Sonho que caminho sobre folhas secas Numa tarde de inverno e estou bem agasalhada O barulho que faz ao pisar sobre elas Me traz um sentimento pueril Estou sozinha nessa estrada O vento toca meu rosto Trazendo a certeza que sigo na direção certa Com minhas mãos no bolso, ah! estou usando touca! Sinto a paz me invadir Na beira dessa estrada tem uma parte acidentada Logo, escuto um riacho Não consigo acreditar, corro para ver E lá está... água cristalina fluindo entre as pedras Fico ali parada, entre pedras água e estrada Como foi longa minha jornada Parece que tenho de ir embora É chegada a hora. Fecho meus olhos, me preparo e reabro E ainda estou aqui...
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Estrangeira
Lembro-me que quando me perguntastes por quê era tão distante Refurtei no primeiro momento, não queria ser um tormento Como explicar a distancia que carrego em mim Sou estrangeira nessa vida, trago comigo outro dialeto Por mais que viaje não chegarás nem perto Venho de um lugar que também desconheço Não sei nome das ruas que percorri para chegar aqui Quais foram as experiências que formaram esse Eu Sinto saudades em momentos inoportunos E só passa quando fecho meus olhos e medito Como me transportasse para outro mundo E lá tenho afago, me sinto segura Não existes nomes, referências ou mesmo algo palpável Existe apenas Eu... Sim, vivo distante de tudo que o cerca Meu olhar sobrecarrega Gostaria de poder te explicar de onde vim Mas estou perdida em mim.
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reflexão
Hoje bateu nostalgia Achei que já estivesse depurada Que você não mais existia aqui dentro de mim Me esforço para não fechar meus olhos Pq quando os fecho é você quem vejo Fico relembrando seu beijo Do seu encaixe perfeito E o calor do desejo Falta-me compreenção Pois a vida anda sem cor Pessoas não falam em amor E quando encontras quem te faz bem É quase um desastre de trem O que era silenciado pela vontade de estar Dava o lugar ao nosso mundo paralelo Nele não existia muitas cores Era branco no preto mesmo Tinhamos uma cama, as vezes água Quatro paredes como cúmplices Nessa amiúde vontade Não pude ver você se afastar Estou aqui cansada Sem seus braços para deitar Ainda mato quem inventou a saudade É só por uma questão de sobrevivência Não sou adepta a violência
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Mora em mim
A poesia que mora em mim Foi cultivada entre flores e alecrim Poesia doce, que me afaga Deitada ao relento desse jardim
A serenidade que me traz Carrega meu olhar de amplidão Caminho sem pressa para me encontrar Carrego apenas a certeza de chegar
Distraida tropeço em pedras Ralo meus joelhos Bagunço meu cabelo Ainda sim tenho a certeza que hei de chegar
No cume da realidade Abrindo meus braços sobre a insanidade Deslizando sobre a moralidade Me jogando na imensidade Me perco em seu olhar Sabendo onde vou chegar
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Poeta
A poesia é o antidepressivo do poeta Não nos importa a dosagem correta É a automedicação pueril Não importa se a inalou ou a engoliu Os versos são nosso marca tempo Descrevemos cada momento Reais e fragimentados Fingidos ou inventados Não nos importamos com a reação Sua interpretação é mero acaso Somos egoístas e escrevemos nossa vontade Nos multiplicamos e ao mesmo tempo somos um Ninguém sabe ao certo a razão de ser do poeta Se ele fecha ou deixa a porta aberta O valor da solidão nos custa caro Gastamos cada tostão em rum, tinta e papel Somos a nossa melhor companhia Mas valorizamos o amor com sintonia Nada para nós é pouco Fazemos desse mundo louco nosso teatro De personagens principais aos bastidores Somos muitos e nos sentimos poucos Recolhemos cada escrito E engavetamos por discrição