor. 

 

Nunca me senti completo enquanto vivo 

Agora vou aprendendo, descobrindo 

Vivendo de uma vida que nunca pude ter 

Em cada momento, em cada destino. 

 

Nesses pequenos grãos que viajam 

Vou evoluindo e fluindo 

Senti mais do sol do que em toda a minha vida 

Aprendi com pessoas de idiomas que eu nem ao menos conheço 

Senti da chuva que alçava as ondas em direções furiosas 

Esbarrei em animais que nem ao menos notaram minha presença. 

 

Em algum lugar, minha consciência continuava a navegar 

Aprendendo de tudo, de cada pedaço perdido pelo mundo 

Nunca enxerguei do fim que me prometeram 

Apenas senti o prazer de ser livre. 

 

Passando pelas portas do universo 

Me tornando a poeira que avançou pelo vento 

Me fundindo a novas terras, novos horizontes 

Em novos planetas, sendo parte do chão de uma nova civilização 

Pelo céu voando como qualquer ave que nunca há de cair. 

 

Saiba que no dia em que parti 

Nunca foi tão fácil de me encontrar. 

 

 

(Em Todo Lugar, 24/04/2023)

*Poema escolhido pelo concurso “Poesia Br”, número 6, publicado em livro físico pela editora Versiprosa. 

174

O Rato

O roto rato 

Sujo de esgoto 

Perdido no desgosto 

De se ver tão morto. 

 

Mudaria minhas vestes

Trocaria minhas botas

Botaria do perfume 

Em que o cheiro fosse doce

Como sua alma que adoece 

Me entristece, 

Feito uma prece rupestre

Onde nada lhe apetece.

 

Mas aqui estou 

Diante de ti 

Ajoelhado pra ti 

Morrendo por migalhas 

De um amor cheio de falhas. 

 

Me alimente, por favor 

Já não aguento sentir dor 

Venho aqui dos confins do mundo

O rei do submundo 

Minha capa e meu escudo 

Soturnos como os buracos 

De onde saio, me parto 

Em direção ao fardo 

Que é confundir amor 

Pela dor de se fazer favor. 

 

Me perdoe pela pressa 

Se lhe faltei com a educação 

Mas este rato desgraçado 

Está cansado do asfalto 

Por onde patas se arranham 

Pelos que caem 

Amores que iludem. 

 

Se fui feito de teste 

Até onde poderia ir 

Saiba que morri por ti 

No momento em que a vi 

Agora, aqui 

Vendo-a sorrir 

Sinto suas mãos se fechando 

Ouço meus ossos se quebrando 

De meus olhos emana o pavor 

Por onde os lábios se perdem o calor. 

 

O corpo que desce 

Escorre e se perde

Pelas águas das ruas 

Onde as lágrimas das chuvas

Me guiam para o fim 

Indo para onde saí. 

 

Dali não deveria ter sonhado 

Em ser príncipe encantado 

Apenas um roto rato 

Onde amores verdadeiros 

Não mudam o que os olhos 

Enxergam por inteiro. 

 

Morto e sem dinheiro 

Largado ao desespero 

Amaldiçoado por teus beijos 

Onde apenas sonhei em meus anseios. 

 

Sábio aquele é 

Que sabe o que quer 

Sem esperar pelo amanhecer 

Onde o príncipe se muda por inteiro 

Um monstro sem valor 

Contigo por clamor. 

 

Nunca saberemos como seria 

O rato roto te amando 

Noite e dia. 

 

(O Rato, 03/05/2023)

205

Relógio Quebrado

Como um relógio antigo 

Perdido e sem tempo 

Largado em uma casa

Que se despedaça 

Em poucas passadas

O ranger sinistro 

Trilha sonora 

De um verdadeiro suplício 

 

Minhas engrenagens morreram 

Fui largado em poeira 

Do meu cuco restou

Apenas lembrança 

De um tempo perdido 

Onde meu movimento tão lindo 

Já tirou muito risos 

 

Não restou em mim 

Qualquer esperança

De um resultado feliz 

Onde viver no amargo 

Tem um gosto tão magro 

 

Não consigo mover 

Meus ponteiros cansados 

Tão enferrujados 

Se esquecem do gosto 

De ser admirado 

 

Das teias de aranha 

Minha única façanha

 

Eu me esqueci de viver

Perdi do tempo 

Que dediquei a você 

 

Se continuo aqui parado 

Como relógio quebrado 

É ao menos acertar

Duas vezes por dia

E fingir que acredito 

Ser um ato de vida.

 

(Relógio Quebrado, 06/10/2023)

174

Te Dedico

Dedico o meu tempo a alguém que nunca me amou, 

Seja em prosa, em música ou em letras maiúsculas, 

Gritadas pelas paredes ocas de meu coração. 

Coração, este em que guardo as piores delas 

Como em sepulcros soturnos, 

Por vezes aberto apenas como um desejo mórbido 

De lembrar de nós dois. 

 

Por onde andas tu?

Ainda omitindo, mentindo

Para quem lhe entregou seu coração? 

Ainda fingindo sentir, algo que seu frio reinado de gelo, 

Congelou e matou, para nunca mais se levantar? 

 

Por onde passa, seus amantes se tornam estátuas 

Impedidos de saber o que é amar. 

Um reflexo das traições que não apenas perfuram, 

Mas destroem e corroem as almas. 

 

Eu lhe entreguei minha vida, minhas promessas 

Eram sinceras. O meu amor não era de brinquedo, 

E por isso jamais seria quebrado, embora brincado 

Jogado fora, largado como um salto alto arrebentado. 

 

Como aquele usado na noite 

Em que o outro beijou teus lábios.

Os lábios usados nos meus, 

As mentiras usadas em meu ouvido. 

E eu acreditando, indo dormir com o seu 

“Te amo”. 

 

Ao partir, tudo que perdi foram 

Falsidades e o controle de você sobre mim. 

Não me deixando enxergar, 

Não me deixando lutar. 

Me mantendo preso ao que eu acreditava de você.

 

Hoje, não sei quem era. 

Para onde foi, ou para quem mente. 

Mas sei que nunca alguém amará como eu, 

Te entregará o corpo e a alma sem pestanejar. 

Sempre ali para te ajudar. 

 

Nem o pacto com o diabo custaria tão caro. 

Aliás, prefiro ele a você. 

 

Ao partir, você perdeu um amor de verdade. 

Ao partir, eu enfim ganhei liberdade. 

 

(Te Dedico) 

*Poema escolhido pelo concurso “Poetize 2024”, e publicado em livro físico pela editora Vivara Editora Nacional. 

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